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Rosamaria Murtinho, seu nome um ícone patrimonial brasileiro

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Rosamaria Murtinho, seu nome é um ícone patrimonial no teatro brasileiro

Teatro é despertar sentimentos. É incitar curiosidade. É provocar reflexões. É entreter. É ter uma experiência intensa, envolvente. Os elementos atuantes, além dos atores, é o cenário, são as luzes, os objetos, a trilha sonora, entrecortada de silêncio. Enfim, é acrescentar algo a mais ao espectador.

Publiquei no meu Facebook, a minha impressão da peça Dorotéia no Theatro São Pedro de POA, uma das casas mais tradicionais e consagradas do Rio Grande do Sul. O espetáculo contou com mais de 10 atores dirigidos por Jorge Farjalla, destacando Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller. Pessoalmente, destaco a Rosamaria, uma pessoa muito querida e próxima a mim, pois já nos conhecemos a um bocado de tempo. A atriz veio à capital gaúcha protagonizando a vilã Dona Flávia na peça escrita por Nelson Rodrigues, para comemorar os seus 60 anos sobre o palco.

 

O espetáculo é surpreendente no modo como essa encenação acontece, no formato de arena, propagando as vozes das atrizes numa maneira mais intensa. O palco emerge no centro da visão do público.

Preciso dizer uma palavra sobre Nelson Rodrigues, esse pernambucano, que cunhou a modernidade ao teatro brasileiro. Escreveu dezessete peças, que, segundo Sábato Magaldi, se classificam em três categorias: Peças Psicológicas, Peças Míticas e Peças Tragédias Cariocas. Dorotéia pertence às míticas. A peça é polêmica e instigante. Aborda temas freudianos: sexo inibido, sexo frustrado. A arte – o teatro – promove a reflexão sobre o reprimido, o retorno do recalcado de uma forma sancionada pelo sistema social. A peça, vista sobre essa ótica, torna-se uma reflexão sobre o comportamento sexual feminino.  

Confesso que fiquei muito emocionada tanto do espetáculo como um todo quanto do magnífico desempenho de Rosamaria Murtinho sem menosprezar o elenco.

Rosamaria Murtinho é uma atriz que pertence à geração de ouro. Casada com o também ator Mauro Mendonça. O casal tem três filhos, Mauro Mendonça Filho, diretor na rede Globo; Rodrigo Mendonça e João Paulo Mendonça. Ela atua na televisão desde 1960 no programa semanal de Vitor Berbara, o Teatro de Variedades Moinho de Ouro, na Tupi carioca, ao lado de Tônia Carrero, Paulo Autran e Magalhães Graça, que fazia o seu par.

Rosamaria Murtinho em 1968, em "A Muralha", novela da TV Excelsior (na primeira foto).

 

No teatro começou aos 18 anos, substituindo uma atriz que ficara doente. Desde lá, nunca mais deixou os palcos. Uma de suas afirmações marcantes é: “O ensaio para mim é fundamental, porque é como tiramos o personagem do papel e damos alma a ele.”

Comemorar sessenta anos de carreira é uma dádiva para poucas atrizes. Ela faz parte deste seleto grupo. Com mérito. Seu nome é um ícone patrimonial tanto no teatro quanto na televisão brasileira. 

Rosamaria Murtinho e Themis Pereira de Souza Vianna

Rosamaria Murtinho - Teatro

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