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As muitas correlações de Davos

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

As muitas correlações de Davos

 

Todo lugar acarreta uma certa identidade. Davos tem um conjunto de caracteres próprios e exclusivos a começar por sua localização geográfica como uma pequena cidade suíça nos pés dos Alpes e situada por um lago homônimo.  A periodicidade da neve durante o inverno é uma garantia que atrai e envolve o turismo. Mas a sua identidade não fica por aí. A natureza sozinha não basta. Precisa de estrutura, que por sua vez precisa de organização, ordem e segurança. E isso Davos tem sobrando. Ela tem a sua disciplina interior. E, sem esquecer, o terceiro traço que marca Davos e o seu caráter de centro intelectual do mundo (ironicamente desprezado e ironizado, mas, por quem?).

   Davos na semana dos grandes debates.

 

 

  O local de eventos de Davos

  Cenário ao anoitecer

 

  Do quarto do hotel o cenário de neve.

 

Davos, segundo o historiador Voltaire Schilling, identifica-se com a "Montanha Mágica" (Zauberberg, em alemão) que permeou o livro de Thomas Mann, publicada em 1924, que se passa inteiramente nos altos das montanhas que cercam essa cidade.

 

Schilling acentua a identidade de Davos como uma sede de grandes embates intelectuais: "O primeiro embate público entre o existencialismo e a metafísica, ainda que educado como um encontro de cavalheiros, deu-se em 1929, no seminário filosófico de Davos, na Suíça, em meio a uma paisagem montanhosa de tirar o fôlego. De um lado, frente a um público eletrizado como se fosse assistir a uma partida final de um campeonato, apresentou-se Heidegger, então com 40 anos, a mais brilhante cabeça da Alemanha daquela época. Do outro, na mesma mesa, estava Ernst Cassirer, com 55 anos, um filósofo neokantiano, descendente do patriciado judaico-alemão, um homem refinado e culto, aureolado com uma cabeleira branca, que ali estava para defender o patrimônio racionalista germânico do ataque que lhe movia a gente da Floresta Negra, propondo exatamente "extirpar a angústia daquilo que é terreno".

 

Schilling reforça à Davos o atributo de Montanha Mágica

 

"Os encontros enciclopédicos de Davos, retomados em 1969 por uma fundação, inspirados num destes momentos em que a realidade imita a ficção, procuram desde então anualmente recriar aquele clima de confrontos e de interação de idéias que Thomas Mann detalhou à exaustão nas 800 páginas do seu livro, e que Heidegger e Cassirer travaram in corpore em 1929. Simbolicamente, por detrás dessas reuniões, existe a mística de que as grandes soluções emigram dos altos, daquele lugares elevadíssimos que estão mais perto dos deuses, os verdadeiros inspiradores e iluminadores dos caminhos humanos. O que podemos esperar das incontáveis propostas de Davos (referindo-se aos encontros do Fórum Econômico Mundial criado em 1971 com sede em Genebra) é que neste século que ora adentra, serenadas as paixões ideológicas que devastaram o século XX, não nos percamos na noite e na neblina como parece ter sido o que aconteceu com o jovem Castrop (referindo a um jovem intelectual que foi a Davos tratar a sua saúde com caminhadas pelas paragens alpinas)".

 

  A eficiência do transporte ferroviário na Suíça;

 

A citação literal da obra de Voltaire Schilling revela a imagem latente e profunda de Davos, talvez, a mais autêntica para os intelectuais, muito além  da imagem do esqui, do sowbord e da figura intrépida do agente turístico.

 

Os dias do Fórum Econômico Mundial monopolizam Davos

 

Nesses dias do Fórum, a cidadezinha perde a sua rotina para dar lugar a um ritmo alterado e nervoso.  Esse ano, por causa dos atentados terroristas, a segurança ganhou dimensões expressivas. Há quase um segurança para cada participante.

  A seriedade da segurança no país. Foto: Der Bund, ch.

