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Sergio Moro, uma pedra no sapato dos corruptos

Themis Pereira de Souza Vianna

 

Sergio Moro é hoje uma das personalidades mais honradas no Brasil. Há razões suficientes. Ele jamais elogiou a si nem se bazofiou como o homem mais justo do Brasil. Sabe que a fanfarrice é a propriedade das pessoas que necessitam de holofote e quando falam precisam de sua claque para os aplausos da ocasião.

 

Aplaudido pelo povo e odiado pelos corruptos e a sua claque.

 

Para quem não sabe, Sergio Moro é Mestre e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Chegou à 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba por mérito pessoal. Ministra aulas de processo penal na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ganhou destaque na operação Lava Jato. Cursou o programa para instrução de advogados da Harvard Law School em 1998 e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro promovidos pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.  

É discreto e cuidadoso nas palavras. De perfil erudito, tímido, recatado e dedicado no seu trabalho. Ainda encontra tempo para escrever. Publicou os livros Desenvolvimento e Efetivação Judicial das Normas Constitucionais, Editora Max Limonad, 2001. Legislação Suspeita? Afastamento de Presunção de Constitucionalidade da Lei, Editora Juruá, 2003. Jurisdição Constitucional Como Democracia, Editora Revista dos Tribunais, 2004. Crime de Lavagem de Dinheiro, Editora Saraiva, 2010. 

Nos dois últimos anos se tornou um dos palestrantes mais procurados no país, particularidade que o leva também ao estrangeiro. Os convites são muitos. Só neste ano proferiu três em universidades americanas e, nós próximos meses falará na Alemanha e em Portugal.

Discreto no avião para não ser notado (Foto de Rodrigo Rangel em matéria publicada).

 

Vou transcrever um trecho da revista Veja, matéria de Rodrigo Rangel, sobre alguns aspectos tanto da viagem quanto da recente palestra de Sergio Moro nos Estados Unidos:

 

"O voo para os Estados Unidos, onde o juiz proferiria uma palestra, demoraria um pouco a sair. Sob a vigilância dos policiais, Moro aguardava a chamada ainda incógnito, bebericando uma taça de vinho tinto chileno, até que outro passageiro se aproximou. “Dá orgulho ver que existem pessoas como você. Eu fico até emocionado”, disse o também empresário Marcelo Di Giorgio. Não era exagero retórico. Antes de tentar engatilhar uma conversa mais longa com o juiz, Di Giorgio chorou de verdade. Depois disso, uma das recepcionistas da companhia aérea também se aproximou. Pediu uma selfie. Ao se ajeitar para a foto, o juiz tirou os óculos escuros e o boné. O disfarce tinha ido por água abaixo.

Um grupo de passageiros pediu uma fotografia. Logo se formou uma pequena aglomeração. Fotos pra lá, pra cá, elogios, comentários, burburinho. O horário do voo já estava próximo. Moro colocou novamente o boné e seguiu a passos largos em direção ao portão de embarque. Foi acompanhado até a entrada do avião e, para voltar a ficar incógnito, embarcou antes dos demais passageiros. Seu assento, na classe econômica, foi reservado bem no fundo do avião. Um comissário de bordo se aproximou e ofereceu ao juiz um lugar mais confortável na classe executiva. Moro, gentilmente, declinou. Durante o voo, apesar da pouca luz e da aba do boné quase tocando o nariz para esconder o rosto, ele ainda foi reconhecido por outros passageiros enquanto alternava cochilos com a leitura de um livro sobre a vida de Marina Silva, ex-candidata à Presidência da República.

Em Miami, onde fez conexão para Filadélfia, uma passageira ensaiou uma salva de palmas, mas foi desestimulada por um senhor mais comedido: “Ele merece, mas a gente não pode fazer manifestação aqui”. Moro estava na fila da imigração quando foi chamado por um agente americano. Um brasileiro avisara a segurança do aeroporto de que na fila havia uma importante autoridade. Depois, o “delator” pediu desculpas a Moro: “Eles não podiam deixá-lo na fila. Eu disse que o senhor é um herói brasileiro, talvez o maior depois de Ayrton Senna”. Na sequência, mais selfies, poses, elogios. Depois de passar pela imigração, um homem indagou em voz alta: “Quando é que o senhor vai prender o Lula?”. Sergio Moro contraiu o semblante. É a pergunta que o juiz ouve a todo momento, em todo lugar — e que o incomoda.

