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O corpo como autobiografia

Por Lauro Patzer

 

Cada homem e cada mulher caminham em seu pequeno mundo individual. O corpo é a sua identidade. É também o primeiro instrumento de inserção social. Estudiosos procuram ler, cada vez mais, na linguagem corporal a verdadeira identidade da pessoa. Surgiram assim as duas ciências: a cinésica que estuda a linguagem do corpo em seus movimentos e a proxêmica, que observa o papel das zonas territoriais.

Julius Fast observa: "Todos nós, de uma ou outra forma, através de nosso corpo enviamos pequenas mensagens ao mundo". Há algo a ser considerado nessa afirmação. Nosso corpo nos delata, porque o rosto que apresentamos ao mundo raramente é o nosso rosto verdadeiro. Dia após dia exercemos cauteloso controle para que o nosso rosto, as nossas mãos, os nossos pés, enfim, nosso corpo  não bradem mensagens de coisas que precisamos esconder.

Uma jovem diz ao psiquiatra amar muito o namorado enquanto abana a cabeça de um lado para o outro num desmentido subconsciente. 

Assim, aqueles que vivem a contradição de um silencioso ou barulhento desespero, o vazio dentro deles, a carência afetiva, a auto-imagem mutilada, não se importando com a quantidade de bebida e a quantidade de comida ou quantidade de drogas que jogam para dentro desse vazio, isto é, para dentro do seu corpo  -  na verdade estão falando uma linguagem não-verbal por meio de atitudes com fundos angustiantes. O inverso também pode ser verdadeiro. Outros lidam com a sua angústia por meio da anorexia. Pessoas obesas ou excessivamente magras, na verdade, muitas vezes, podem estar dizendo através de seu corpo: - estou em crise! 

Há os que escolhem a negação como estratégia de vida. Determinado dia perguntei a um conhecido sobre o motivo de fumar tanto? Ele respondeu:  -  Fumar é a única coisa boa da vida!

A observação da linguagem corporal, vem ajudando a compreender o comportamento humano em seus meandros mais profundos no que se refere as suas reais necessidades.  Martim Buber escreveu: "A pessoa precisa de uma conversa real, um abraço real, um beijo real!"

As verdadeiras motivações têm raízes pessoais, íntimas. O ser humano necessita de aceitação, reconhecimento e valorização pessoal. Os velhos não podem sentir-se inúteis. Os adolescentes não podem sentir-se indesejados em suas casas e, talvez, principalmente, na roda dos seus amigos. As mulheres mais maduras não podem entregar-se ao desespero que os seus corpos não se encontram mais nos padrões de miss e de atleta. 

O cérebro comanda e influencia todas as funções do corpo. a pressão do sangue, os batimentos cardíacos, o sistema glandular e as dosagens de adrenalina; enfim, todo o sistema corpóreo. Estudos revelam a conexão entre depreciação  e moléstias cardíacas.Um corpo duro, rígido, sem graça, pode estar traduzindo os sintomas de depressão.

O nosso corpo, em todas as idades, é a nossa autobiografia ambulante, falando a amigos e estranhos sobre as nossas mínimas e máximas tensões.

O alívio de um conflito terminado, por conseguinte, é a melhor profilaxia. 

Nosso corpo é uma unidade maravilhosa. Precisa de cuidados. A malhação e a dieta precisam ser levadas a sério, como também a condução mental por lugares tranquilos. E muito importante: fugir de conflitos. 

Nosso corpo é o nosso patrimônio mais elevado. Nele residimos. Com ele nos relacionamos. Nele está a saúde ou a doença. A alegria e a tristeza. Nele está a nossa vida. 

Nenhuma mulher precisa ter um corpo com 90 de quadril, 60 de cintura e 80 de busto. Não tem obrigação de ser miss nem atleta. Da mesma forma nenhum homem tem a obrigação de "encarnar" um astro de Hollywood. Mas todos nós podemos tratá-lo com uma caminhada, com equilíbrio alimentar e protegê-lo de pensamentos negativos e derrotistas. 

 

Texto extraído do livro Por trás da janela fechada de Lauro Patzer (p.91-92). 

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