logo
barraCinza
barraBranca

Minha mãe, Maria Tereza

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Minha mãe, Maria Tereza

 

O 8 de setembro na minha família tem um significado específico. É o dia do aniversário de minha mãe. Ela nasceu quando o meu avô estava iniciando a sua ascendente carreira política e o Brasil se encontrava em plena transição de um longo período da ditadura getulista a um governo de abertura democrática.

 

 

Uma vida cheia de lembranças

 

Um aniversário é uma oportunidade para a gente mexer com as lembranças do aniversariante.  Em todos nós as lembranças mais remotas estão na infância e na adolescência. Eu  imagino a minha mãe no Rio de Janeiro nos anos de 1950, uma mocinha, na sua adolescência, vivendo o tempo mais glamoroso da Cidade Maravilhosa.  Ela viveu essa década ali porque o seu pai fora eleito deputado federal e o Rio era a capital do Brasil. A sua escolaridade começou ali no Jardim de Infância do Colégio Coração Eucarístico, localizado na mesma rua onde meus avós foram residir, na rua Paissandu. Uma rua muito bonita, arborizada e charmosa, constituindo um elo com a Praia do Flamengo. Sim, ela viveu a década inteira no templo do glamour, o verdadeiro centro do Brasil, das lojas de grife, dos desfiles de moda, dos concursos de miss Brasil, dos grandes cinemas. 

Uma foto atual da rua Paissandu.

 

O ritmo urbano da metrópole era de alegria, uma alegria segura, sem o temor de assaltos, sem o tráfico de drogas, a alegria do samba em compasso de marcha, dos belos carnavais de salão. A praia de Copacabana com seu encanto atraia americanos e europeus, que se misturavam fraternalmente em suas areias com os cariocas e outros brasileiros. Cidade que viveu o ápice de sua alegria, em 1958, quando a Seleção Brasileira retornou da Suécia com a conquista da primeira Copa do Mundo. O país explodiu em lágrimas – desta vez, de euforia. Enquanto centenas de milhares de pessoas saíam às ruas num carnaval improvisado, que tinha público presente desde o aeroporto até o Palácio do Catete, onde o presidente Juscelino Kubitschek estava esperando no palanque feito pela revista O Cruzeiro.

 

O Rio de Janeiro era o centro do Brasil  onde a minha mãe viveu a década inteirinha. Ali o meu avô a levou ao Palácio Tiradentes, sede da Câmara Federal, para conhecer o seu local de trabalho. Lembrando que ele era deputado federal. 

Palácio Tiradentes que até 1962 foi sede da Câmara dos Deputados Federais 

Minha mãe no interior do Palácio Tiradentes. Seu pai na ocasião era deputado federal (Hermes Pereira de Souza).

 

 

No livro sobre o meu avô, a mãe lembra que o Rio era uma cidade calma e limpa, boa para morar e segura para passear. Um dos pontos preferidos era a Barra da Tijuca. "Lá, comíamos o churrasquinho, aquele espetinho com carne acompanhado de suco de cana. Entre as diversões mais comuns estava o cinema. Lembro os filmes de Oscarito com o Grande Otelo. Lembro também das visitas à Cinelândia,... mas, lembro muito bem o meu pai e os seus amigos, Nestor Jost, Tarso Dutra, Godoy Ilha, Daniel Faraco e outros gaúchos que também haviam sido eleitos deputados federais. Era comum o churrasco entre eles", contou ela.

Um instante significativo na vida da minha mãe, foi o do abraço do presidente Juscelino, quando foi levada por meu avô em um evento oficial. Tudo isso são passagens extraordinárias que merecem ser lembradas.

Minha mãe abraçada pelo presidente Juscelino sob o sorriso do meu avô.

 

Nem todos  gostam de lembrar o passado. Mas eu acho que são pedaços de vida que são revividos. Ainda mais, quando há uma fartura de belas lembranças, como as que descrevi. E elas precisam ser contadas e recontadas com todas as suas contingências. Eu adoro essas histórias, porque, na verdade, elas têm um elo comigo através de minha mãe.  

