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O vídeo que me comoveu

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Há uma razão muito simples, eu me identifiquei com o tema musical, que trata sobre o bullying.  Quando menina estudava no Anchieta (Porto Alegre) e tive que trocar de escola. Fui estudar no IPA, por causa do Bullying que sofria naquela escola.

 

 

Há um vídeo no YouTube com mais de 1 milhão e 600 mil acessos. Trata de um rap (aquele discurso rítmico com rimas e poesias),  composto e cantado por um menino num programa de televisão não identificado. O que empolga é a originalidade da letra criada por ele, que conta a história de sua experiência de vida. A ideia central é o bullying. Sofreu escárnio e apanhava dos colegas na escola, precisando, inclusive, trocar de educandário.

O garoto (nome que o vídeo também não identifica), sublima o problema com o rap. Faz com esse gesto público, naquele auditório, um desabafo e uma libertação do peso que o reprime. O menino consegue impressionar  o público de tal maneira, que começa a aplaudi-lo em pé, pedindo e gritando para que a mesa dos jurados aperte o botão (o que significaria aprovação plena dos jurados).

Este vídeo me comoveu e para reforçar a emoção, ele me amoleceu.....

Há uma razão muito simples, eu me identifiquei com o tema musical, que trata sobre o bullyng.  Quando menina tive que trocar de escola. Fui, então, estudar no IPA, por causa da discriminação que sofria naquela escola.

O bullyng é um tipo de monstro invisível, frio, depressivo e destrutivo. Ele, aos poucos, vai minando e retaliando a personalidade da vítima. Consegue desintegrar a pessoa. Destrói a sua autoestima.

Com a autoestima enfraquecida surgem na vítima outros sintomas: o medo e a incapacidade de opinar. O receio de falar. O medo de aparecer em público. Abrindo, assim, as portas ao isolamento. Dependendo de seu grau de fragilidade, o bullying pode levar a atitudes extremas.

O bullyng é a causa de centenas e milhares de crianças e adolescentes nunca crescerem — não fisicamente, mas psicologicamente. Não conseguem se livrar das amarras do complexo de inferioridade. Ficam incapazes de encarar os sentimentos e as responsabilidades dos adultos. Distante de sua verdadeira pessoa, escondem-se atrás de máscaras, vivendo repletos de sentimentos vazios e de solidão. Lutam sofregamente para esconder suas fraquezas dos outros. Seu perfil social e psicológico estacionado numa situação de permanente dependência.

Passei tudo isso. Tive a experiência de transitar numa terra deserta e estéril, andando com os meus vazios. Andando com os meus sentimentos de rejeição. Estava condenada a uma cadeira cativa dos rejeitados. Carregar a autoimagem negativa leva à depressão. Crescer assim foi algo assustador.

Mas meu grau de resistência foi grande. Fiz dos livros o meu retiro. Eles foram o meu refúgio. Havia neles um mundo que me acolhia e me oferecia a mão amiga de amparo. E com isso consegui superar as sombras da infância e da adolescência. A cultura, a arte e a leitura, precisamente os livros tornaram-se os alicerces da minha vida. E, com certeza, foi por essas motivações que criei, na vida adulta, a minha empresa, hoje uma editora. Consegui editar revistas e livros. Este é o meu mundo, que amo e onde me sinto bem. Um mundo ao qual me dedico inteira. Um mundo, contudo, que também me cobra trabalho, sacrifícios e até críticas.

Seja como for, este é o meu mundo. É a minha realidade, que não camuflo nem escondo. E com essa pequena história, compartilho com todos aqueles que em sua infância sofreram um bullyng. Uma pequena história que decidi escrever a partir daquele vídeo.

Olhem  o vídeo e a minha história crescerá no seu significado. 

Bullyng - Infância

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