 

A matéria descreve com precisão o comportamento de Sergio Moro durante o voo: discreto (boné e óculos escuro), humilde (último banco na classe econômica) e sério. Reconhecido por um empresário (Marcelo Di Giogio), discretamente foi até ele e disse: “Dá orgulho ver que existem pessoas como você. Eu fico até emocionado”, e não conteve as lágrimas. Esta foi apenas uma intervenção entre várias.

 

Rodrigo Rangel, prossegue no seu texto: "Moro não é uma celebridade apenas no Brasil. O interesse internacional pelas investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras alçou-o ao patamar de juízes como o espanhol Baltasar Garzón, que decretou a prisão do ditador Augusto Pinochet, e o italiano Giovanni Falcone, responsável pela Operação Mãos Limpas, assassinado pela máfia em 1992. Em Filadélfia, Moro era o convidado principal de um ciclo de palestras promovido pela escola de direito da Universidade da Pensilvânia. O tema: como produzir líderes com caráter e integridade e como incutir bons valores na vida pública. Só neste ano, foi a terceira palestra do juiz em universidades americanas. Os convites chegam às dezenas, de várias partes do mundo. Nos próximos meses, ele deverá ir à Alemanha e a Portugal.

"Na palestra, de pouco mais de uma hora e em inglês, Sergio Moro defendeu as investigações da Lava-Jato, resumiu a história da operação (“Há um lado negro, por revelar tanta corrupção, mas também um lado luminoso, porque mostra que o Brasil está enfrentando seus problemas e quer se tornar um país melhor, menos corrupto”), falou da dificuldade histórica da Justiça brasileira em lidar com casos complexos que envolvam altas autoridades e lembrou os protestos de rua, que reuniram milhares de pessoas em dezenas de cidades do país, como uma importante manifestação de apoio popular à investigação".

Moro e a esposa no Cocktails at Jazz At Lincoln Center at the Times Warner Center, Nova York, em 26 de abril de 2016, quando foi proclamado uma das 100 personalidades mais importantes do mundo, recebendo o troféu Time's Most Influential People In The World (o único brasileiro na categoria).

 

 

Esperança

Os corruptos o temem. Os afiliados dos corruptos também. Nas surdinas fazem de tudo para desacreditá-lo. Financiam blogueiros de aluguel para disseminar calúnias. Querem por todos os meios possíveis desqualificá-lo e tirá-lo do caminho. É sem dúvida hoje a maior pedra no sapato dos corruptos. E não é por menos!

Das 174 pessoas acusadas nos processos da operação Lava Jato que estão nas mãos de Sergio Moro, 67 já foram condenadas e 12 foram absolvidas de todas as acusações. E isso incomoda muita gente. Muitos perderam os privilégios da fortuna fácil. A busca de uma perpetuação no poder foi frustrada, o que é bem natural, abala o sistema de satélites que gravita em torno da ideologia desmontada. 

 

Moro é taxativo ao expressar a sua preocupação contra o grau de corrupção pública revelado pelas investigações e as consequentes descobertas dos desvios sistêmicos protagonizados pelos próprios agentes públicos. A corrupção arraigada nos setores do governo, nos partidos políticos, nas estatais, pior, ainda, a montagem de uma fantástica máquina jurídica de defesa para aparentar inocência, caracterizam a profunda anomalia social brasileira.

O lado patológico da principal liderança dos corruptos é a sua insistente autoproclamação de honestidade. Conta com duas dezenas de advogados para sua defesa.

A tarefa do juiz admirado pelo povo brasileiro não é um conto de fadas num livrinho mitológico, onde no final o bem triunfa sobre o mal. O padrão lento da justiça brasileira, demorada por várias razões, algumas inexplicáveis; é um sistema apinhada de recursos e recursos de recusos, que nem sempre deixa na cadeia quem a merece. 

O juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba precisa de nosso apoio. A luta contra a maior organização criminosa é também nossa. 

Se existe, hoje, um nome de esperança para o brasileiro, este, sem dúvida, é o de Sergio Moro.

 

 

 

Corrupção - Sergio Moro

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