logo
barraCinza
barraBranca

Não diga a ninguém, Porto Alegre me tem

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Não diga a ninguém, Porto Alegre me tem

 

A empresa Exclusive Brasil Mundo integra-se aos atos comemorativos aos 243 anos de fundação de Porto Alegre com a publicação do presente artigo. O título foi inspirado na música composta por José Fogaça, que pela consagração popular, tornou-se o hino "oficial não-oficial" da Capital Gaúcha.

 

  A vista de Porto Alegre das proximidades do Museu IBerê Camargo. Foto: Lauro Patzer.

 

A canção que identifica Porto Alegre

 

Há músicas que, sem serem os hinos oficiais, instituídos por decreto ou por concurso,  identificam imediatamente uma cidade. Por exemplo, New York, New York,  gravada e cantada por muitos grandes nomes, mas ganhou a notoriedade com a voz de Frank Sinatra, que a tornou a identidade da grande metrópole americana pelo mundo afora. O mesmo aconteceu com a voz de Scott Mckenzie, cantando San Francisco com o refrão "If you are going to San Francisco, be sure to wear flowers in Your Hair". A letra convida a todos os visitantes de San Francisco a colocar flores entre os cabelos, o que foi literalmente aplicado pelos 25 mil hippies presentes nos gramados verdinhos do Golden Gate Park durante o festival de Monterey, de 1967 – dois anos antes do mítico Woodstock. Passados 48 anos, a canção conquistou todas as idades, quebrando até paredes ideológicas. Ambas as canções tiveram rápida penetração em todos os níveis sociais e, fora de qualquer oficialidade, tornaram-se os autênticos hinos dessas cidades.

Não é diferente com Porto Alegre. A composição de José Fogaça na voz de Isabela, sua esposa, fez da música o verdadeiro hino de Porto Alegre: "Porto Alegre é Demais" penetrou na alma popular. A letra é simples, muito simples, mas distribui poderosas imagens da essência da cidade: o jeito legal (a arborização, a orla do Guaíba, o pôr do Sol, os parques), a beleza feminina, os bares, os quiosques, os passeios pelos briques, o futebol sistólico da dupla Grenal e as músicas tocadas nas rádios. O autor se reconhece apaixonado, feliz com a sua cidade. É claro que essa Porto Alegre mudou. Hoje, boa parte desse romantismo e poesia perdeu-se nas brumas da insegurança. Perdeu-se no trânsito caótico. Mesmo assim, a essência da canção continua como o grande hino lírico exaltando a sua beleza natural: o estuário do Guaíba e o mais bonito pôr do Sol do mundo. As mulheres continuam belas pela ascendência das novas gerações e, assim, renovam-se assegurando a sua perpetuidade da beleza. Grêmio e Internacional para sempre serão sístole e diástole do futebol gaúcho, mas com uma novidade, hoje, ambos com casas novas.

   Parte oeste de Porto Alegre, vista da chaminé da Usina do Gasômetro e o estuário do Guaíba.

 

   O Guaíba como um imenso espaço de lazer. Foto: Lauro Patzer.

 

 A beleza do Guaíba, uma paisagem para ser contemplada, trecho da Av. Edvaldo Pereira Paiva. Foto Lauro    Patzer

 

Vista do Cais do Porto, inclusive de um dos catamarans que fazem o transporte de passageiros à cidade de Guaíba. Foto de Henrique Amaral.

 

O Parque Farroupilha, no centro da foto, conhecido também como Parque da Redenção, é o mais popular e mais visitado parque de Porto Alegre. Em 1927 iniciou-se o seu ajardinamento e em 1935 foi o local da Exposição do Centenário da Revolução Farroupilha, a partir daí, o seu nome Parque Farroupilha. Foto de Henrique Amaral.

 

Parte do Parque Farroupilha. Foto: Porto Alegre Health Care.

 

Porto Alegre, a saudade  é Demais....