 

   Policiais distribuídos pelas estradas e ruas para assegurar a ordem durante o Fórum. Foto: Der Bund, ch.

 

   Rigoroso controle rodoviário aos que seguem para Davos.Foto: Der Bund. 

  A primeira impressão é de um ataque terrorista, mas, na verdade, é a segurança suíça.

 

Particularidades de alguns participantes

 

Dos 2.500 participantes da reunião neste ano, dezenas fazem a peregrinação à cidade mais alta da Europa há décadas. Wilfried Stoll, da empresa alemã Festo Holding GmbH, é o campeão: ele participou de todas as 36 conferências que ocorreram desde que compareceu pela primeira vez, em 1979, de acordo com os organizadores do fórum. Em segundo lugar da lista está o bilionário indiano Rahul Bajaj, que está participando da reunião --neste ano, de 21 a 24 de janeiro pela 35ª vez. Já o consultor imobiliário holandês Cornelis van Zadelhoff está de volta pela 34ª vez, o que o coloca à frente do produtor alemão de fertilizantes Helmut Aurenz, que vai pela 33ª vez.

  Rei da Bélgica, Phillippe e esposa Mathilde, como participantes do evento.  Foto: Der Bund.

 

 

Me divirto, diz bilionário indiano

 

"Todos me perguntam por que eu vou, e minha resposta é que vou para não fazer negócios", disse Bajaj, presidente do conselho da Bajaj Auto. "Vou porque aprendo muito. Encontro velhos amigos, faço novos amigos e me divirto".

 

Os assíduos frequentadores do Fórum

Oitenta pessoas tinham se registrado para 20 conferências ou mais até o ano passado, e quase 1.000 tinham participado mais de 10 vezes; esses recebem um broche de cristal para usar na lapela, junto com o alfinete distintivo que lhes dá acesso aos painéis e refeições.

O ex-secretário do Tesouro dos EUA Lawrence Summers já conta 22 participações. O investidor bilionário George Soros tem 21. Bill Gates chegará a 20 nesta semana.

O fundador Klaus Schwab, é claro, esteve em todos os 45 encontros desde a primeira reunião no recém-inaugurado centro de convenções de Davos, em 1971. Na época, o evento se chamava Fórum Europeu de Gestão e incluía cerca de 500 participantes oriundos de 31 países. Pelo menos alguns deles compareceram às duas semanas completas da conferência.

 

Empresas pagam centenas de milhares de dólares 

 

O Fórum em Davos decolou em tamanho e em custo as empresas pagam centenas de milhares de dólares para que seus executivos participem. Os custos com hotel, traslado, comida e bebida podem duplicar a conta. A cidade para. ( especificar melhor) 

A etiqueta de preço leva alguns críticos a dizerem que o fórum já não passa de uma celebração da riqueza e do livre mercado algo que os organizadores e muitos dos participantes negam.

"Ao longo dos anos, à medida que passava por distintos trabalhos, percebi que os bate-papos em Davos eram inigualáveis, devido à diversidade das pessoas", disse o ex-presidente do Banco Central Europeu Jean-Claude Trichet, um veterano que já participou de 22 sessões desde que foi pela primeira vez, na década de 1980, como diretor do Tesouro da França.

 

Oportunidade de novos negócios sempre 

 

 Kim Samuel-Johnson, diretora da The Samuel Group of Companies e, de acordo com o FEM, a mulher que mais participou dos encontros em Davos, 22 vezes, rememora que uma vez chegou atrasada para o almoço e o único lugar vazio era ao lado do arcebispo Desmond Tutu, consagrado com o prêmio Nobel da Paz.

 

Cor dos broches indica o nível de acesso dos participantes

 

Atualmente, a maior segurança e os rankings dos representantes os broches distintivos têm cores diferentes, que oferecem distintos níveis de acesso minaram a camaradagem de antes, de acordo com alguns participantes.

