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Um dia de grande emoção

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Há ocasiões na vida que nos enchem de sentimentos de valor. Essa ocasião é hoje, quando estou pegando uma estrada de 600 quilômetros, rumo a São Borja. Foi lá, no interior desse antigo e imenso município, em que os meus bisavós, José Pereira de Souza e Izabel, foram proprietários de uma fazenda, onde nasceu aquele que se tornou o personagem do meu livro biográfico.

Quando ele nasceu, em 1910, Getúlio Vargas, o mais ilustre são-borjense e futuro presidente do Brasil, já trabalhava como advogado. E, Protásio, irmão de Getúlio, foi convidado para ser padrinho de batismo do meu avô, que levou o nome HERMES PEREIRA DE SOUZA.  O fato que indica também que as famílias Vargas e Pereira de Souza se relacionavam.  E, quando o menino Hermes completou oito anos, nasceu outro conterrâneo, João Goulart.

Ninguém, na época, imaginava que esses três são-borjenses, um dia, se encontrariam como políticos proeminentes na antiga capital brasileira, o Rio de Janeiro. Getúlio Vargas, como presidente da República. Hermes Pereira de Souza e João Goulart, ambos como deputados federais. Os três – Getúlio, Hermes e Jango – vivenciariam, ainda, em comum, a criação da Petrobras a 3 de outubro de 1953.  Cada um a sua maneira, é claro.

De certa forma, a viagem que me leva a São Borja, relaciona-se com essa sutil cadeia de fios invisíveis tanto da história política quanto da história familiar. Pois é nessa cidade, que se tornou por uma lei estadual a Terra dos Presidentes, que vou receber uma homenagem na Câmara dos Vereadores, no dia 21 de maio, tendo por motivo o livro que escrevi exaltando a memória do meu avô como grande homem público. A Moção de Aplauso proposta pelo vereador Roque Langendolff Feltrin e aprovada pela Casa Legislativa, considerou relevante a inclusão na história de São Borja o nome de um filho dessa terra, de certa forma, até então desconhecido pela grande maioria.

Tudo isso, me emociona muito. Emociona sobremaneira a minha mãe, Maria Tereza, porque, afinal a homenagem se estende também a ela. Outro fato muito interessante, emerge desse fundo labiríntico da história humana, é a coincidência de ter encontrado a jornalista e professora, a Dra. Adriana Ruschel Duval, radicada há cinco anos em São Borja, cujo avô fora professor de Direito do meu avô. Posteriormente se encontraram na Assembleia Legislativa como deputados estaduais e na Câmara, no Rio de Janeiro, como deputados federais.

Viverei a emoção de abraçar a Adriana. Um abraço de duas pessoas com um elo em comum, ou seja, o encontro de duas netas cujos avôs galgaram juntos os mesmos cargos públicos no mesmo partido. E nos duas, as netas, por nossa vez, temos em comum o jornalismo e a paixão de escrever. Chamo isso de um ponto alto da vida. Será um encontro cheio de elos comuns, que no mundo de hoje, confuso e competitivo, é muito difícil de achar. Vale aqui a frase de Saint-Exupéry: "Em um mundo que se fez deserto temos sede de encontrar companheiros".

Prazerosa, sim, é toda homenagem, todo abraço, toda palavra de elogio, todo reconhecimento público. Sem falsa modéstia, de bom grado, viajo para São Borja para receber o carinho dessas pessoas.

Devo tudo isso ao meu avô. Foi a sua vida que me inspirou a fazer o livro. É a sua memória, que, no fundo, todo esse evento evoca. 

Sinto-me realizada e feliz. Dedico esse sentimento ao meu querido avô Hermes Pereira de Souza.  

      

Themis Pereira de Souza Vianna

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