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A orla de um rio é a cara de seu povo

A orla de um rio é a cara de seu povo

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Tivemos neste fim de semana um episódio climático das águas do Guaíba. Começou a recuar e recuar, parecendo esvaziar-se em algum gigantesco ralo oculto. A princípio as pessoas estavam espantadas e amedrontadas.

O nível chegou a 0,23 metro no Cais Mauá, segundo o Centro Integrado de Comando da Cidade (Ceic). O motivo para o recuo teria sido o vento Leste/Nordeste, que leva a água para o lado contrário ao da margem. A velocidade do vento chegou a quase 80 km/h. Outro motivo apontado para o baixo nível é o período de pouca chuva nos últimos 60 dias. Mas, estranhamente, por que as águas oceânicas também recuaram?  E todo fluxo de água sempre é descendente.

O fenômeno já foi suficientemente explicado e as águas voltaram a subir. Mas, para mim, que costumo navegar no Guaíba e tenho o projeto de um livro sobre ele, fica uma evidência muito clara. O recuo parecia alguém levantar um tapete e ali dá de vista com todo o tipo de sujeira, além do mau cheiro e da festa dos ácaros.

Pois as fotos mostradas pelos jornais, revelam um triste e deprimente quadro de sujeira: embalagens pet, sacos plásticos, papéis, pneus, peças de automóveis, louças quebradas e por aí vai.

Esse é um claro reflexo cultural. Isso não acontece nas água do Sena, em Paris, nas águas do Reno, em Viena, nas águas do Tejo, em Lisboa. Mas acontece no terceiro mundo, por exemplo, no rio Ganges, na Índia, onde a sujeira chega a formar um caldo. Ironicamente, o rio Ganges é considerado sagrado na crença hindu e o povo se banha nele para "purificação".

Cultura, significa hábitos enraigados. Cultura é a sedimentação de hábitos costumeiros. Enquanto o povo não colaborar, a limpeza do DMLU apenas será um paliativo.

Multas ajudam. Mas a maioria do despejo acontece às escondidas.

Chego a triste conclusão que a orla de um rio é a cara do seu povo. 

 

Porto Alegre

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