Compositor: José Fogaça

Intérprete: Isabela Fogaça (também cantada por Kleiton e Kledir)

 

Porto Alegre é que tem

Um jeito legal
É lá que as gurias etc... e tal

Nas manhãs de domingo
Esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
Num alto astral

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Quem dera eu pudesse
Ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
Do Kleiton e Kledir

Andar pelos bares
Nas noites de abril
Roubar de repente
Um beijo vadio

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre é demais!

 

Para ouvir copie e cole este link: http://www.cifraclub.com.br/isabela-fogaca/porto-alegre-demais-171742/

 

Grêmio e Internacional, os dois maiores patrimônios futebolísticos de Porto Alegre

 

  

Grêmio

 

No dia 15 de setembro de 1903, conforme o site oficial do clube, 31 rapazes se reuniram em um restaurante no centro da capital e escreveram a ata de fundação, que depois seria assinada por todos os presentes. Naquele momento, iniciou-se a trajetória de um clube que conquistou títulos brasileiros, continentais e um mundial. Carlos Luiz Bohrer foi eleito o primeiro Presidente, sem imaginar a projeção que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense alcançaria.

 

O novo estádio conhecido como a Arena do Grêmio, foi inaugurada em 8 de dezembro de 2012 com um grande show e um amistoso contra o Hamburgo da Alemanha, vencido por 2 a 1 pelo anfitrião, repetindo o resultado de 1983, na final do título mundial.

 

 

 

Internacional

 

O Sport Club Internacional foi fundado em 4 de abril de 1909. Os irmãos Poppe foram os responsáveis pela criação do clube. Eles convidaram estudantes, comerciantes e pessoas em geral para uma reunião no dia 4 de abril de 1909 com a finalidade de fundar um novo clube de futebol em Porto Alegre. Mais de 40 pessoas compareceram, onde hoje é a Av. João Pessoa, 1025, e escolheram em uma votação que o novo time teria o nome de Sport Club Internacional. Tal como o seu maior rival, o Colorado (como chamado por seu torcedor), também conquistou títulos continentais e um mundial. O torcedor se orgulha de seu time ser um em apenas cinco clubes que nunca foi rebaixado à Segunda Divisão. Este argumento ninguém consegue rebater o torcedor colorado.

O dia 5 de abril de 2014 fica na memória do clube como a reinauguração do Estádio Beira Rio, que em junho do mesmo sediou alguns jogos da Copa do Mundo, inclusive com a atuação da Alemanha, que conquistou o título naquele ano. E, mais uma vez, a torcida colorada tem na boca outro argumento incontestável em cima do rival: "nosso time sediou duas Copas do Mundo, uma em 1950 e a outra em 2014".

 

 

História de Porto Alegre

 

Porto Alegre foi fundada em 26 de março de 1772. Nasceu com um nome bem longo: Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. É alusivo aos casais portugueses que vieram do arquipélago de Açores. José Marcelino de Figueiredo idealizou com o Capitão Montanha a capital Porto Alegre, mudando o nome para Freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, em 1773. Conseguiu também transferir a Câmara de Vereadores de Viamão para Porto Alegre.

Os açorianos tiveram incentivos especiais da Coroa Portuguesa para virem ao Brasil, principalmente, ao Rio Grande do Sul e à Santa Catarina. A metrópole tinha a necessidade de fixar uma população no sul do Brasil para não perdê-lo aos espanhóis. O critério básico para inscrição era uma idade limite de 40 anos para os homens, e de 30, para as mulheres. Daí a inspiração do escultor Carlos Tenius para fazer o monumento, que fica próximo ao Centro Administrativo, na Borges de Medeiros, inaugurado em 26 de março de 1974. A obra tem inspiração futurista com ideia de uma caravela.

 

Em 26 de março de 1974 foi inaugurado o monumento aos açoriados, obra do escultor Carlo Tenius. Foto: PMPOA, divulgação.

