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Olhares Inquietos

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Ao observar a realidade que o olhar comum não capta, o artista revela, comunica. Em meio a tantas plataformas, a fotografia torna-se um  suporte de expressão criativo  e versátil. A partir de suas inquietudes, o artista plástico Joel Bardeau tece de maneira abstrata o que há de mais puro em seus sentimentos e anseios... Desta forma, apresentando de maneira surpreendente um novo modo de enxergar a vida como uma verdadeira janela da alma. “Esses profissionais se  apropriam das ferramentas tecnológicas  e criam um veradeiro catálago sensível do mundo”.

 

A fotografia torna-se, assim, um instrumento de tradução do Olhar desses criadores. “Eles vão muito além  do registro fotográfico. São porta-vozes da diferença, do olhar da descoberta. O resultado são obras que trazem mensagens objetivas ou se revelam sutilmente ao observador que “caça” detalhes”.

 

Eu mesma me apaixonei pelo trabalho de Bardeau, porque ele faz com que as modelos posem para colocar para fora seu espírito animal em meio de um jogo de tintas onde contempla intensamente em suas fotos a forte dramaticidade que cada modelo possa vir expressar e realmente o resultado é fantástico.

 

Usando apenas um fundo Branco com um plástico sobreposto a esta imensa tela lúdica a modelo dramatiza o que há de mais primitivo em seu interior.

 

 

Exclusive Brasil Mundo: Como iniciou nas artes?

Joel Bardeau: Eu desenho e pinto desde a minha infância. Descobri a fotografia em minha adolescência com um amigo. Ele estava determinado a se tornar um fotógrafo, a vida impôs outras opções para mim. Hoje tenho um negócio de cirurgia plástica e reconstrutora, onde a minha especialidade é a pele.

Esqueci-me da fotografia, mas mantive um contato grande com o olho do meu coração através do desenho e da pintura. Eu tenho uma ligação muito forte com fotografia e pintura desde 2008 e tenho um grande desejo de aliar as duas artes.

 

EBM: Como explicar a união das duas artes?

JB: Eu amo desenho e as maravilhosas gamas de preto que a mistura das tintas proporciona, a delicadeza do pastel, a força dos pigmentos do óleo sob o pincel.

Eu amo o Black & White, o íntimo, o secreto, a memória de certos sentimentos, de cores, para um tipo muito mais gráfico de criação.

Eu oscilo com imenso prazer entre esses dois mundos e preciso de ambos para me expressar plenamente.

 

EBM: Quais são as suas inspirações?

JB: Eu sou influenciado por muitos artistas, mas se eu tivesse que citar apenas alguns diria Sarah Moon, E. Weston, Isabel Muñoz, R. Mapplethorpe, Sylvie Blum, William Ropp, JP Goude.

Sou muito influenciado e interessado pelo embelezamento do corpo através da arte tribal, pintando peles de todo o mundo.

 

EBM: Por que o Brasil como referência?

JB: Um dia, vi um filme que se passava na Amazônia, onde o personagem principal podia transformar-se em um jaguar. Esta estranha relação entre homens e animais me atrai e instiga todos os tipos de perguntas. Isso permite se reconectar com a origem da vida e, portanto, com a nossa própria origem. É uma das minhas influências mais importantes no momento, especialmente durante minhas sessões criativas.

O Brasil, pulmão do nosso planeta, me atrai muito por sua variedade cultural, pela maneira com que o passado e a modernidade podem coexistir dentro das mesmas fronteiras.

 

EBM: Últimas aventuras artísticas.

JB:

Maio 2012: Galerie Numériphot Toulouse.

Junho de 2012: Chemins des Artistes, Corbières.

Junho de 2012: Les Belles Echappées, Beaurepaire Espace, Paris.

Julho de 2012: 1º prêmio atribuído por papéis Canson para minha fotografia formato quadrado Couleur Bleue.

Setembro de 2012: Artistes à Suivre, Galerie Revel.

Conferência CNIT La Défense, em Paris, cirurgião plástico: novembro 2012 - KLEIN d'oeil - SÉRIE em poucas palavras.

 

EBM: Por que corpos desnudos?

JB: Desde o início dos tempos, os homens têm pintado, tatuado e rabiscado seus corpos como um ato religioso ou como um jogo, ou para tornar-se mais bonitos, como forma de possuir o seu próprio corpo ou ser outro. Nos países modernos, a pintura feita em palhaços e nos carnavais é uma espécie de testemunho de que muitas pessoas ainda praticam pintura corporal como uma magnífica forma de arte.

 

EBM: De que forma o jaguar inspirou tua arte?

JB: Homem-Jaguar: um sonho. Uma realidade? Através desta série, que é apenas um primeiro passo, a minha intenção era expressar o meu fascínio por esta complexa forma de arte. Eu escolhi fazer isso através da mistura de pintura e fotografia, de modo a chegar a um resultado que fica na fronteira dos dois meios. Esta série foi sonhada como um formato de grande escala, a fim de que as cores e o corpo da mulher excitem minha paleta de pintor: no final, são eles que escrevem suas próprias músicas. No início dos anos sessenta Yves Klein costumava pedir a seus modelos para pintar seus próprios corpos, cobrindo-se com seu IKB3 monocromático azul. Nesta série eu me inspiro nele, embora eu mesmo tenha pintado a modelo. O nome da minha modelo é Anouchka, ela é um sopro de vida. Dócil, eu guio seus movimentos mas é ela que os interpreta, fixando-os em cores. Juntos, criamos um trabalho mais dinâmico, sem planejamento. O ângulo de tiro da tinta é executado na vertical, de modo que a modelo e a pintura são incorporados.

 

EBM: O que significam as imagens?

JB: O público terá de decidir por si mesmo o que eles gostariam de ver: mise en scène, a subjetividade, objeto vivo, humano-animal, pintura, fotografia...?

 

"O corpo da modelo é minha paleta, o pincel sua linguagem".

Fotografia - Paris

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