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A Reverberação dos Protestos de Domingo

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Repercutem e ainda repercutirão por um bom tempo, as manifestações populares ocorridas domingo, dia 15, em todos estados brasileiros, exceto Rondônia. Tal qual em uma eleição, a guerra por números é um tema em polêmica. É lógico, quem não gostou da passeata procura minimizar o volume de participantes.  Na sexta-feira, a Polícia Militar constatou que 12 mil pessoas estiveram presentes na manifestação liderada por centrais sindicais e o MST. A Datafolha, por sua vez, enxergou quase quatro vezes mais: 41 mil manifestantes. Estranho, no domingo, a mesma data folha enxergou o inverso na Av. Paulista, quase quatro vezes a menos. A Polícia Militar avaliou 1 milhão de pessoas, a Datafolha, 210 mil.  É claro, que em nome da seriedade os números não podem ser chutados. É preciso saber a metodologia que os dois órgãos usaram. A Polícia Militar explicou que utiliza recursos de mapas e georreferenciamento, uma ferramenta tecnológica do Copom Online. Vale-se das imagens colhidas do helicóptero, determinando o tamanho da ocupação, calculando 5 pessoas por metro quadrado, de acordo com a densidade. Já o Datafolha não explicou os critérios.

Independente dessas avaliações, estão aí as imagens que nada mais retratam o que realmente aconteceu.

O foco para o acontecimento de domingo deve ser outro. Ninguém usava a bandeira de algum partido, de algum sindicato, de alguma organização. Nenhum funcionário foi convocado para fazer volume. As camisetas verde-amarelas foram compradas individualmente. Na sexta-feira a cor vermelha não é a cor do Brasil. Mas é a cor oficial de uma militância oficial que dá apoio ao governo. Portanto, aquilo o que os antigos diziam: "chapa branca". No domingo, no entanto, a participação não contou com algum funcionário coagido. A manifestação foi absolutamente espontânea e não recrutada.

A indignação não foi contra a Petrobras, como insinuado na sexta-feira, que por trás estava um golpismo de privatização. A manifestação foi contra a incompetência de um governo que está arruinando o país. Um governo que insiste em dizer que não sabia do tumor corruptivo que corroeu as entranhas da estatal. Enquanto isso, o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou à Justiça, em acordo de delação premiada, que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, recebeu de 150 milhões a 200 milhões de dólares em propina de 2003 a 2013, por meio de desvios e fraudes em contratos com a Petrobras. "O dinheiro não aceita desaforo. O dinheiro não é “amigo” de uns, nem tem antipatia com outros. Ele não é um ente político nem partidário", afirma Geraldo Samor. E quando o partido perde nos argumentos, parte para a insinuação de uma falsa guerra entre pobres e ricos, convocando o seu proselitismo às ruas. O leitor deve lembrar que poucas semanas atrás, alguém do alto escalão, em um discurso para militantes, ameaçou convocar o exército de Stédile. 

Esses são dois parâmetros, apenas,  entre dezenas e dezenas, sobre o que aconteceu entre  sexta-feira e  domingo e o que motivou o povo a sacrificar um domingo (não um dia de trabalho, fica claro) e protestar nas ruas.

Lembrando, o que está em pauta é a incompetência do governo, a corrupção generalizada, o continuísmo de um partido,  a insegurança do cidadão nas ruas; as estradas esburacadas, os hospitais sem verbas e o total descrédito ao poder que governa o Brasil. 

Dizem que os atos de domingo são apenas o começo.  

 

Ficam algumas perguntas:

 

O que é esse exército de Stédile, segundo Lula?

Um mau gestor da economia pública, que se mostra incompetente e carrega nas entranhas acobertamento de corrupção, merece continuar no cargo?

O prejuízo da compra da refinaria de Pesadena, Texas, feito pela Petrobras, daria para construir 125 aeroportos,  cem hospitais ou milhares de escolas. Por que ninguém é responsabilizado?

Houve negociata entre holandesa SBM e Petrobras, concluiu a Controladoria Geral da União em fevereiro de 2015, envolvendo bilhões de dólares. Quem ficou com o dinheiro? Por que esse episódio caiu no silêncio? 

Quantos funcionários de confiança servem à presidência brasileira?

 

 

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