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O legado de uma vida

 

Quando nossa vida se torna plena de sentido, de uma hora para outra os esforços já não são cansativos, e sim necessários em direção à meta que estabelecemos. Precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos. No decorrer da vida, vamos vencendo etapas e devemos morrer simbolicamente para podermos nascer no estágio seguinte. Digo isso para registrar a lembrança do meu avô na cidade do Rio de Janeiro, na qual ele viveu por 12 anos, em função de sua vida política e pela qual sempre teve uma admiração.

 

Recentemente minha mãe me entregou uma nota do jornal Correio do Povo, do dia 16 de abril de 1969, que estava recortada e amassadinha, guardada em um saquinho plástico, juntamente com um cartão de visita do Banco Denasa de Investimentos S.A. Conselho de Administração do Presidente Juscelino Kubitschek. Quero dizer que fiquei repleta de alegria e emoção e minha mãe mais ainda, tanto que acho que vale a pena reproduzir a homenagem prestada a meu avô, que foi, além de um grande pai, um grande homem a serviço da humanidade.

 

 

O plenário prestou homenagem no dia 16 de abril de 1969 pelo jornal Correio do Povo com a seguinte chamada:

PLENÁRIO PRESTOU ONTEM HOMENAGEM À MEMÓRIA DE DEPUTADO CONSTITUINTE

Reproduzindo: "A primeira parte da sessão de ontem da Assembleia Legislativa foi dedicada para homenagear a memória do Dr. Hermes Pereira de Souza, que foi deputado constituinte, dois constituintes gaúchos, o senador Daniel Krieger e o general José Diogo Brochado da Rocha, estiveram na Assembleia para assistir a homenagem, estando presentes também o vereador Aloísio Filho e familiares do extinto político gaúcho.

 

O discurso oficial, pronunciado pelo deputado Lidovino Fanton, foi o seguinte:

Merece de soberana decisão este plenário augusto, que acolheu proposição, tão justa quanto meritória, oferecida pela representação parlamentar do Movimento Democrático Brasileiro, reúne-se a Assembleia Legislativa Sul Rio-grandense, estuário natural e político dos sentimentos de solidariedade humana e de fraternidade cristã, para prantear a morte e reverenciar a memória de um ilustre filho dos Pampas e que foi, sem favor algum, um dos seus mais nobres integrantes. Esse emérito riograndense, cujo nome soa nesta hora e haverá que ressoar sempre sob o pálido da mais profunda veneração e respeito, era Hermes Pereira de Souza, uma autêntica vocação de um homem público, eis que, posto vinculado às lides do campo e da pecuária desde o berço, sempre esteve, ao longo de sua profícua existência, ao serviço da lei e da sociedade, a que somava indormindo, entranhado e infatigável devotamento à causa do povo, da liberdade e da justiça social.

 

Filho de José Pereira de Souza e Isabel Pereira de Souza e nascido no dia 1º de agosto de 1910, no histórico, ao mesmo tempo distante e próximo, município de São Borja, sentira ele, nos seus mais verdes anos, como sói acontecer aos jovens predestinados, o superior anseio pela luz do conhecimento e do saber.

 

Inauguração de Brasília com Juscelino Kubitschek, Célia Vargas de Souza, Maria Tereza Pereira de Souza e Themis Pereira de Souza Vianna (acrescentada em fotomontagem por motivo de homenagem ao avô)

 

Buscou, assim, no amparo do entusiasmo de pais prestimosos, o ensolarado e redentor caminho dos bancos das escolas, de que seria exemplar aluno. E no ano de 1936 sairia, já da então tradicional Faculdade de Direito em Pelotas, armado soldado de lei e cavaleiro da justiça. Cansado da velha Palmeira das Missões, de onde, com sobradas e múltiplas razões, também se considerava filho, com Célia Vargas de Souza, nesta haveria de encontrar, como encontrou, ao longo de sua vida e até o doloroso e derradeiro instante, a esposa dedicada, a companheira inseparável de todos os momentos e de todas as horas, a alma desatada em peregrinas bondades a seguir o marido desvelado nos ásperos caminhos da vida e, particularmente, da vida pública.

 

Ao deixar os bancos da escola para ingressar na escola da vida, o Dr. Hermes Pereira de Souza se lançou, símbolo de THEMIS em prova (deusa da justiça), a sua atividade como Promotor de Justiça, como fiscal da lei e de sua fiel execução, não sem marcante devoção e superior compreensão humana, virtudes de que pode dar testemunho pessoal o modesto intérprete dos sentimentos de saudade da casa, nas unidades jurisdicionais de Palmeira das Missões, Encruzilhada do Sul, Caxias do Sul, Santa Maria e Porto Alegre, aposentando-se no alto cargo de Procurador do Estado.

 

Pensamento dele: “QUANDO SE ATENDE UNICAMENTE A VOZ DO CORAÇÃO, A PÁTRIA É BERÇO; QUANDO PRIMA INTERESSE POLÍTICO, PÁTRIA É ESTADO; QUANDO FALA IDEAL, PÁTRIA É HUMANIDADE”.

Política - Rio Grande do Sul

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