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Desdém ao amor ou brevidade das paixões?

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Desdém ao amor ou brevidade das paixões?

 

 

Namoro, casamento, briga de casal, separação e divórcio são temas universais. Li na semana passada uma matéria na qual o autor escreveu sobre o desdém ao amor, insinuando um tipo de apocalipse sobre a vida a dois.  É um assunto bastante amplo e remete a muitas deduções. Tudo depende do sentido que as pessoas dão à palavra amor. 

O texto dá a entender que o amor lírico, hoje, está perdendo espaço.

Não sei se isso é apenas uma característica atual. O "esfriamento" amoroso entre casais, na verdade, sempre existiu. Mas há algo que mudou muito na vida a dois, a rotina diária para quem reside em um grande centro urbano. O deslocamento ao trabalho, o enfrentamento do trânsito, o retorno para casa depois de um dia estafante, às vezes, é um dano à sanidade mental, ao convívio social e ao convívio dentro de casa. Além disso, o ambiente de trabalho de cada um constitui mundo um distinto. Mundos que aos poucos começam a abrir diferenças pessoais. Os interesses e valores comuns ficam para trás. E o que era unidade se torna diversidade. O mundo ideal cultivado na fase de aproximação, inflaciona em abraços, em beijinhos e beijos, em palavras doces e apreciativas. O jardim de rosas douradas desbota, resseca e vive sob ameaça.

Olhando por um outro ponto de vista, mais direto, o que se verifica num estágio assim é que aquela atração motivadora inicial, que inspirava acenos românticos, troca de agrados, gestos de mútua admiração, se volatilizaram.  De repente, a vida de duas pessoas que se juraram amar eternamente, de forma lenta e quase imperceptível, caiu em desdém. Entre as causas, uma delas é a negligência cotidiana de cultivar diariamente os pequenos gestos de cortesia e de agrado à pessoa companheira.

A vida amorosa romântica pode ser uma das maiores ilusões, quando projetada para durar para sempre. O italiano Francesco Alberoni fala aos que se juram um amor eterno: "Não se pode entrar no Jardim do Éden e se fechar dentro dele... porque o amor não é uma conquista definitiva e selada. Ele é um contínuo morrer e renascer". 

A estabilidade do amor entre duas pessoas depende de um interesse mútuo. Basta uma parte esmorecer, desinteressar-se, para romper esse vínculo tecido com fios de ouro. É assim que duas pessoas — cada uma extraordinária aos olhos da outra — acabam entrando em uma terra comum. O ser único e insubstituível — não se sabe o dia nem a hora — perdeu seus atributos e já não vibra mais as delicadas cordas do coração.

Para fundamentar esse raciocínio cito literalmente um fato noticiado pela imprensa tempos atrás. "Depois de quinze meses de (aparente) pura felicidade, com viagens e declarações de amor nas redes sociais, o casal-conto-de-fadas Taylor Swift e Calvin Harris chegou ao fim. Segundo fontes do site da revista People, a cantora e o DJ terminaram o namoro".

A bela cantora Taylor Swift é recorrente em troca de namorados. A sua biografia traça o perfil de alguém sempre a explorar novos caminhos e neles  encontrar um novo candidato para   jurar um amor que não acaba. Assim ela o fez com Harry Styles e John Mayer e outros e outros. Quando tinha 18 anos, ela teve um breve relacionamento com Joe Jonas, da banda Jonas Brothers, que durou de julho a outubro de 2008. Ele rompeu com ela num telefonema de 27 segundos, então ela escreveu a música Forever & Always para ele. Pelo menos, os seus fãs ganharam com isso. Para cada um dos seus namorados dispensados, ela se inspirava e compunha uma canção.

Taylor Swift 

 

Taylor Swift é uma eterna apaixonada. Mas sua paixão tem tiro curto. Seus namorados são como a coruja de Minerva, o crepúsculo deles já está no amanhecer. Nas brumas do presente, Taylor vive os ciclos de seus ciclos de paixão. Ciclos breves. O novo namorado não dura muito. Cedo cai em desdém. E cada novo namoro que ela inicia, a talentosa mocinha, com certeza, deve sentir uma sensação divina, como iniciam os grandes mitos religiosos, com direito a muitos êxtases.

E pelo que se sabe, ela é feliz. Está de bem consigo. Gosta da vida que leva. Acumulou prêmios e fez fortuna. Graças aos seus múltiplos talentos: cantora, compositora, instrumentista, produtora musical e atriz. Desde 2007, Swift já recebeu mais de 150 indicações e ganhou mais de 100 prêmios. 

 

Fantasia da pessoa amada

Todos nós sabemos criar um universo de fantasia e fazemos da pessoa amada a única da terra. Nossa vida sensorial se expande e já não caminhamos mais com os pés sobre a terra, simplesmente flutuamos. Mas quantas e quantas vezes, a realidade nos acorda e tudo se dissolve como se fosse espuma.

Nisso tudo acho que o Soneto de Fidelidade de Vinicius de Moraes tem uma das mais sábias afirmações: "... que (a paixão) seja infinita enquanto dure".

Paixão é uma tempestade com raios e trovões. Arrasa. Deixa rastos de estragos. Desdenha as suas vítimas.

Amor? Bem... amor é outra coisa bem diferente!

 

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