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Camila, nós duas temos muito a recordar

Camila, nós duas temos muito a recordar

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

O aniversário de uma filha, querendo ou não, para uma mãe é sempre um acontecimento que envolve emoção e apelos à memória. E, me desculpem, não adianta dizer que todos os aniversários são iguais. Num aniversário a nostalgia cede lugar a mil recordações.

Um aniversário sempre se relaciona com o tempo. O tempo que passou, ou melhor, uma determinada etapa dele. Mas o calendário é uma convenção. Ele é artificial. A passagem do tempo, não. Ela é absolutamente natural e faz parte de um andamento em ritmo irreversível. Portanto, uma jovem que aniversaria já tem outro rosto, outra altura, outra desenvoltura. Tem outro vocabulário e tem outros gostos. Enfim, física e psicologicamente, as mudanças aconteceram, acontecem e acontecerão. Logo, seus pequenos mundos não são mais os mesmos. E, acho que para todas as mães, pelo menos para mim é assim, quando percebo essa transformação, vem a necessidade angustiosa de rever coisas do baú. Apelamos ao álbum de fotografias para rever foto por foto e, de repente, lá encontramos uma que nos acelera mais o coração. Reviramos coisas guardadas para achar algum brinquedo sobrevivente. Queremos a sua personalidade nos mínimos detalhes do seu ser.

 

Essa índole de Peter Pan se amotina, principalmente, no dia do aniversário. Esse sentimento sutil e disfarçado de querer ver os nossos filhos sempre crianças é teimoso e persistente dentro do nosso coração de mãe. E, talvez, por causa disso apelamos tanto às lembranças. E eu tenho muitas e muitas lembranças da Camila.

Lembro-me o dia do seu primeiro aninho, do segundo, do terceiro e por aí vai. Lembro-me a hora de ternura do recolhimento, ao fazê-la dormir. O mundo dela e o meu mundo se comungavam. Eu me sentia no mundo da maternidade em seus momentos de ternura profunda. Aquele sentimento intenso de reconciliação, de harmonia e paz. Um sentimento puro, sublime, que parece brotar de algum paraíso desconhecido.

Camila com um ano. Outra foto (Camila à esquerda) na Holanda ao lado da Pamela e da avó Maria Tereza

Recordar, recordar sempre. E as mães se tornam repetitivas na recordação. Eu me torno repetitiva e vou copiar aqui algumas linhas que escrevi no ano passado: “Lembro  que foi no meio da semana, uma quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004, na plenitude do verão de Porto Alegre, que diante das circunstâncias me dirigi sozinha ao Hospital Moinhos de Vento. A pressa foi tanta que esqueci a mala de roupas, que já estava preparada a algum tempo. O som do seu primeiro choro ainda ecoa dentro de mim. Ele compensou o cansaço e a fadiga do parto.  Era um som fraquinho, uma voz sumida, que de forma frágil, a Camila,  parecia anunciar ao mundo a sua vinda para que este abrisse o seu caminho para que pudesse respirar a liberdade, o ar, o sol, o espaço infinito com os seus desafios. Um choro frágil que ao mesmo tempo era poderoso para me enternecer. Era a entrada de uma vida, uma vida que se estendia a partir de mim”.

Para homenagear o seu nascimento vou pedir emprestado alguns versos da poesia de Vera Souza Silva:

Minha bebê pequenina
Que nasceste de mim!
Não há outro amor no Mundo 
Como um amor assim! 

És tudo o que sempre sonhei, 
Tudo o que sempre quis. 
Não há amor maior, 
Nem que me deixe tão feliz! 


Os teus cabelinhos ralos

Iluminam o meu dia! 

Os teus olhos, tão castanhos, 

Enchem meu coração de alegria! 
 

Quanto mais profundo o apego entre mãe e filha, mais dolorida é cada separação: seja de uma noite, seja de uma semana. É o que está acontecendo nesse aniversário. Eu estou em Porto Alegre e ela está nos Estados Unidos em viagem.

Quem tem mais vínculos, tem mais apego, tem mais risco de dor na hora da separação. A passagem do tempo tem em si esse efeito perturbador. Por isso, como é precioso o momento de estar junto. Valor que se percebe sobremaneira nos dias de ausência.

Camila, a tua mãe, que te ama muito, mesmo a milhares de quilômetros te deseja um feliz aniversário. Deseja que aproveites cada instante e sorvas cada minuto para armazená-los para as recordares daqui a alguns anos.

E quero que guardes para ti esta pequena frase da escritora Geord Sand: “Recordação é o perfume da alma. É a parte mais delicada e mais suave do coração, que se desprende para abraçar outro coração e segui-lo por toda a parte!”

 

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