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Sobre o abraço

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Observei no domingo que passou, o crescimento da comemoração do Dia do Abraço. Achei interessante as várias manifestações nas redes sociais, que, hoje, constituem uma dinâmica tão rápida nunca sonhada entre as pessoas. 

Muitas frases tiradas da própria internet foram publicadas. Destaco uma da escritora Clarice Lispector: 

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."

 

Um abraço que ficou famoso no Brasil e no mundo nos anos 1960: do rei do futebol com o rei da Jovem Guarda, Pelé e Roberto Carlos.

 

A ideia do Dia do Abraço foi de um australiano, que em 2004, na rua Pitt Street Mall, em Sidney, passou a abraçar as pessoas que estavam passando. Isso foi num sábado, dia 22 de maio. Não tenho detalhes, mas posso imaginar, alguém de nós, a caminhar numa rua de nossa cidade, e, de repente, um desconhecido parado, se aproxima e nos abraça. E foi isso o que aconteceu naquele dia. A maioria das pessoas estranhou e não gostou dessa atitude considerada constrangedora. Foi preciso a polícia interferir.

Mas houve quem gostou. Quem achou interessante. E quem também justificou, por chamar atenção sobre a importância de um abraço. A ideia, porém, já tinha sido levantada nos anos 1950, com Wilhelm Reich, um psicanalista americano, natural da Ucrânia. Reich explorou as atitudes corporais cunhando a expressão "o corpo fala". Para ele o corpo fala tanto quanto a palavra: a expressão do rosto, o gesto, a posição do corpo.  Quando tristes, com raiva, nossa voz revela coisas que acreditamos secretas — nosso estado íntimo. A voz nos denuncia.

Segundo Reich, o corpo como a nossa identidade de vida é extremamente carente. Necessita de atenção, de aprovação e de carinho, muito carinho. O corpo quer ser acariciado. Este é o instinto primordial da mãe com o nenê e do nenê com a mãe. Ambos se tocam. Se acariciam. É o toque de vida. Piaget já afirmara em décadas anteriores: "Nada existe verdadeiramente que não tenha passado pelas mãos!" A percepção das coisas não basta ao olhar,  a percepção completa de um objeto precisa ser manipulada. O objeto pode ser duro, rústico, fofo,  liso, frio, quente, seco, molhado.

Nessa altura Reich lança seu axioma: "o corpo quer ser tocado por outro corpo. O corpo que ser sentido".  Quer ser tocado, acariciado... e abraçado. Reich chamou atenção sobre a terapia do abraço, sobre a suprema importância do toque carinhoso. Um abraço sincero, apertado, produz uma forte onda emocional que vai até o cérebro, até o sistema límbico. Isto vale também para os animais. O cãozinho e o gatinho no interior de nossa casa demonstra isso. Adora receber abraços, afagos e, também, responde, retribui com gestos peculiares.

 

Abraçar e ser abraçado faz parte de uma profunda carência humana. Receber um abraço significa — "gosto de você.... você é importante para mim!"  Há algo de universal quando falamos em abraço. ... é um dos mais simples e tocantes gestos de manifestação carinhosa.  É uma força que parte de uma pessoa para animar outra. O verdadeiro abraço tem uma energia que anima.

O abraço, contudo, não deve ser confundido com sexualidade. O abraço não é agarrar alguém. O abraço é uma saudação. É um ato de bem-querer. E por isso o seu valor social é alto.

Ele irradia carinho. Faz bem. Enriquece o relacionamento humano. 

 

 

abraço - Relações Humanas

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