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Uma folha de plátano

Uma folha de plátano

 

Por Themis Pereira de Souza Viana

 

Estava voltando de Gramado, descendo a rota romântica, quando uma folha de plátano, trazida pelo vento se fixou no parabrisa do carro. A folha era imensa com tons dourados. Seus contornos harmoniosos, lindos. Não resisti, peguei o celular e a fotografei. 

Chamo isso de um instante de pura poesia.  Um esplendor de revelação. Lembrei do filme Outono em Nova York estrelado por Richard Gere e  Winona Ryder. A história é profunda e muito humana tendo por cenário a cidade de Nova York durante o outono. Eu já estive lá várias vezes e lembro de como essa metrópole se veste de um vermelho dourado nessa estação do ano, criando um clima de aconchego e romantismo.

Fiquei impressionada comigo mesma, como uma simples folha, uma entre centenas que estavam voando naquelas curvas da BR-116 rodeada de plátanos, pudesse me impressionar tanto. Não só isso. Ela produziu associações a filmes, a telas, a poesia. Lembro que Claude Monet, certo dia, olhando para um pequeno lago perto de sua casa, impressionou-se com a proliferação de cores dos nenúfares que boiavam muito lentamente sobre a água. Este instante, foi para ele uma iluminação, um êxtase. Pegou uma tela e seus pincéis e começou a pintar uma de suas grandes obras, que receberia o nome daquelas flores aquáticas: Nenúfares. Monet tornou-se o mais puro representante impressionista e sua obra foi leiloada, recentemente na Sotheby´s, em Londres, por 26 milhões de euros.

Acredito muito nos pequenos detalhes. Às vezes imperceptíveis a grande maioria, eles podem desencadear uma obra-prima como aquele olhar de Monet no seu lago.

É claro que esta folha de outono não me fará pintar uma tela nem produzir um filme. Mas uma pequena e modesta crônica, sim!

Vi naquela folha de outono a efemeridade de todas as coisas. Aquela folha, no momento de se desprender da árvore, que a mantinha, perdeu-se totalmente. Tornou-se apenas um joguete ao vento, que a levava de um lugar ao outro, dependendo da intensidade que soprava, até cair no meu parabrisa.

Aquela folha não tinha mais utilidade. Cumpriu sua missão. Era apenas uma parte que precisava ceder o seu lugar. O que as demais também tiveram que fazer. O outono as colhia. O outono as despia das árvores, preparando-as para a estação seguinte, o inverno e este, preparava a primavera, quando o ciclo se renovava com o brotar de novas folhas.

Sim, uma simples folha de plátano é capaz de provocar profundas reflexões sobre o tempo, a vida,  a brevidade de todas as coisas e o ciclo de renovação.

Cada pequeno detalhe que encontramos em nossa vida tem um sentido próprio e único.  Detalhe que nos convida a parar. Pensar e, quem sabe, valorizar mais cada minuto presente.

Enfim, aquela folha de plátano, me motivou a escrever esta crônica e dividir esse instante de poesia com todos os leitores. 

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