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Lembrando aniversários da Pamela

 

Lembrando aniversários da Pamela

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

Já escrevi muito sobre pessoas. Escrevi também sobre as minhas filhas. E, cada vez mais, estou mais convencida de que nunca escrevemos o suficiente sobre as pessoas que amamos. Sempre parece faltar algo. Com certeza, o sentimento de mãe é uma força que transcende a outros anseios. O sentimento de mãe é uma força superior universal. Um sentimento também repleto de lembranças. Lembranças soterradas, que nos seguem a vida inteira, das quais não nos conseguimos livrar, mas que, em cada época, assumem versões diferentes, por reagirmos diferentemente na ação delas. Lembranças que se amotinam em momentos especiais como aniversários, natal e ano novo. Estes são eventos profundamente emocionais, acompanhados de lembranças. Lembranças, geralmente vêm carregadas de saudade. Assim, no aniversário recente da Pamela lembrei que a comemoração do primeiro aninho foi decorada com o tema sobre a pequena sereia. Mais tarde, ela começou a gostar da pequena sereia, do filme da Disney, que conta a história de uma linda princesa sereia que sonha em se tornar humana. Como toda a criança, quando gosta de algo, no caso um filme (um desenho), ela olha repetidas e repetidas vezes. E isso ficou marcado, talvez, muito mais para mim do que para ela. Virou uma lembrança profundamente sentida.

Pulo no tempo e vou até a festa dos seus 15 anos. Minha memória retrocede esse tempo. Ano em que eu estava grávida e o ano em que ela nasceu. E vem à minha mente o mundo musical daquele ano, que o Ricky Martin cantou "Maria", da trilha sonora de "Salsa e Merengue", no "Domingão do Faustão". O Skank lançou uma enxurrada de músicas, incluindo "Garota Nacional".  Kid Abelha, “Na Rua da Chuva”. Mas que também caiu um balde de água fria em cima da música brasileira, quando a banda Mamomas Assassinas perece num acidente aéreo. Os acordes de “Brasília Amarela” soaram durante semanas inteiras em quase todas as rádios brasileiras. O álbum lançado multiplicou as vendas póstumas. Neste mesmo ano, Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, morre aos 36 anos, vítima de Aids. Enquanto isso, a banda Charlie Brown Jr. trabalham duro para lançar o seu primeiro álbum no ano seguinte. Teve sucesso nas rádios e vendeu em torno de meio milhão de cópias.

Como gosto da música brasileira, acompanhava os sucessos musicais e curtia um pouco de cada banda, entre elas a Charlie Brown.

Neste contexto, em 25 de outubro nasceu a Pamela. Na verdade, foi a minha conjuntura. Uma conjuntura que se associa ao evento do seu nascimento. Um evento que, por sua vez, se associa a agregação de um pequeno ser humano à minha vida. Essa associação deixou uma marca. Eu praticamente cresci ouvindo Charlie Brown.  E, provavelmente, acabei influenciando a Pamela.

 

O tempo passou, e como toda a criança, a Pamela expandiu a sua personalidade, o seu espaço e os seus gostos. E, para a festa dos seus 15 anos, escolheu a animação de Charlie Brown Jr. Até hoje ouço muitos comentários sobre essa comemoração.

A expansão de uma pessoa chega ao ápice quando a pessoa procura o sentido do próprio destino. Hoje a Pamela toma suas decisões. O que não significa que as marcas do passado se evaporaram. Todas as pessoas têm uma historicização com os seus filhos. Para mim, a pequena sereia e Charlie Brown, até agora, são duas referências associativas a ela, em dois momentos distintos.

Concluo, que, mesmo quando nós não procuramos o passado, ele vem até nós. Ele se faz presente. Ele traz à tona aquilo que se incorporou em nossas vidas, principalmente, nas grandes datas festivas, e, sobremaneira, num aniversário.  

 

 

Pamela - Passagem do tempo

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