 

Para mim, editora Executiva Da Exclusive Brasil Mundo é um modo extremamente eficiente de empregar o tempo. O curioso de tudo isto é que Clientes, proprietários de meios de comunicação e governos estão juntos em um só lugar. Parece que vai nevar muito. Você pode conhecer alguém em um corredor ou quando for pendurar seu casaco.

 

Schatzalp Snow & Mountain Resort

 

A construção nostálgica em estilo Art Nouveau com sua atmosfera Belle Époque, já foi descrita no livro “Zauberberg” de Thomas Mann. O estabelecimento foi inaugurado em 1900 como uma casa de repouso de luxo e, mais tarde, tornou-se um hotel das montanhas. A alma da construção sua arquitetura foi preservada em sua forma original até os dias atuais. Villa Guarda a antiga residência de um médico e o chalé exalam um novo esplendor com suas suítes luxuosas. Com o trem Schatzalp, a Montanha Mágica fica a apenas quatro minutos do cento de Davos. Acesso wi-fi gratuito em todo o hotel, inclusive nas áreas de esqui Schatzalp/Strela.

 

 

 

 

 

   Ticket do trem (bondezinho para umas 30 pessoas) que sobe aos Alpes.

 

 

Histórico Hotel

 

Eleito Hotel Histórico da Suíça no ano de 2008, foi inaugurado em 1900 como uma casa de repouso de luxo. A arquitetura deste hotel foi preservada em sua forma original. O Schatzalp proporciona experiência cultural e o convívio com uma natureza magnífica por meio da cozinha e da adega que oferecem deleite ao paladar. Por dez anos, Kaiser Wilhelm II alugou três quartos que foram preservados no estilo Art Nouveau/Belle Époque. Além de tudo, Thomas Mann mencionou este hotel no romance “A Montanha Mágica”.

 

Certificado pela ICOMOS - Hotel histórico de 2008


O Schatzalp foi eleito Hotel Histórico de 2008 “em reconhecimento a habilmente preservada construção do hotel histórico e a sua autêntica mobília, assim como à recuperação dos jardins botânicos Schatzalp Alpinum. A gerência do hotel continua transmitindo a história do local a seus hóspedes, bem como o mito da montanha encantada de forma tão convincente e entusiasmada, que, uma visita ao Schatzalp, inevitavelmente, torna-se uma experiência memorável”. 
Localizado a 300 metros acima de Dazos, o Schatzalp é o lugar ideal para todos que precisam de paz e tranqüilidade, que valorizam a natureza e que querem vivenciar a história. Este hotel histórico e seus arredores alpinos modelam um ao outro. O funicular original, construído ao mesmo tempo em que o hotel era erguido, ainda é utilizado para atrair hóspedes. O Schatzalp foi concebido como uma casa de repouso de luxo e foi construído pela empresa de arquitetura Pfleghard & Haefeli. O hotel foi inaugurado em 1900, como principal destino de pacientes estrangeiros com tuberculose que podiam custear o tratamento exclusivo. O enfoque da terapia naqueles tempos era aumentar a exposição dos pacientes à luz solar – motivo pelo qual o prédio é virado para o sul. Sua fachada de mais de 100 metros lembra terraços ao abrigo do vento. Aqui, nas lendárias espreguiçadeiras amarelas de Davos, os pacientes descansavam enrolados em cobertores por dias a fio, deleitando-se sob o sol e com o ar fresco das montanhas. Avanços na medicina levaram ao fechamento da casa de repouso nos anos 50. No entanto, já em 1954, o Schatzalp foi reinaugurado como um hotel de 92 quartos, depois de uma cuidadosa restauração. Grande parte da construção original permanece, incluindo a instalação original com elevador de 1900. O interior cativa os olhos com seus salões sociais em estilo Art Nouveau e com suas peças originais dos banheiros históricos parcialmente restaurados. Outros itens de qualidade adicionados como, por exemplo, mobília da época datam da transformação de 1954.

