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Quanto vale o latido e o ronronar dentro de casa?

Por Lauro Patzer

 

Os bichos estão em alta. Isso vale a todos os animais. Cada vez mais eles entram em nossas casas. Seduzem-nos e nos conquistam. Cães e gatos são parceiros humanos antigos, mas o seu papel social, hoje, ganha proporções de membros da família.

Há muitas histórias e fatos relacionados com eles, tornando-se até artistas de cinema. Quando se fala em cães artistas, os mais velhos lembram Balto, Lassie, Rin Tin Tin. Já os mais novos conhecem Abbey, Marley, Hachi. Lassie é o nome da cadela da raça collie que encantou com o filme “Lassie Come Home”, nos anos 40 ou, anteriormente com “As aventuras de Rin Tin Tin”, cuja estrela era um  pastor alemão. Mas fartamente exibidos nos anos 50 e 60.  E, recentemente, através de uma narrativa em primeira pessoa, John Grogan relata a história real de seu cachorro da raça  labrador chamado Marley e sua participação durante treze anos na sua vida. O livro virou filme, “Marley e Eu”, com Owen Wilson e Jennifer Aniston fazendo o papel de John e Jenny, casal apaixonado, que estavam começando a vida juntos, sem grandes preocupações, até levarem para casa Marley, um fofinho de pelo que logo virou um cachorro grandão, desajeitado e incorrigível que arranhava paredes, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo que pudesse, transformando a vida do jovem casal em um pesadelo, colocando-os ao ponto de quase se separarem.

 Peposo, chow chow, orgulhoso, ciumento, mas humilde, amigo companheiro e leal

 

Mas, no final, Marley conquista seus corações com pureza e lealdade. Quem não riu muito e chorou no final do filme? Ou se emocionou ainda mais com a devoção e a lealdade de Hachi, o akita no filme "Sempre ao seu lado"? Muitas vezes, o relacionamento construído nos sets de filmagem se torna tão intenso que, mesmo com o filme pronto, os laços construídos entre ator e bichinho permanecem, como com o ator Will Smith e a cadela Abbey, a pastora alemã que interpretou Sam no filme "Eu sou a Lenda". 

   Foto: Sandra Beckefeld.    A alemã Christiane von Deetzend  brincando com Michling

 

Mas foi Balto, um husky siberiano, de uma história verídica, que protagonizou um ato heróico liderando uma matilha de cães em 1925, em meio a uma tempestade de neve e levou o soro contra a difteria para os habitantes de uma aldeia a outra isolada num trajeto de 1050 Km. Em 1995, um filme de animação descreveu a trajetória do cão. A referência maior de Balto é a estátua esculpida por Frederic Roth, erguida no Central Park em Nova York, com a qual se imortalizou.

    Um busto no Central Park, Nova York, homenageando Balto

A lista de histórias sobre cães e gatos e outros bichos é longa e não pertence apenas a pessoas sensíveis, crianças ou protetores de animais. Adolf Hitler, apesar de seus muitos atos desumanos, tratava com ternura o seu pastor alemão, Blondi. Schopenhauer, o mais circunspecto, sisudo e rançoso pensador do século XIX, que evitava contato humano, adotou um cãozinho poodle de nome Atmam. Nos últimos anos de sua vida, caminhava pelas ruas de Frankfurt acompanhado pelo seu fiel parceiro. Dizia, “os cães, contrariamente ao que ocorre entre os homens, não usam máscaras. E, por isso, merecem mais credibilidade”. Um crédito bastante parecido ao do presidente João Figueiredo, que afirmou ser mais fácil lidar com um cavalo a lidar com um homem. Jean-Jacques Rousseau, filósofo do século XVIII, abandonou cinco filhos, mas não largou seu cachorro Sultan. Inspirado em Rousseau, o filósofo australiano Peter Singer defende a igualdade plena de direitos entre homens e animais. Para ele, “a ideia de que os humanos são superiores aos demais seres é uma forma de racismo”. 

   Médica Christine Theiz zela pela sua forma e pela forma física dos seus amigos caninos.

 

    Marcos Bauyer com seu amigo Chester

 

Longe da polêmica, muitas celebridades não estão preocupadas com a tese hierárquica dos bichos. Simplesmente curtem a companhia deles como a übermodel Gisele Bündchen, que passeava com sua yorkshire Vida. E a apresentadora Xuxa Meneghel levava seu companheiro, o cãozinho Dudu, para tudo quanto é tipo de passeio. Já a atriz Susan Sarandon levou a sua cadela maltesa Penny para assistir o desfile da estilista Donna Karan na Semana de Moda de Nova York.  Até mesmo na Casa Branca, Sunny e Bo, da raça cão d'água português, integram a família presidencial americana. Uma alegria para Malia e Sasha, filhas de Obama.

 

Os bichos também não estão aí para as ideologias ou diferenças sociais. Eles adoram a companhia humana e enxergam na pessoa o seu provedor de comida,  o seu amigo, o seu sinônimo de abrigo, segurança, brincadeiras e carinho.

Essa experiência eu confirmo por conviver com quatro espécimes de quatro patas. Caminham sob meu teto o Peposo, um chow chow com aspecto leonino, porte digno, orgulhoso e ciumento, mas humilde; de comportamento tranquilo, leal, sensível e boa companhia. Ao seu lado circulam o Tuco, o Teco e o Boby, três felinos sem raça definida, cada um com personalidade muito distinta. O Tuco um observador profundo, o Teco um eterno pedinte e o Boby, uma individualidade inteligente, altiva e dominante. Os três são fãs do Peposo, sempre propensos a fazer-lhe um charminho.  E os quatros juntos não me poupam em seu olhar o pedido de atenção e, de preferência, para envolvê-los em brincadeiras. Seu status é de membros da família e como tal, quando doentes ou tristes, preocupam. 

 Neo-hippie? Paz e amor e uma flor.... bonito!

 

Mais que amigos, os bichos de estimação, hoje, são vistos como filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. Em decorrência do conceito, surge um grande mercado paralelo. Um dado sobre cães e gatos no Brasil, constata que, juntos, eles comem em torno de 1,8 milhão de toneladas de ração por ano, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação. A população de ambos, segundo a mesma entidade, chega perto de 50 milhões de indivíduos tendo a sua disposição 40 mil pet shops espalhados pelo país. Essa revisão de costumes passa a contar no orçamento familiar, porque, como membros, precisam de acompanhamento médico veterinário e, em certos casos, até psicológico e psiquiátrico. Quando morrem, a tendência é honrar a sua memória.  Em São Paulo foi construído o Pet Memorial, o cemitério exclusivo para os animais de estimação, que realiza em média trinta velórios e 200 cremações por mês. O modelo já foi adotado por outras cidades.

 

  Nesta foto de Antonio Arruda uma saudosa lembrança para a gatinha Jéssica.

 

Sem dúvida, o latido do cãozinho e o ronronar do gatinho dentro de casa já não são mais os mesmos. Eles têm um custo inevitável. Mas vale a pena. São amigos, carinhosos, brincalhões e leais. Pena que sua companhia é tão curta!.

Por isso, quando morrem, choramos e sentimos a sua falta. 

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