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E Agora? ...

E agora?

 

O Natal passou! O Ano Novo passou! O carnaval passou! As férias passaram!

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

                                  Refletindo sobre os ciclos da vida

 

 

As datas chegam e se vão. Os ciclos giram. O tempo anda. O fevereiro está no fim. O horário de verão terminou.  Março se aproxima e com ele o outono.

E agora?

Tudo se repitirá? Tudo será igual? 

Emoções indefiníveis me agitam. Fico pensando, pensando. Nesse vai e vem de ideias, lembro músicas, lembro poemas. Lembro uma estrofe de Cazuza: / Eu vejo o futuro repetir o passado/ Eu vejo um museu de grandes novidades/ O tempo não para/ Não para não, não para.

E, de certa forma, essa inquietação de Cazuza descobre uma parceria com um dos mais filosóficos poemas de Carlos Drummond de Andrade: E agora, José?/ A festa acabou,/ a luz apagou,/ o povo sumiu,/ a noite esfriou,/... e agora, José?/...

Ambos os textos são especulativos. Ambas versam sobre o passado, o presente, o futuro. O  poema de Drummond começa com uma pergunta intimatória: E agora José? Em seguida, aparece uma sequência de afirmações no pretérito perfeito do indicativo — A festa acabou, a luz apagou... etc. Afirmações bem conclusivas: a festa, a luz, o povo, a noite ... tudo passou.

O poeta está inquirindo o José. E agora? Afirma que não há mais nada ali. O que era bom terminou.

Acho emocionantes os dois textos e me permito a usá-los como uma ponte para essa travessia, que nós brasileiros, devido a cultura de nosso calendário, parecemos perplexos quando o março chega e nos parece sacudir com o grito: Acordem! Agora é hora de voltar à realidade. É hora da rotina, do cotidiano, do trabalho, do trânsito, do congestionamento, da poluição, da irritação, do cansaço.

É por isso que comecei a crônica com o título, parodiando Drummond:

E agora? O Natal passou! O Ano Novo passou! O carnaval passou! As férias escolares passaram!

Essa indagação tem valor indistinto. Cada um por si pode pessoalizar a pergunta: E, agora, José? E agora fulano? E agora sicrano?

Agora, outro ciclo começa!

Teus desafios estão aí, meus também. É hora de recomeçar. Mas tenho uma certeza. O desafio de recomeço, resguardando proporções, tem as suas nuanças específicas na profundeza da alma de cada um, onde habitam os segredos, os mistérios, as inquietações. E também as esperanças. 

Todo o recomeço depende em boa parte da gente. Não temos senhorio sobre o imprevisível. Nem sobre o inevitável. Temos sim, o poder e a responsabilidade sobre o que está ao alcance de nossas mãos. Mas requer de nossa ação. Nosso esforço. Nosso trabalho. Nossas renúncias.

 

 

 

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