 

Prédios e Arquitetura de Porto Alegre

 

Quem visita Porto Alegre e procura fotografar o seu passado remoto, deve visitar pelo menos três locais: a Praça XV de Novembro, a Praça da Alfândega e a da Matriz, inauguradas em 1774.

A Praça XV de Novembro, hoje é conhecida pelo Chalé, em pequeno prédio de dois pavimentos em plano octogonal, inaugurado em 22 de novembro de 1885 como um quiosque. Hoje é um bar e restaurante com música ao vivo cercado por árvores nativas. Localiza-se no Centro Histórico, em frente ao Mercado Público.

Caias da Mauá, Casa de Cultura Mário Quintana, Catedral Metropolitana de Porto Alegre, Cine Theatro Capitólio, Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Galeria Chaves, Mercado Público, Instituto Pão dos Pobres, Solar da Câmara, Estaleiro Só, Templo Positivista, Theatro São Pedro, Usina do Gasômetro, Viaduto  Otávio Rocha e muitas outras edificações, entre elas os vários museus.

Dois monumentos de Porto Alegre, à direita a Catedral Metropolitana, ou Igreja Matriz de Nossa Senhora da Madre de Deus, cuja construção iniciou em 1779, somente concluída em sua última etapa em 1846.

 

 Chalé da Praça XV de Novembro, localizado junto ao Largo Glenio Perez e Mercado Público. Foto: Ricardo    André Franz.

 

Torre Cristal Tower (sede da Revista Exclusive Brasil Mundo), em frente ao Guaíba, com vista do porto de embarque e desembarque da linha de catamarã à cidade de Guaiba e ao centro de Porto Alegre. Fotos: Lauro Patzer.

Fundação Iberê Camargo, à beira do Guaíba, área disponível para o turista beber ou lanchar tendo à frente um lindíssima vista.

 

O legado germânico em Porto Alegre  

 

Porto Alegre é uma das capitais mais arborizadas do Brasil. No século XIX foi também a capital que mais absorveu a imigração de alemães

Segundo Sílvio Aloýsio Rochenbach, os alemães instalaram restaurantes, pensões, pequenas manufaturas, alambiques e diversos estabelecimentos industriais, além da criação de escolas e centros culturais, entre eles, a atual SOGIPA. As famílias germânicas radicaram-se, principalmente, no bairro Navegantes, onde também se instalou a indústria de tecidos Renner.O Hospital Moinhos de Vento, um trabalho deles, surgiu com o nome Deutsches Krankenhaus (Hospital Alemão). O projeto do Mercado Público, uma obra do arquiteto Friedrich Heydtmann, obra concluída em 1869. O Hotel Majestic, hoje Casa de Cultura Mário Quintana, foi projetado pelo arquiteto Theo Wiederspahn, que realizou dezenas de outras obras em Porto Alegre. Entre eles os  suntuosos prédios do MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), da Alfândega, dos Correios, atual Memorial do RS; antigo Banco do Comércio, hoje Santander Cultural; Casa Ely, Edifício Chaves e Bier Ullmann, do conjunto de prédios da Cervejaria Bopp, depois Brahma e atual Shopping Total, da antiga Faculdade de Medicina da UFRGS, diversos armazéns na Voluntários da Pátria, do Moinho Chaves e dezenas de palacetes em diversões bairros. Já o Teatro São Pedro nasceu do talento de Phillip von Norman, nascido em Dresden, Alemanha, devendo-se a sobrevivência da casa ao dedicado e talentoso trabalho de outra alemã, Eva Sopher, homenageada com o prêmio Distinção da Imigração Alemã.

