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Uma carta datilografada

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Desde criança sempre me agradava contemplar as coisas antigas. Um velho despertador, desses que precisava de corda manual todos os dias. Os quadros de parede com o rosto sisudo de senhoras sóbrias e senhores respeitáveis. As canetas de tinteiro. Os despertadores e relógios de parede. Finalmente, as máquinas de escrever, sempre em algum lugar de destaque dentro das casas, altivas em sua utilidade e simbólicas em sua representatividade.

Dias atrás, tive uma surpresa. Alguém havia colocado debaixo da porta do meu escritório uma carta. Algo incomum em nossos dias. Mas não era uma carta qualquer. Nem se tratava de um desses envelopes bonitinhos, digitalizados, com um logo colorido, mas absolutamente descartável. Era uma carta datilografada! Repito. Datilografada! Não sei com que marca de máquina ela foi escrita, uma Olivetti, Lettera, Royal ou Remington? Até gostaria de saber... mas o importante é o autor e a sua motivação.

Foi escrita por um primoirmão do meu avô Hermes, Paulo Pereira de Souza, geólogo, sobre o meu recém-lançado livro, que continua repercutindo. Segue a transcrição de um trecho:

"Respeitosamente venho cumprimentá-la pelo excelente trabalho profissional sobre a vida e a obra política do meu saudoso primoirmão HERMES PEREIRA DE SOUZA, o parlamentar temido e muitas vezes denominado "ponta de lança" por sua habilidade e inteligência, que lhe eram inatas, conseguindo sempre pacífica e politicamente solucionar difíceis situações ou contendas ou divergências políticas tanto na esfera parlamentar estadual quanto na federal".

Paulo continua: "Também aproveito aqui para mandar um abraço à Maria Tereza, vossa progenitora, que, quando ainda pequenina, chamava o Hermes de "paiiinho" carinhosamente, eu bem me lembro disso tive bastante convivência com eles todos e a Célia".

É impossível não ficar emocionada com essas alusões sobre o meu querido avô. Lamento não ter tido contato com o Paulo durante a redação do livro biográfico.

Mas a vida é assim mesmo. As coisas quando se tornam públicas geram efeitos multi-direcionais. A bela carta, que recebi, é um exemplo. O Paulo leu a notícia sobre o livro no jornal, no site da Exclusive e acompanhou a repercussão. Sentiu-se atingido, motivado e sentou-se frente à máquina para datilografar, com muita clareza, a carta que chegou às minhas mãos. Afinal, o Paulo faz parte da história do Hermes, meu avô. Ele é da família.

Uma experiência assim estimula. Sim, vale a pena escrever um livro. Se não o tivesse publicado, com certeza, jamais teria recebido uma carta tão bela!.

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