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Um país agonizando na podridão

Um país agonizando na podridão

 

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Uma fruta está apodrecida quando está envolta de tecido necrótico. Mas essa afirmação soa muito técnica. A linguagem de hoje tem que ser popular e direta. Toda a podridão fede e faz mal. Um tomate podre é percebido por qualquer pessoa através das narinas, dos olhos e pelo estômago, se ingerido. Resumindo, podridão é coisa ruim. Podridão pode até matar.

É assim que vejo o Brasil. É uma nação apodrecida não só no seu tecido externo, mas nas suas entranhas. É um assunto que, para ser desenvolvido, precisa um livro inteiro. Como brasileira, nesse momento, quero olhar acima das ideologias, acima da guerra partidária, acima das paixões enfurecidas.

Qual é o primeiro sintoma de um país doente? Para mim está claro, a falta de confiabilidade no governo. Nada do que a palavra oficial diz inspira confiança. A mentira apodreceu o Brasil. Apodreceu em todos os setores, a começar pela economia. E aqui não significa intriga dos "coxinhas", dos "golpistas". Já em 2011, o Financial Times denunciou que o Brasil "vive a farra do crédito fácil". Anunciou que um país onde o crédito cresceu 2,4 vezes do que o PIB, em pouco tempo quebra. Atropelando a mais elementar regra da economia, "não se gasta mais do que se tem", induzindo o povo ao consumismo, à farra da compra de automóveis, de viagens aéreas, como sinais de prosperidade do melhor governo de todos os tempos, potencializado com o impulso das agências publicitárias mais caras. A mensagem dada na televisão era a do brasileiro surfando o progresso. A fábrica das boas notícias era regada com muito dinheiro do contribuinte. Tinha gente que advertia da bolha, de uma grande ilusão coletiva. Essa gente era ridiculariza como pessimista e antipopular.

Vamos recuar um pouco. A falácia governamental já era denunciada a partir de 2005. Era o mensalão. O grande chefe debochava dos denunciantes. Suas frases não precisam ser repetidas aqui. Deputados e senadores se  vendiam em troca de cargos, dinheiro e prazeres na casa da cafetina Jean Mary Corner. A incontida língua de alguém jogou os holofotes em cima desse nome que era só conhecida das altas rodas de Brasília, diga-se, do poder. Era famosa por organizar festas privadas para parlamentares, ministros, empresários e lobistas. Eventos marcados por conversas descontraídas, bebidas finas e mulheres bonitas ("acompanhantes"). Como nos auges dos bacanais da Roma decadente, Brasília não podia mais tapar o sol com a peneira. O grande prostíbulo começou a aparecer na imprensa. O escândalo explodiu quando o Correio Braziliense mostrou que os festins dissolutos eram patrocinados pelo dinheiro do contribuinte através de um canal chamado "valerioduto" (referente a Marcos Valério). Enquanto isso, o grande chefe, quando perguntada, dizia enfático que "não sabia de nada". Cada vez o governo abafava a oposição com cargos e cargos. O espetacular  inchaço da folha federal cresceu a 75,9% na soma de todas as riquezas produzidas no Brasil. Para compensar a carga tributária aumentou 40%. De 2003 a setembro de 2007, a despesa com os servidores civis da presidência cresceu, em valores da época, 21,1 bilhão de reais (ZH, p.4-5, 16 de dezembro de 2007). Enquanto isso o Bolsa-Família abastecia o seio popular e a popularidade do "grande chefe" crescia como um virtuoso arauto dos pobres. A vitrine popular encobria as safadezas, encobria o terrorismo do MST, que dias anteriores invadira a fazenda Coqueiros e simplesmente queimou os 25 hectares de plantação, danificou tratores, arrebentou cercas, defecaram no interior das casas, deixando mensagens de deboche para a alegria do "grande chefe" (ZH, p. 59 14 de dezembro de 2007). Nesse período o nacionalismo patológico chegou ao ponto de fazer uma campanha para tirar o ensino de inglês das escolas (considerado a língua do capitalismo selvagem). Aldo Rebelo, fez um projeto para acabar com todas as palavras inglesas, fashion, summer, notebook e por aí (ZH, p.51, 15 de setembro de 2007).

