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Olimpíada, surpresas e festas

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

Os jogos olímpicos estão aí. Entram em nossas casas pelos canais em alta definição, com recursos tecnológicos, que enfatizam os pequenos detalhes de uma ação. A abertura foi bonita e repercutiu positivamente. E sempre há algo para contar sobre o que se viu. Achei oportuno dar o título a essa matéria de Olimpíada, surpresas e festas.

 

 

 

 

Desde pequena adoro o esporte. Meu pai sempre me incentivou ao esporte: natação, corrida, ciclismo e vela. Esportes que ele amava e praticava. Em 1995 chegou a participar da regata do Rei da Espanha,  na ilha de Maiorca,  com um grupo do Veleiros do Sul e, em 2014, com mais de 60 anos, decidiu enfrentar o Caminho de Santiago. Influenciada por ele, quando eu tinha 20 anos, resolvi correr de Canavieiras à Praia Brava. E durante toda a minha gravidez, quando estava esperando a Pamela, fazia minhas corridas de forma assídua.  Foi uma experiência e tanto.

Aprendi que o esporte é uma profilaxia. Ele faz bem a todos os que o praticam. Ele é a antítese do sedentarismo, que, ao contrário, faz mal a todos. Sendo assim, sempre quando posso incentivar a prática esportiva, eu a faço.

A Olimpíada no Rio de Janeiro deve servir de incentivo ao esporte. Deve ajudar a tirar as crianças da frente de um monitor praticando jogos eletrônicos. Deve instigar às pessoas jovens a pedalar uma bicicleta. A correr atrás de uma bola. A erguer um peso. A escalar um obstáculo.

Acho oportuno transcrever um comentário no facebook, compartilhado por Gustavo Raffa, citando Matheus Vasconcelos: "... o esporte é uma espécie de método preventivo, tanto para a saúde, quanto para a segurança pública. Ele é uma espécie de salva-vidas. Graças a ele milhões de pessoas são salvas anualmente... (...)   Penso que o dinheiro gasto no jogos olímpicos é necessário. É um investimento na prevenção. Se as pessoas se dessem conta do quanto o esporte faz milagres, o praticariam mil vezes".

Entendo o autor e concordo com ele. Claro, as críticas sobejas à Olimpíada no Rio de Janeiro não são contra o esporte. Mas contra o superfaturamente das obras, onde há indícios de desvios de dinheiro público, que poderia servir para construir centenas e milhares de quadras em escolas públicas por esse Brasil a fora.

Mas fiquei muito decepcionada ao ler uma matéria no jornal O Globo, que no Brasil, em cada dez escolas públicas, seis não têm quadras. E isso, quem sabe, ajuda a explicar o nosso escasso número de medalhas.

Acompanho a Olimpíada, é sem dúvida o maior evento esportivo mundial. Há, porém, um detalhe que não pode ser esquecido: a grande diversidade cultural dos países representados na competição. De repente, ao longo das jogos, a gente vê imagens inusitadas. Refiro-me ao vôlei de praia feminino, quando jogaram as egípcias contra as alemãs. A egípcia Elgobashy, de 19 anos, em lugar de biquíni, estava vestida com calça e hijab (véu sobre a cabeça). Por que esse paradoxo?  Porque ela é muçulmana e procura seguir os preceitos da religião. 

Parece que a garota não se importou com o desconforto provocado pelo calor sob aquelas vestes, além da infiltração de areia e de dificultar um bom desempenho. Um verdadeiro contra-senso ao esporte que chancela a categoria vôlei de praia. As duas atletas perderam para as alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst, mas deixaram imagens impressionantes para dois bilhões de telespectadores.

A jogadora egípcia de calça e hijab (véu sobre a cabeça)

 

A Olimpíada tem isso: diversidade cultural, embora, durante a competição a regras valerem para todos. Destaco que nesse jogo a atitude do Comitê Olímpico, que admitiu a quebra do uniforme e permitiu à jovem muçulmana atuar dentro de sua prescrição religiosa.

Outro destaque desta Olimpíada é a presença de uma equipe de refugiados. Uma atleta em especial chamou atenção na primeira bateria das eliminatórias dos 100m borboleta. A síria Yusra Mardini deixou para trás outras quatro adversárias que estavam na piscina e fechou a prova com o tempo de 1 minuto, 9 segundos e 21 centésimos.

Segundo o portal EBC: " A nadadora na Síria, disputou o campeonato mundial de 2012, teve que fugir do país pelo mar por causa dos conflitos no Oriente Médio. Em uma parte da viagem, o barco em que ela estava virou e ela teve que nadar até que o socorro viesse a buscar. Nesta semana, ela falou sobre o episódio e fez um paralelo com as Olimpíadas" .— “Eu nadei para sobreviver quando meu barco virou na ida para a Alemanha (que a acolheu). Hoje, a natação é que salva a minha vida e me dá a oportunidade de representar não só a bandeira olímpica como o mundo todo”, conta Yusra.

Yusra Mardini

 

No decorrer da Olimpíada, lamento alguns aspectos, o hábito de vaia da torcida brasileira, fato destacado negativamente pela imprensa internacional. A precariedade dos serviços na Vila Olímpica. Os locais que vendem comida e bebida além de insuficientes, geram longas e demoradas filas. Quando chega a vez dos últimos da fila, a provisão se esgotou.

Em relação aos esportes, a maioria dos resultados são ruins para o Brasil. O segundo empate consecutivo da nossa seleção, sem ter marcado um gol, sequer, resultou em alguns memes pelas redes sociais e repercussão negativa pelo mundo. Alguns jornais, entre eles, o alemão Die Welt, com muito cuidado aventa a decadência do futebol brasileiro, citando a Copa do Mundo, a Copa América e o risco de não se classificar para a próxima Copa do Mundo.

Um meme na internet ironizando a indignação de Cristo com a seleção brasileira de futebol

 

Tenho a impressão que para muitos brasileiros, os jogos olímpicos são uma grande festa. E, de fato são. O Rio de Janeiro vive um grande clima internacional, uma grande diversidade de línguas.  Muitos estrangeiros curtem muito a vida noturna carioca e se espantam com o número de boates.

Em relação a isso, transcrevo aqui um trecho do blog de Humberto Dantas:

"O Rio de Janeiro é festa. Se as medalhas virão aos montes? Eu duvido. O país não investe no longo prazo. Sabe fazer festa, mas falha estrutural e psicologicamente em termos esportivos. Paciência. Isso é tema pra tese, e nosso espaço aqui olha pras cidades e não para os esportistas".

Sem dúvida, o Rio de Janeiro continua lindo com mais de 20 mil soldados e um exército de seguranças, além da inteligência internacional em todos os setores do parque. Por enquanto a festa continua. O problema começa para os cariocas, quando a festa terminar e os soldados se retirarem.

Olimpíada - Rio de Janeiro

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