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Dilma inocente, Lula honesto? Segundo quem?

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

 

Um adágio popular diz que o pior cego é aquele que tem "olho bom", mas não quer enxergar.  Isso deu para perceber nos militantes do partido oficial e seus agregados. Assim como Lula jurava em 2005 e 2006 da não existência do mensalão. Domingo à noite, algumas vozes de catequizados e beneficiados pelo erário real, queriam à força colocar uma aureola na cabeça da dama em questão.  Outras, na ausência de argumentos, execraram os militares, FHC e a elite capitalista branca pelos males do Brasil. Outros tentaram encobrir a dita senhora com a corrupção de Eduardo Cunha, aliás, uma boa estratégia sofista.

Na verdade, a origem dos acontecimentos de domingo vem desde o primeiro governo lulista, quando tudo era abafado, quando o mensalão comprou deputados e senadores para esconder a sujeira. A corrupção petista conseguiu criar um Congresso Nacional monocórdio. Conseguiu extinguir a oposição. E sem oposição não havia limites à lascívia oportunista daqueles que tinham a chave do cofre nas mãos. As festas, as bebedeiras, como na Roma decadente dos bacanais, eram justificadas como o novo Brasil.

Há algumas leis naturais que não podem ser desprezadas. A sujeira, quando muita, não cabe mais debaixo do tapete. Alguém precisa levá-la para algum lugar.

Vamos pular alguns anos e chegar a 2009. A sujeira petista começou a ser notada fora das paredes do Congresso comprado. Alguns fiscais do Ministério Público Federal perceberam gastos abusivos não justificados como a dos cartões corporativos, com os quais a festança rolava solta. Notaram também que fluía no bastidor oculto somas grandes de dinheiro vivo. Que os gastos não eram compatíveis com a arrecadação, enquanto isso, os impostos subiam.

Quero lembrar que nessa época não havia uma Lava-Jato, não estava em cena Sérgio Moro, não havia povo na rua para protestar. Tudo era abafado com a convivência de muitos setores da imprensa, que, provavelmente, escreviam coisas boas não apenas por simpatia.

O tamanho da sujeira já era muito grande que não podia mais ser tapada com a propaganda bonitinha, colorida, ilustrada nos horários nobres na televisão. Nem encoberta pelo jornalismo cordeiro. E próximo às eleições de 2014, aqui e ali, surgiam notas de manobras fiscais que escondiam a buracos negros da economia. Mais uma vez, o Brasil oficial foi oficialmente preparado para as eleições revelando dados de "tudo está bem", "tudo está sob controle" com o discurso da origem das más notícias ser um fruto da elite capitalista que anseia por sufocar as conquistas sociais da classe trabalhadora.  E com esse discurso, mesmo com uma votação apertada, o PT garantiu em uma nova reeleição a posse das chaves do cofre.

Desta vez porém, as denúncias de 2013, mesmo sufocadas, voltaram a pipocar. Os fiscais do Banco Central detectaram o problema na Caixa Federal, que durante quatro anos vinha sendo mantido sob expressa ordem sigilosa do governo. O governo escondia o uso de um dinheiro que não era dele. A Caixa Federal, Banco do Brasil, BNDES e FGTS - apareceram como fontes de recursos, que pela legislação brasileira, não pode financiar o Tesouro, isto é, o governo. Essa instituições, por serem entidades públicas e por estarem sob a administração direta do Poder Executivo, não permitem o governo valer-se dos seus recursos.

Os fiscais do Banco Central tomaram a coragem e voltaram a denunciar. O clamor dos fiscais foi ouvido pelo Ministério Público, que se convenceu que por trás da fumaça havia algum fogo. As contas públicas mascaradas com manobras contábeis, desta vez, ganharam a credibilidade de vários setores da imprensa e chamaram atenção de alguns políticos. E, gradativamente, as mentiras oficiais da senhora Rousseff se espalharam, graças ao trabalho cuidadoso e persistente de  Antonio Carlos D´Ávila, que ficou conhecido como o "caçador das pedaladas" pela sua ousada publicação.

Portanto, as pedaladas não foram reveladas pela oposição, nem por Eduardo Cunha e semelhantes, mas por um auditor fiscal. A base de sustentação para as investigações do TCU (Tribunal de Contas da União) consolidou-se, a pedido do Ministério Público. Essa é a raiz do impeatchment.

Mas o fanatismo cego da militância bloqueia os olhos e os neurônios para enxergar apenas pelo estreito funil ideológico. 

Voltando à análise anterior. Daí em frente, o povo foi às ruas. Milhares de pessoas começaram a exigir o afastamento da governante. Não só dela, mas da política lulopetista incluindo o dito senhor.  No Congresso Nacional começou a se desenhar uma oposição organizada, que se encorajava com as vozes das ruas. E se engana o o petismo que tanto invoca o povo nas ruas como se o povo fosse um privilégio do partido.

Domingo, as vozes majoritárias das ruas não eram as vozes da militância oficial, em defesa de seus próprios interesses e recrutadas por sindicatos.

A voz das ruas é a voz espontânea do povo descente, que não admite mais ser manipulado por uma ideologia apodrecida. E essa voz não pode ser menosprezada. É a mesma voz que no silêncio da urna digita o seu voto.

O PT tem razão, o poder vem do voto.

Domingo foi dado apenas mais um passo. O petismo ainda está no poder. Falta o Senado. Falta colocar na frente de Moro o chefe maior, que sonha em se assenhorar do poder e pousar como grande arauto salvador. Só que a sua frágil visão e sua falta de conhecimento fundamentado, não o permite enxergar que o Brasil está em 2016 e não em 2002. O seu discurso pode ecoar entre os domesticados, mas, não faz mais efeito em um novo Brasil que está voltando as costas à demagogia populista simplória. 

O Brasil para melhorar precisa que todos os políticos suspeitos sejam levados ao mesmo lugar, incluindo Eduardo Cunha, Renan Calheiros e demais.

É cedo para comemorar. 

Ah!... para não esquecer: Dilma inocente e Lula honesto... só para a militância catequizada!.

 

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