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O Brasil é um exemplo de...

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

O Brasil é um do exemplo de...

 

 

Se olharmos para os livros didáticos antigos, uma das palavras mais empregadas é a palavra exemplo. O exemplo é uma situação da qual é possível tirar um ensinamento ou uma serventia. Exemplo é aquilo que serve de lição. Enfim, exemplo deve ser imitado, copiado.

Os pais são o exemplo através do qual as crianças começam a entender o mundo. Os professores são o exemplo para os alunos.  O exemplo é sempre melhor do que as palavras. Os governantes, o presidente de uma nação, o governador de um estado, o prefeito de um município, incluindo deputados, senadores, vereadores, todos são o exemplo para os seus compatriotas. Exemplo de trabalho, de dedicação, de integridade, de honestidade e de sacrifício pessoal.

Um país com um governo coerente com as suas palavras, honesto em sua administração é um exemplo para o mundo.

Eu tenho certeza que após a leitura dessas linhas, você, espantado, pergunta: “Mas em que planeta está vivendo essa cronista?”

Respondo. Só um pouquinho! Estou lembrando uma afirmação do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre o Brasil em um documento de 43 páginas, que cita o Brasil como um exemplo.

Mas um exemplo em quê?

Segue a frase:

“O BRASIL É UM DO EXEMPLO DO QUE A CORRUPÇÃO PODE FAZER COM UM PAÍS”.

Esse é o exemplo que o FMI cita. O documento não é novo,  foi publicado em 16 de junho de 2016. Mas, não teve a devida repercussão. 

O FMI apenas enfoca um único exemplo: a corrupção na Petrobras (sem citar as dezenas de outros casos). A corrupção dentro da Petrobras, que beneficiou o partido que estava no governo junto com os partidos aliados. A Petrobras que foi saqueada ao ponto de ir quase à falência.

Eu pergunto. Quem colocou os administradores na estatal? Quem colocou incompetentes e corruptos na direção da maior estatal brasileira? Quem é que fazia vista grossa, que nunca sabia de nada? Quem é que se beneficiou?

A impressa mostrou nesses últimos dias a prisão de Aldemir Bendine, ex-presidente do Branco do Brasil e da Petrobras, preso na 42ª Fase da Lava-Jato.

“Em 2015 Dilma Roussef nomeou Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras. Era um nome de confiança da presidente da República, que passou por cima das críticas. Já havia dúvidas sobre a atuação dele. Bendine havia despertado suspeitas na época do Banco do Brasil, que comandou entre 2009 e o começo de 2015”. “Em 2010, Bendine, havia comprado um imóvel em dinheiro vivo. O negócio gerou dúvidas. Depois disso, ainda houve o caso do empréstimo do BB a sua amiga, supostamente namorada, sem as garantias mínimas necessárias. Mesmo com esse currículo, Dilma o colocou na Petrobras”, escreve Miriam Leitão.

Em meio a toda a investigação da Lava-Jato, eles continuaram “a meter a mão em dinheiro público”. Um jargão muito usado por aquele partido, ao acusar os adversários.

Assim, o Mensalão não existia, o Petrolão não existia, a manipulação de números não existia, a corrupção generalizada não existia. Ninguém ganhou propina, e as delações, segundo os indiciados, não passavam de abuso de autoridade de Sérgio Moro.

Todos os indiciados parecem usar o mesmo realejo, declaram-se inocentes: Renan, Cunha, Aécio Neves, Temer e dezenas de outros, sem excluir a mais autodeclarada inocência brasileira, que também se diz a única esperança do Brasil em 2018.

Não dá para esquecer que durante as gestões de 2003 a 2015, a Venezuela recebeu US$ 2,03 bilhões do BNDES. Por que essa gestão foi tão generosa com os companheiros venezuelanos? As obras geraram empregos naquele país, ajudaram o governo a se promover, diga-se, um governo ideologicamente alinhado com os benfeitores brasileiros.

Uma equipe da TV Record foi à Venezuela para verificar as obras. Mas a equipe foi presa quando fazia a reportagem sob o argumento de terrorismo. A polícia política impõe uma ditadura para quem faz oposição ao governo. As imagens foram confiscadas. Há no projeto de empréstimo uma ponte de três quilômetros. A reportagem foi ao local, para encontrar unicamente um outdoor, um painel de propaganda. Aonde foi parar o dinheiro daquela ponte? Financiamento político, lá e aqui? Por que a tão transparente democracia “popular” venezuelana confiscou as imagens dos repórteres?

Segundo Marcelo Odebrecht, o então presidente brasileiro chegou a registrar um saldo de R$ 40 milhões de reais em sua conta-propina, administrada pelo ex-ministro Antonio Palocci. Desse total, sacou, no mínimo, 30 milhões de reais. Em dinheiro vivo, conforme antecipou ISTOÉ com exclusividade em reportagem de capa de novembro de 2016. Gravíssimo. Como explicar tanto dinheiro na conta de um homem que em cada discurso elogia a si mesmo com pose de perseguido político, para o aplauso do rebanho amestrado que o segue.

O financiamento generoso foi além: Equador, Peru, Panamá, Argentina, Bolívia, Colômbia, Uruguai (na época do Mugica). Na África, Moçambique, Angola. Curiosamente, favorecendo as mesmas empresas que estão envolvidas na Lava-Jato. E, de quebra, os partidos companheiros do grande partido também se encheram de generosas benesses.

Sem a Lava-Jato esses tumores malignos não teriam sido descobertos. O argumento de perseguição política já não cola mais, pois Temer, Aécio Neves, Renan Calheiros fazem parte do mesmo time.

Isso, sem dúvida, cria um sentimento na população de muita contrariedade com a classe política. Um descrédito generalizado contra aqueles que se atrevem de posar como salvadores da nação.  Principalmente, o grande falastrão contaminado de egocentrismo e ignorância.

O FMI, sem rodeios, apontou o Brasil como um verdadeiro exemplo de corrupção e o que a corrupção é capaz de fazer onde ela se alastra.  

Este é um exemplo do qual os brasileiros que trabalham e sustentam a voracidade dessa máquina pública se envergonham e se revoltam.

Esqueci, nem todos se envergonham. Os chupetas da máquina estatal são insaciáveis.

 

 

 

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