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Leandro Fraga, o Raí, autossuperação

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Leandro Fraga, o Raí, autossuperação

 

Uma façanha náutica em cima de um stand up paddle

 

Conheci o Raí em 2 de abril de 2016, nas proximidades do restaurante Butiá. Curiosamente, foi um contato ocasional provocado por uma tempestade. Foi aí que fiquei sabendo de algumas de suas façanhas em cima de um stand up paddle.

Cabe aqui uma rápida explicação sobre esse esporte. Em palavras bem simples, “é um esporte aquático, uma variante do surf, no qual o praticante em pé numa prancha, usa um remo para se mover através da água”.

Pois o Raí, entre outros esportes aquáticos, fez do stand up, uma de suas práticas mais ousadas. Em 2017, ele desafiou as águas do Guaíba e a Laguna dos Patos em cima de sua prancha (com cinco metros de comprimento), um percurso de 1.000 quilômetros e se enquadrou entre uma das 10 maiores travessias de SUP no mundo. Com essa travessia, Raí homenageou o seu pai, já falecido, que muito o incentivo ao esporte. O vínculo com o pai era muito intenso e a sua morte o abalou bastante. Assim, a glória desse resultado ele a dedicou ao seu pai querido, cumprindo uma promessa que fizera a ele.

Transcrevo aqui, uma nota publicada sobre esse feito: “A circunavegação de uma das maiores lagunas do mundo e também uma das mais perigosas, a Laguna dos Patos iniciou no dia 27 de janeiro exatamente às 13h12min da tarde sexta-feira com saída da raia 1 na pedra redonda Ipanema Porto Alegre. Terminou dia 9 de abril domingo 16h35min da tarde na mesma raia1, ambos tanto na ida quanto na volta a parada mais que estratégica foi em Itapuã com a Náutica Barreto e Sup Adventure com a então parceira Ecolife Aventura”.

Fiquei muito impressionada com essa longa e ousada jornada do Raí. Ele explicou que uma trajetória assim somente pode ser feita passo a passo. Requer preparo físico e preparo psicológico para enfrentar as ocasionais imposições adversas da natureza: o vento, as ondas, a chuva, o frio, o calor. Temporais repentinos, relâmpagos. Num texto sobre a experiência, escreve: “Tive uma visita indesejada, praticamente atacado por enxame de marimbondo (vespas), onde tive remar forte para fugir seguido pulando na água para se safar e sobreviver. Em outro momento - após tentar pegar um atalho, para evitar um temporal vindo de nordeste, resolvi cruzar o arroio pequeno que faz ligação com a lagoa pequena junto ao Pontal da Ilha da Feitoria - fiquei encurralado após remar algumas horas no arroio repleto de vidas selvagens, cavalos, pássaros, capivaras e principalmente Jacarés, corri risco de vida pois tive que descer da prancha para sair de uma grande concentração de água pés, pois a quilha da prancha trancou nos águas pés impossibilitava de seguir em frente remando, foi então que tive que descer da prancha para empurra-la para seguir em frente, e o local estava repleto deles, alguns dava-se para observar os olhos dentro da água e seus movimentos suaves, pareciam estar observando você no meio do nada, alguns entravam na água, assustador no meio do nada.”  

“Para ser um atleta na acepção da palavra, acima de tudo, é preciso persistir, mesmo quando o corpo está cansado e cheio de dores. Nesses momentos, a navegação se converte em aventura. Uma aventura que mede a resistência, a capacidade de autossuperação. Não há glória sem sacrifício”, afirmou.

“Em contrapartida, o atleta contou as diversas vantagens da travessia: respirar o ar puro, enxergar a beleza das árvores na orla, contemplar o reflexo do sol através das nuvens, formando matizes diferentes no rebento das pequenas ondas. Isso deixa um sabor de gratificações, um gosto de um outro mundo que, uma vez provado, nunca mais a gente esquece. A vida fica diferente. Mais rica. Algo o que uma pessoa acomodada em cima de uma poltrona jamais sentirá”.

Concordo com o Raí. A dedicação a uma causa esportiva precisa de renúncia e disciplina. Uma travessia extenuante sob o vento e a correnteza das águas não é possível sem essas duas atitudes. A experiência de uma aventura dessas, uma vez concluída, deixa uma sensação de superação e vitória. Um alívio das fadigas, de todos os ardores.  

Os grandes atletas se autossuperam dos próprios limites, das próprias barreiras, das próprias imperfeições, das próprias fraquezas, dos próprios medos.

Com o devido reconhecimento, a Câmara de Viamão, por iniciativa do vereador Guto Lopes, concedeu-lhe uma Moção de Parabenização, por vários méritos, como mergulhador homologado pelas Forças Armadas e pelo Comitê Olímpico. E, principalmente, pelo seu recorde no Stand Up Paddle.

Atleta - Leandro Fraga, Raí

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