 

O efeito Suíça no mundo

 

Como se viu até aqui, a Suíça é mais do que chocolate, neve, frio, Alpes e relógios. A Suíça é também política, neutralidade, segurança e intelecto. Boa parte das grandes personalidades do mundo a elegeram e ainda a buscam para torná-la a sua pátria de final de vida. Hoje, de cada três habitantes, um é estrangeiro. Ser imigrante suíço não é tão fácil. Mas Charles Chaplin, talvez, o maior ícone do cinema, não quis saber de burocracia e ao ser banido dos Estados Unidos foi direto ao país dos Alpes, dos lagos e da segurança. Ali se estabeleceu com a sua jovem esposa, Oona O`Neill, 40 anos mais nova e viveu os seus últimos 20 anos, considerados pelo seu filho Michael Chaplin como os mais felizes. Faleceu em 1977 e a seu pedido foi enterrado na Suíça. Mais tarde, o corpo da sua última esposa, Oona passou a fazer-lhe companhia.

O piloto alemão, Michael Schumacher, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1 da FIA, aplicou parte da sua na Suíça, comprando uma gigantesca mansão de 2.200 metros quadrados, com mais de 40 quartos e 29 vagas na garagem, onde guarda a sua coleção de carros elegantes e esportivos. Ironicamente, foi no esporte típico desse país que se acidentou de forma quase irreversível.

 A brasileira Ana Cristina Kolb, moradora na Suíça afirma: "Meu Deus, como amo o silêncio deste país. Hoje quando viajo para grandes cidades, onde tem muita gente aglomerada, no meu primeiro dia fico até com dor de cabeça porque aqui escuto literalmente o silêncio. Como as casas são bem isoladas, devido aos invernos rigorosos, os vidros das janelas em geral são duplos, para não deixar o calor dos aquecedores sair. Naturalmente o suíço não gosta de barulho e é muito chato em relação a este quesito, eu só posso dizer que eu sou grata por poder escutar o silêncio. Tem mais. A Suíça é limpa (exceto quando passam alguns turistas de um determinado país).  Eu digo sempre que a Suíça não é limpa, ela é esterilizada. E olhem para a qualidade dos passeios e do asfalto? Simplesmente maravilhoso dirigir e andar a pé aqui!". "Os suíços não são calorosos, não são de gestos emotivos, mas são “extremamente” educados, falam baixo, respeitam o espaço dos outros, respeitam as regras e as leis, não jogam lixo no chão, não são de deixar bagunça por onde passam, não falam alto ou fazem movimentos bruscos, são calmos em geral, pelo menos na sua forma de expressar".

Um belo depoimento que eu não poderia deixar fora nesse meu apanhado de viagem pela Suíça e, principalmente, Davos. 

 

   Os lagos azuis cercados com a vista das montanhas cobertas de neve constituem o cartão postal suíço. 

 

    A beleza da neve sobre a pacada cidadezinha.

 

 Carinho e acolhimento nos Alpes ... os gatinhos agradecem.

 

 Alguns pratos típicos da suíça.

 

  Provei e gostei... uma delícia!

 

 

Expectativas em Davos

 

Embora cada pessoa encontre expectativas muito diferentes nos diversos ambientes de Davos, nesse evento do Fórum, a interação entre os participantes é sempre notória. O ambiente da cidade e sua atmosfera envolve a todos.

Eu, particularmente, ao subir a montanha tive sensações inusitadas. À noite, a neve literalmente brilha como se constituída de milhares e milhares de pequenas luzinhas. Não só isso, mas o ar, parece mais leve, mais puro. O ambiente da montanha irradia mil emoções gostosas em uma metamorfose de beatitude e paz. Tudo inspira. Enfim, a gente sente a vida de forma diferente. Isso atesto por mim mesma. Não é por nada que é um dos lugares muito procurados pelas mais diferentes pessoas. Alguns, apenas, para desfrutar a natureza.

 

 

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