Há também um vasto legado cultural, como a criação de clubes e centros de ginástica, jogos coletivos, tiros ao alvo, caminhadas, ciclismo, teatro e canto coral. Outros clubes e sociedades fundadas por alemães surgiram ao natural: o Grêmio Náutico União; a Sociedade Germânia, o Veleiros do Sul, o Clube dos Jangadeiros, o Iate Clube Guaíba-Porto Alegre, o Clube de Regatas Almirante Barroso – antigo Ruder Club Porto Alegre, a Sociedade Leopoldina Juvenil, o Schützenverein, hoje Clube dos Caixeiros Viajantes, a Sociedade União Popular – o Volksverein, hoje Associação Theodor Amstad com sede em Nova Petrópolis, o Centro Cultural 25 de Julho  e naturalmente o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No mesmo dia 15 de setembro de 1903 era criado também o Fuss-Ball Club de Porto Alegre. Ambos eram amplamente dominados pela presença germânica. O Fuss-Ball ("futebol" em alemão)  era completamente fechado à participação de indivíduos externos a esta comunidade. O Grêmio FBPA, por sua vez, se apresentava como uma espécie de clube alemão sem restrições absolutas a elementos alheios àquela comunidade, pois dentre os seus 23 fundadores, havia quatro nomes não-germânicos. Trata-se da reprodução, no âmbito particular do futebol, de uma situação que se generalizava na vida social da Porto Alegre de então - a "cidade dos alemães", segundo o texto de Rochenbach, apresentado na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre. 

Consta, ainda, no mesmo texto, a participação alemã na área industrial notabilizavam-se as Indústrias Renner, os Fogões Berta, Wallig e Geral, a Chocolates Neugebauer, o Laboratório Wesp, a Cervejaria Continental, o Grupo Gerdau, entre muitos outros. Na área comercial, a Casa Bromberg; na área dos transportes, a Viação Ouro e Prata, as companhias de navegação e a portentosa VARIG; na área de ensino, os Colégios Pastor Dohms, Concórdia, Farroupilha – antiga Escola Alemã  ou Deutsche Schule; na área eclesiástica, as igrejas São José, na Alberto Bins, dos Navegantes, no bairro Navegantes, a igreja da Reconciliação na Senhor dos Passos, e a igreja da Comunidade Cristo na Presidente Roosevelt.

Gilmar Mascarenhas de Jesus, do Departamento de Geografia da Universidade do Rio de Janeiro, publicou um artigo Imigrantes Desportistas: Alemães no Sul do Brasil, na revista Geografia y Ciencias Sociales da Universidade de Barcelona, Espanha. No trabalho publicado, Mascarenhas documenta de como o espírito ativo da cultura alemã revolucionou a cultura sedentária encontrada no Rio Grande do Sul, principalmente, em Porto Alegre, para onde mais emigraram os alemães mais cultos.

Iate Clube Porto Alegre-Guaíba.

 

Vista social do Clube Jangadeiros, fundado em 7 de dezembro de 1941, por Leopoldo Geyer. Foto: André Soares.

Clube Jangadeiros. Foto do site do clube.

 

 

Uma cidade eclética

 

Além dos alemães, outras etnias, em menor número, que fizeram de Porto Alegre a sua cidade de residir, trabalhar, viver e ficar: judeus, poloneses, italianos, espanhóis, e, recentemente, libaneses, coreanos e japoneses, sem esquecer a sua histórica origem açoriana. Essa é a constituição de Porto Alegre, uma capital bastante eclética.

 

 

Porto Alegre hoje

 

Como as demais cidades brasileiras, a bela capital gaúcha, vive o problema número um, a falta de segurança. As ondas de assalto e violência atormentam as pessoas. Enquanto persistir a política de leis brandas ao criminoso e vigorar a impunidade, além da quase ausência de policiamento nas ruas, o cidadão obriga-se a ficar em casa. 

A letra da música de Fogaça, que consideramos o verdadeiro hino de Porto Alegre, soa com saudosismo de uma cidade que não existe mais: 

Porto Alegre me dói

Não diga a ninguém

Porto Alegre me tem

Não leve a mal

A saudade é demais

É lá que eu vivo em paz.

 

 

 

 

 

Arena do Grêmio - Arquitetura - Arquitetura - Estádio do Beira Rio - Estuário do Guaíba - Exclusive Brasil Mundo - Porto Alegre

institucional anuncie contato