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Fatos para refletir sobre o Dia Internacional da Mulher

Uma em cada cinco mulheres brasileiras já foi espancada pelo marido

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

Nada de preâmbulos, de melindres e nada de ficções sobre as mulheres. Aqui no Brasil elas comemoram pelo menos quatro datas: no dia 8 de março festejam o Dia Internacional. Em 30 de abril, o Dia Nacional e no dia 25 de novembro, celebram o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. Há, ainda outras datas, como a de 22 de setembro, data que comemoram o sanção da Lei Maria da Penha.

Eu pergunto:

Qual é o resultado prático de tantas datas? Receber um email de congratulações? Ganhar um buquê de flores ou ser convidada para um jantar? O que, aliás, sempre é bem recebido!

Mas, vamos aos fatos.Há no Brasil um chocante contraste entre o grande número de datas para homenagear a mulher com a estatística de violência contra ela. O site Compromisso e Atitude mostra a violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% delas, as que se encontram  em situação de violência, sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. Dos relatos de violência registrados na Central de Atendimento nos dez primeiros meses de 2015, 85,85% corresponderam a situações de violência doméstica e familiar. Nos dez primeiros meses de 2015 houve 63.090 denúncias. Conforme os referidos dados,  uma em cada cinco mulheres já foi espancada pelo marido, companheiro ou por algum dos homens de seus relacionamentos. Outro dado mais alarmante denuncia que no Brasil são assassinadas, diariamente,  13 mulheres.

O que há para comemorar? A domesticidade, o fim do prosaísmo da tarefa cotidiana, sempre repetida, da mulher amarrada às fraldas, às panelas, à limpeza da casa, à prisão domiciliar?

Em termos concretos e bem dentro de nossa realidade, a liberdade feminina avançou. A mulher se igualou ao homem em direitos, ou quase. A mulher já não depende tanto do marido para a sua sobrevivência. Grande parte delas administra sua própria casa. Outra parte mora sozinha com os filhos. A moça já não é mais educada para casar e viver sob a tutela de um homem para um vínculo indissolúvel. A liberdade feminina vai longe. Dia desses, em Porto Alegre, circulou  online "Vai ter shortinho, sim" e "já temos mais de 6 mil apoiadores". Foi um movimento protagonizado por um grupo de adolescentes do Colégio Anchieta. Acabou triunfando.

A mulher de hoje, de forma geral, já não  cabe mais no perfil das virtuosas matronas que associavam pernas cobertas ao casto pudor feminino. Parece estar livre da lente deformante de preconceitos e restrições.

Isso é bom? Isso é ruim? Bem, aí depende daquilo que a mulher mais prioriza hoje no Brasil.

Acho que a mulher brasileira de todas as idades, no momento no qual vivemos, coloca como prioridade a sua segurança, e, por extensão, a segurança dos seus filhos e de sua família. A liberdade só pode ser vivida em sua plenitude em um ambiente seguro. Isto significa ruas seguras, estádios seguros, praias seguras e locais de lazer seguros. 

Olhem mais uma vez para as estatísticas que escrevi acima. Acho que elas podem ser sugeridas para uma pauta de debate nesse Dia Internacional da Mulher.

 

 

 

 

 

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