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A metáfora da insanidade

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Terrorismo, metáfora da insanidade

Entrada de Saint-Etienne-du-Rouvray, Normandia, França

 

Recentemente um nicho de astrólogos, numerólogos, cartomantes, previram que há muitas coisas boas para acontecer no mundo. Como sempre, um mix de relativismos. Parece que o otimismo das estrelas, dos números e das cartas errou feio. Na verdade, não vamos culpar os planetas, os números nem o baralho, porque o problema não está neles, mas nos que os manipulam.

As notícias quase diárias sobre os ataques terroristas estão colocando uma inquietação a mais sobre uma inquietação já existente. A Europa é o alvo preferido para a apoplexia das mentes insanas com suas justificativas metafísicas.

O ataque feito por terroristas do Estado Islâmico no dia 7 de janeiro de 2015 à sede do jornal satírico “Charlie Hebdo”, em Paris, matando 12 pessoas e deixando 11 feridas, e o atropelamento arquitetado por um terrorista do EI em Nice, no dia 14 de julho de 2016, que resultou na morte de 84 pessoas com mais de 300 feridos, chocaram o país.

Mas dessa última data, aconteceram várias atentados na Alemanha, onde há cerca de um milhão de imigrantes, a maioria chancelados como refugiados.

Enquanto isso, na França, repercute o degolamento do padre em Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, entraram numa igreja, fizeram refém o padre Jacques Hamel, 86 anos. Era auxiliar da igreja e exercia o sacerdócio desde 1958.

 Padre Jacques Hamel, 86 anos, degolado pelos terroristas

 

Percebe-se nessas últimas semanas que o terrorismo está adotando uma nova tática: o ataque velado, sutil, calculado, em pequena escala, já que os sistemas de segurança estão alertados. Mesmo com um pequeno número de vítimas, os ingredientes bárbaros. Atingem sempre pessoas inocentes. Conseguem com isso criar um estado geral de medo entre a população. Conseguem perverter pequenos lugares, pacatos, bucólicos e seguros em lugares desconfiados e inseguros, como foi com a pequena cidade de Saint-Etinne-du-Rouvray, 28 mil habitantes, próximo a Rouen.

Local de apresentações públicas em uma das principais praças de Saint-Etienne-du-Rouvray.

Residência típica Saint-Etienne-du-Rouvray com sua cerquinha Branca.

 

Conheço na Normandia várias cidades com essa característica, entre elas, destaco a cidade de Bayeux, onde estive hospedada várias vezes com a minha equipe. Seus habitantes gozam docemente a beleza daquela tranquilidade onde as pessoas caminham nas ruas como se estivessem dentro de suas casas. Mas esses belos paraísos estão acabando. O terrorismo atual está conseguindo infernizar os últimos paraísos do mundo.

Sou totalmente a favor de um combate ostensivo e sistemático a esse flagelo de insanidade mental. Afinal, todos nós somos vítimas potenciais.

E o Brasil que se cuide nos jogos olímpicos. Nossa segurança é frágil, nossa organização é precária e nossa fama de corrupção é inevitável entre as delegações.

Lamentamos por tudo isso. Lamentamos pela metáfora da insanidade da qual não estamos isentos.

 

Crédito fotográfico: Google Street Maps.

 

 

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