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O que mais importa

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

O que mais importa

 

O cotidiano tem as suas surpresas. Quando tudo parece normal, de repente, um pequeno comunicado altera o curso do dia, - do dia seguinte, - e, às vezes, o resto da vida. Faz poucos dias perdi uma pessoa na família, fato que levou os meus pensamentos a direções inusitadas, chegando a um ponto culminante com a pergunta: o que realmente importa na vida?

Um tal momento é uma rica oportunidade para fazer um checklist completo. Dá para filosofar sobre temas como eternidade, tempo e retorno. Sobre o passado distante, o passado recente, sobre o agora, e sobre tudo o que virá. Foi um momento de efervescência íntima, de lembranças e de sensações, algumas surpreendentes. Mais ou menos como alguns adolescentes dizem: "me passou um filme na cabeça".

No fundo, parece aquilo o que mais nos importa é aquilo o que mais tememos perder. E aí cada um, ao olhar para dentro de si, descobrirá uma série de coisas, que vão desde objetos a pessoas.  A resposta é um elemento variável, cada um terá uma resposta, dependendo do ambiente, da cultura ou da personalidade aliada ao seu estado psicológico e emocional. Mas na ponta mais alta na hierarquia das necessidades, há valores transcendentais, válidos para todos os grupos humanos.

Para os príncipes adolescentes, William e Harry, a noite de 31 de agosto de 1997, deixou uma marca permanente em suas vidas. Eram apenas dois adolescentes, um com 15 e o outro com 12 anos de idade. No túnel da ponte de l´Alma, em Paris, perderam a mãe, a Princesa Diana.

Naquele momento enxergaram no topo da pirâmide dos  valores, o que mais importava era a vida de sua mãe, agora, insubstituível e irrecuperável. Fato que pode ser ilustrado com um parágrafo escrito por Juliana Ladeira, em um blog: "A cama de mãe é; onde estão os lençóis mais cheirosos, onde você pega no sono assim que se deita, a mais fofa dentre todas as que existem, mesmo que tenha um colchão de tábua é sempre a mais confortável."

No recôndido familiar, há exemplos que vão desde celebridades às pessoas mais simples. "A atriz Hunter Tylo perdeu seu filho, Michael, quando este tinha 17 anos. O jovem morreu após ter uma tontura que fez com que ele caísse na piscina e se afogasse". "O ator John Travolta chegou a se afastar da sua carreira em Hollywood após a morte de seu filho, Jett, em 2009. O jovem de apenas 16 anos foi diagnosticado, aos dois anos, com a doença de Kawasaki, que inflama as artérias e pode causar danos permanentes ao coração. Ele morreu durante uma viagem de férias da família devido a complicações após uma convulsão" (dados da revista Monet, 2015).

Aquilo que mais tememos perder, sem dúvida é o que mais nos importa. São valores, na maioria das vezes, que não podem ser tabelados em dinheiro e que não podem ser trocados nem substituídos. São únicos.

Lembro de um post de Dayane Cristina, no qual ela vai além de fatos mais trágicos e coloca situações muito sutis, como amizades, afeto, reconhecimento, aceitação, respeito. Ela afirma: “As coisas de maior valor que podemos obter na vida não custam nem uma moeda sequer. Elas são conquistadas junto àqueles que têm os bens mais valiosos que se pode possuir e que jamais poderão ser comprados: o amor e a amizade".

Por que nos sentimos tão solitários, às vezes, quando enfrentamos um momento ruim? Talvez, por que não exploramos o suficiente o cerco afetivo disponível das pessoas sinceras e leais. É somente nelas que encontraremos afeto, respeito e aceitação, valores vitais, que nos ajudam na travessia da vida.

Ter amigos e amigas de verdade é um patrimônio cujo valor transcende a todas as coisas materiais. Sem esquecer a família, é claro, no meu caso, minhas filhas e minha mãe. São elas que realmente me importam. 

 

Há uma bela poesia, de Caio Ribas, que acredito ilustrar o final da minha crônica com um fechamento romântico. O romantismo também é um valor. 

 

E eu queria te dizer

tudo que penso

mas tenho medo de falar;

 

As vezes a gente perde

e é por não tentar;

 

Mas quando te vejo

O coração bate mais forte

Acho que você percebe que não paro de te olhar;

 

A vida é passageira, chega ao fim sem avisar

Não sei o porque eu não te digo o quanto eu ia te amar.

 

abraço - família - Relações Humanas

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