 

 

Minha mãe, meu orgulho

 

Nem sempre, na vida doméstica, a gente demonstra ou consegue demonstrar os verdadeiros sentimentos. Mas a ocasião desse texto me permite manifestar a minha demonstração a ela, fazendo-a saber o quanto ela me orgulha e o quanto me sinto feliz em ser a sua filha.

Há motivos suficientes para esse orgulho. Apesar de seu ar de durona e cara fechada, por trás dessa aparência há uma pessoa de imensas virtudes: retidão, seriedade, cumpridora de palavra e muito justa. Essas virtudes, que a primeira vista, não se percebem, somente são notados com o tempo. Disso sou testemunha e me sinto no dever de divulgar e exaltar a sua pessoa, não apenas como minha mãe, mas como um grande ser humano, uma grande mulher. Pois são incontáveis as situações nas quais ela me aliviou de várias provações e incertezas. Esteve ao meu lado e me amparou. Sua força não está nas palavras, ela as limita e as segura dentro de si. Sua força está na atitude. Ela faz as coisas acontecerem. Ela as executa. Ela resolve.

É dela também que recebo o estímulo artístico. Como o seu olhar observador ela consegue distinguir o valor de um bom trabalho artístico. Um legado que ela me passou, por ser uma grande incentivadora cultural. E esse legado o traduzi ao criar a EXCLUSIVE Brasil Mundo, uma empresa voltada à arte da escrita: revistas, livros, matérias em site. Assim, ambas fazemos dessa empresa uma família. E com orgulho posso dizer que estou em véspera de publicar um livro voltado à história e à reflexão sobre as guerras no mundo, tendo por viés, o icônico Dia D, da Segunda Guerra Mundial.  

Há uma frase que eu li: "Se temos a possibilidade de tornar mais feliz e mais sereno um ser humano, devemos fazê-lo sempre". Aplico a ela a essência da afirmação, porque não é de sua índole ficar patinando em cima de lamúrias. Seu ditame é sempre: "Vamos dar a volta por cima". Como afirmei antes. Sua característica está na atitude. E uma atitude que gere benefícios aos outros. 

Sinto-me muito feliz por dispor dessa circunstância para dizer essas palavras, hoje, aqui, neste lugar, em presença de suas amigas e pessoas queridas, que eu chamo de pequeno círculo das pessoas sagradas da Maria Tereza.

Para reforçar esse sentimento, lembro a poesia da jornalista e escritora Maria Helena Gouveia, que dedicou à sua mãe e da qual vou me valer para usar os seus versos e endereçá-los à minha mãe, o meu maior orgulho. 

 

Mãe, quem é você?

 

Mãe, quem é você? Se estou feliz, quantas vezes te esqueço; se estou triste, quantas vezes te procuro.

Mãe, quem é você, que eu critico, de quem eu exijo coisas tão pequenas para satisfazer a minha comodidade, mas a quem peço a maior ajuda nos instantes mais difíceis?

Mãe, quem é você, para quem eu tantas vezes esqueço o meu carinho, e de quem exijo tanta atenção?

Mãe, quem é você, com que discuto e para quem peço conselhos? Mãe, quem é você, para quem reclamo sempre, e para quem guardo o abraço maior e a maior ternura.

Mãe, eu sei,

Você só é... AMOR.

 

DO ÁLBUM DE FAMÍLIA

Maria Tereza e suas amigas no dia em que lancei a biografia do meu avô na Feira do Livro em Porto Alegre.

 

Maria Tereza em Nova York ao lado de sua neta, minha filha, Camila.

Maria Tereza no meio de Pamela (neta, à esquerda) e Themis (direita).

Maria Tereza e as netas. Maria Tereza e a filha.

Maria Tereza e a neta Camila. 

família - Maria Tereza

institucional anuncie contato