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Sobre literatura e hábito de leitura

Sobre literatura e hábito de leitura

 

Não se faz literatura sem transpiração

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

Menção honrosa em São Borja pelo livro sobre Hermes Pereira de Souza 

 

Tenho o privilégio de falar de algo que amo. Literatura, leitura e, claro, de livros. Os três juntos fecham um círculo, porque os três se interdependem. Para Mario Vargas Llosa, escritor, jornalista e ensaísta peruano, agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2010, afirma que para alguém produzir literatura é preciso ler. A afirmação parece bastante óbvia ou simplificada. Mas não é. Não existe nenhuma fórmula mágica. Quando Llosa diz ler, ele pressupõe, ler muito! Ler, ler e ler.

Ter o hábito da leitura e se entreter com ela: ler é seu vício bem na acepção desta palavra: uma dependência física ou psicológica que faz alguém buscar o consumo excessivo. Um vício que, porém, pode fazer uma pessoa, por sua vez, produzir textos. Isso não significa produzir uma obra de sucesso instantâneo. Mas significa se exercitar para escrever bons textos. Textos com o emprego correto das palavras. Formas rebuscadas usadas à toa, por exemplo, na redação de uma notícia podem dar a impressão de falta de clareza no raciocínio ou boçalidade. Um bom texto informativo deve ser didático. Claro. Deve economizar adjetivos e superlativos.

Vocês devem ter percebido que empreguei um direcionamento de um texto característico: o informativo. O texto informativo elucida e esclarece o leitor sobre o tema em questão. Há textos informativos sobre automóveis, aviões, pessoas, animais, por exemplo, com características e informações sobre doenças, sobre tratamento. O bom jornalista precisa produzir bons textos claros para que o mais simples dos leitores entenda. O texto claro transmite a realidade de forma objetiva e permite o entendimento. O texto informativo pode acompanhar imagens, ilustrações, isso no entanto, depende da habilidade do autor.

Texto literário é um pouco diferente. Não significa que ele deva ser complicado. Uma de suas diferenças, ele produz imagens com as palavras. Muito mais. Produz uma cadeia de associações. Posso citar como exemplo, Hermann Hesse, que além da narrativa consegue abrir imagens em seus textos: “(Ela) deixou no coração um silêncio frio e na cabeça uma sensação de vertigem”. Falta o contexto da frase, mesmo assim, permite mostrar duas palavras, que ensejam a construção visual: ‘um silêncio frio`. O silêncio é ausência de ruído, barulho. O frio aqui é uma metáfora para vazio. O vazio é ausência de conteúdo. Algo que ficou desabitado. Ou seja, Hesse com a combinação de ambas as palavras consegue expressar um dolorido estado de espírito. Isso é literatura. Literatura não é apenas ficcional. Ela atinge de forma certeira os estados de nossa alma.

Os conceitos usados para o termo literatura são amplos e discutíveis. São relativos. Mas fica claro que um texto literário é algo diferente de um texto meramente informativo. Isso não significa que uma notícia, ou seja, a narrativa de um acontecimento não possa ser descrito literariamente. Ernest Hemingway, repórter e escritor (prêmios Pulitzer e Nobel), ao descrever o desembarque dos Aliados no Dia D: “Os soldados desciam como se fosse Atlas carregando o mundo sobre os ombros”. Uma notícia com arranjos literários, comparando os soldados com o mitológico Atlas (um dos titãs condenado por Zeus, deu-lhe o castigo de sustentar para sempre nos ombros o peso dos céu).

Logo, a literatura não é apenas exclusividade dos livros. A literatura pode estar presente em qualquer texto. Mas a imagem da metáfora sempre será privilégio da literatura. Ela é um dos elementos poéticos, que bem empregado, reforça o texto literário.

Detalhe importante

Para escrever bem é preciso transpirar. Escrever bem significa estudo permanente. Isto é, leitura. Muita leitura. Ser viciado em livros. Significa dedicação. Significa, na maioria dos casos, isolamento. Concentração.

“Quando estou trabalhando em um romance, me levanto às 4h da manhã e trabalho por cinco a seis horas. Força física é tão necessária quanto sensibilidade artística”, dizia o escritor japonês Haruki Murakami.

Não há literatura sem transpiração.

 

 

 

Preliminares na ponta dos dedos
 

Desde os primórdios, ou melhor, desde que se tem registro de seres humanos na Terra, por volta de 4,5 milhões de anos antes de Cristo, já que é com base nisso que encontramos fontes (ocidentais) sobre a história de nossos ancestrais, há registros de certa necessidade em expor, demonstrar, se comunicar ou apenas ver para que serviam aqueles primitivos objetos que os “homos” acabavam de criar, fosse uma “pedra lascada” ou já “polida”. Alguns devem ter ensaiado uns rabiscos, outros, umas pinturas mais elaboradas (eram ótimos artistas), mas, o fato é que foi por ali e por aqui que se deram os primeiros indícios da escrita. É claro que os que tinham mais o que fazer, deram um jeito, antes de inventar o fogo, de plantar mais umas arvorezinhas, através da simples observação de pássaros transpor tanto  sementes de um lugar para outro, que germinavam e davam origem a uma nova planta (os mais preguiçosos ou espertos tiveram a mesma constatação, ao jogar fora os caroços das frutinhas), e tantas e tantas espécies que os alimentava, ou , para não ficarem o tempo todo caçando, pescando e comendo outros seres, fossem eles herbívoros ou carnívoros. Isso, quando conseguiam né, pois vamos combinar que pegar um mamute de 13 toneladas com algumas pedrinhas pontudas disformes, não devia ser mole não.

Sempre  feito  à mão, tal qual uma jornalista  de vanguarda. Tive  as  preliminares  na ponta dos dedos, numa maquininha de escrever, a experiência de me vislumbrar com os próprios escritos; contos, crônicas e poesias...
Lembro-me bem quando me lancei aos encantos de escrever e quando comecei a falar de mim mesma. Uma coisa séria, certo, nada ficaria em mim. Talvez meus livros não tinham sido escritos senão atender meus vazios. Com o tempo e com toda a maturidade emprestei minha consciência ao meu público, a uma criança, talvez a uma jovem abandonada no fundo de um tempo perdido. Vi meus sonhos impressos em papel.
Minhas memórias, minha alma. Eu sempre estive decidida a empreender na cultura, na arte. Esta arte tão difícil! Doida, invisível, no qual desenhar-te sempre foi minha maior incógnita e de que não pude nunca desviar meu pensamento é toda esta minha inquietude que não me deixa em PAZ. A tal Liberdade! Meu primeiro impulso foi correr atrás de inúmeros livros de autores espetaculares. Até brinco que amo conversar com gente morta. Pois eles fazem parte deste DNA te tantos “EUS”.

 

 

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Estarei lá, esperando você, meu leitor!

 

 

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