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Camila, minha filha, meu prêmio, meu poema

Camila

Minha filha, meu prêmio, meu poema

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

O nascimento da Camila iniciou para mim uma segunda etapa como mãe. O nascimento dela contemplou também a Pamela, minha primogênita, com a companhia de uma irmãzinha, sem esquecer da minha mãe, que ganhou mais uma neta.

Lembro  que foi no meio da semana, uma quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004, na plenitude do verão de Porto Alegre, que diante das circunstâncias me dirigi sozinha ao Hospital Moinhos de Vento. A pressa foi tanta que esqueci a mala de roupas, que já estava preparada a algum tempo.

O som do seu primeiro choro ainda ecoa dentro de mim. Ele compensou o cansaço e a fadiga do parto.  Era um som fraquinho, uma voz sumida, que de forma frágil, a Camila,  parecia anunciar ao mundo a sua vinda para que este abrisse o seu caminho para que pudesse respirar a liberdade, o ar, o sol, o espaço infinito com os seus desafios. Um choro frágil que ao mesmo tempo era poderoso para me enternecer. Era a entrada de uma vida, uma vida que se estendia a partir de mim.

Cada mãe em momento assim é um ponto único em uma experiência singularíssima onde o fenômeno do nascimento se cruza daquela forma uma só vez e nunca mais. Toda mãe sabe disso. Toda mãe vive uma experiência assim. E eu tive a minha, em duas ocasiões.

Olho para trás, aquele bebê, hoje é a menina que se despede da infância. Tem a sua frente um mundo que arde em cores novas, o sabor das descobertas, o que chamamos de adolescência.  A etapa para conhecer a própria personalidade, as suas ideias e os seus ideais. Para uma mãe é uma transição tensa, pois se trata da passagem para a independência e ao mesmo tempo à maturação para a responsabilidade pessoal nesse trajeto chamado vida. Largar essa atadura materna é difícil, doloroso, mas necessária para não cair no superprotecionismo. Por outro lado, sei que é  importante sempre estar ao seu lado, para que o universo virtual não a absorva com as suas armadilhas. Ultimamente aprendi que não se pode substituir a presença por benefícios materiais em hipótese alguma. Há uma natural demanda entre os seres humanos por carinho, presença física, contato físico e emocional. Isso é imprescindível.

É uma dimensão constitutiva da existência humana que moldam as clássicas palavras: "estou ao teu lado".  O que não significa mordaças, algemas, prisão. Mas traduz o profundo significado de não estar indiferente e inconsequente. Traduz o amor, que não existe sem cuidados e sem preocupação.

Estou ao teu lado significa que pelo resto da vida eu te acompanharei. Pelo resto da minha vida serei a tua mãe e tu serás a minha filha.

Camila, quero aqui externar as tuas grandes virtudes. Em primeiro lugar, és a minha companheira verdadeira. Uma companhia agradável, responsável e confiável. Uma companhia que faz confidências, que murmura, que enseja aconchego. Vejo em ti muitas qualidades que eu não tenho: és extrovertida e muita comunicativa. Consegues fazer amizades com facilidade. Não te deixas abater com facilidade. Diante de fatos tristes, consegues contorná-los. Isso preciso aprender contigo. Outra coisa é a tua organização. Tua memória visual, em guardar e lembrar de lugares.

Escrevo tudo isso com orgulho. E, claro, com o coração de mãe. Para uma finalização honrosa escolhi um verso de um poema de José Fernandes Castro, poeta português, radicado na Suíça.

 

Minha filha meu poema

      Meu doce tema... d'inspiração

      Amor por mim inventado

      Musa dum fado... feito paixão...

      Meu pedacinho de vida

               Com olhos lindos... da côr do céu

               Minha roseira florida

               Prêmio que a vida... me ofereceu.

 

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