Sutilmente, aqui e ali, aparecia a nota de algum repórter, denunciando a corrupção na Petrobras, colocando também as loterias como suspeita de lavagem de dinheiro. Mas eram vozes solitárias abafadas pela multidão festiva. Zé Dirceu, o socialista que fizera voto de pobreza, ignorando os custos, implantou em uma clínica 6.170 fios de cabelo (DC, 12 de janeiro de 2008).  O "grande chefe" não parava de multiplicar as tetas para saciar as boquinhas famintas, com a criação dos seus 37 ministérios. Em 30 de janeiro de 2008, de novo, alguns jornalistas corajosos, ousaram publicar temas contrários à mídia palaciana, ou seja, os gastos de bordo em "comes e bebes" do novo avião da chefia, o apelidado Airforce 51, gastos que ultrapassavam em 1 milhão por viagem.

Festa, farra e máquina publicitária oficial a todo vapor vendia a ideia de um Brasil semelhante a um conto de fada. Contrariando o evangelho do palácio, o economista José Luis Cordeiro, um dos poucos corajosos, mostrava em planilhas a imagem enganosa de uma falsa publicidade. Mostrou que faltavam rodovias, faltavam ferrovias, faltava uma política portuário, faltava uma política de estrutura. Revelou os primeiros sinais de inadimplência de gente afundada em dívidas. Foi adiante. Revelou um Brasil com uma das maiores cargas tributárias do mundo, não ganhando o título por que a Guiné Bissau, era um pouquinho pior.

A denúncia das aloprações palacianas e do falso progresso era ofuscadas pelo poder midíatico milionário em horário nobre nos principais canais de TV, onde não era dito que 10% dos homicídios do mundo ocorriam no Brasil, nada mostrava dos 970 milhões de reais gastos pelo MEC em um duvidoso acordo ortográfica, que o empreguismo palaciano aumentou 38%, que inchava a Petrobras nomeando a companheirada em profuso número de milhares (Veja, p.49, 10 de dezembro de 2008).   

Esses são apenas alguns dados esporádicos dos primeiros anos de uma ideologia que se agarrou no poder  e suas benesses afrodisíacas desde 2002 e nele deseja se perpetuar. A má condução política e a péssima condução econômica, aliada com a demagogia e incompetência, a soma desses males não podem ser camuflados para sempre. A  estatística  manipulada podem ser útil por algum tempo, mas não o tempo todo.

O que vemos em 2016?

Os desempregados no Brasil chegam perto de 10 milhões de habitantes, quase o tamanho da população inteira de Portugal. A cada hora 282 brasileiros perdem o seu emprego. Se este ritmo não for freado, 2016 findará com 12 milhões de desempregados.  De acordo com pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), feita em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), em 12 meses foram demitidos 467,7 mil trabalhadores.

Reflexo da crise econômica brasileira, a queda no acumulado da venda de carros gira em torno de 26,42%, segundo Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automores) é sintoma de retração. Reflexos em todos os setores: saúde, segurança, educação (e, ironicamente, a propaganda oficial fala em "Pátria Educadora").

O Brasil vai de mal a pior. Temos uma política fiscal frouxa (muitos gastos do governo) e uma política monetária apertada (aumentos constantes da taxa de juros para tentar conter a inflação) e a crescente perda de confiança dos investidores. Otaviano Canuto, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional,  foca alguns elementos negativos: a deficiência de infraestrutura, péssimo ambiente de negócios e falta de capacitação de pessoas são os três grandes entraves da economia brasileira. 

As três agências risco de maior visibilidade no mundo são a Standard & Poors, a Moodys e a Fitch Ratings. Depois de analisar a realidade brasileira, não tiveram dúvidas em rebaixar o país.

 

A Standard & Poors, lembrou dos escândalos de corrupção, que envolvem dezenas de políticos e o próprio governo, como um ingrediente que alimenta o clima de incerteza no país. "Acreditamos que as atuais investigações de corrupção de indivíduos e empresas de alto nível, tanto no setor privado como no público, e em diferentes partidos políticos, aumentaram a incerteza política no curto prazo", diz a nota publicada em 17 de fevereiro de 2016.

O rebaixamento do Brasil foi gradativo, o que significa que, qualquer investidor estrangeiro pensará várias vezes antes de investir. Ainda, aumenta a distância do Brasil em relação ao selo de bom pagador, que foi perdido em setembro de 2015.

Para o economista Alex Agostini, "todos os indicadores demonstram uma piora, além da falta de governabilidade tanto no ambiente político como econômico.” Para completar, a líder da nação, Dilma Rousseff, acabou sendo eleita a líder mais decepcionante do mundo pela revista Fortune.

A soma de todos os fatos me faz concluir que o Brasil é um país apodrecido. Acho que os "coxinhas" têm razão quando pedem o afastamento do alto comando  da nação, o que inclui o "grande chefe", aquele que nunca sabe de nada e provavelmente nunca leu um livro.

 

 

 

 

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