logo
barraCinza
barraBranca

O Ressuscitador da Natureza

Por Ranieri Maia Rizza

 

Para quem olha as peças feitas por Hugo França, o termo “natureza morta” em muitas vezes pode ter outra compreensão. A de resíduos florestais encontrados pelo designer – e também artista – e que são transformados em um mobiliário e esculturas que ganham exposições permanentes e temporárias no Brasil e em outros países. No momento, Hugo é o únicobrasileiro a estarnamostra Against the Grain: Wood in Contemporary Art, Craft and Design, no Museum of Arts and Design (MAD), em Nova York.  Esse respeito mundial acontece por esse modo sustentável e o resultado estético primoroso nas obras utilitárias e artísticas do porto-alegrense, que de São Paulo, onde residia, foi no início dos anos 80 para Trancoso, no sul da Bahia, e encontraria a matéria-prima que mudaria a sua trajetória.

O engenheiro conheceu a árvore pequi em uma reserva dos índios pataxós. Dos galhos mortos (daí o trazer a vida a eles) encontrados na floresta, Hugo iniciaria a arte que oconsagraria. “Em Trancosotive a oportunidade de aprender muito e  de conviver com a comunidade que fica naquela região importantíssima da Mata Atlântica. Descobri um talento que carregava comigo desde criança e o pequi vinagreiro, árvore que fornecia a madeira para os índios pataxós entalharem suas canoas. E foi através desta, associada  a um conceito de sustentabilidade, que no começo dos anos  90 comecei a conceber minhas primeiras  peças”, conta Hugo, que ficou uma década em Trancoso e onde hoje tem o seu atelier.

Hugo é adepto da linha brutalista, mantendo na conclusão de suas obras a forma estrutural, com os vincos e sulcos originais dos galhos. “Minha inspiração sempre parte das formas orgânicas dos resíduos orgânicos das árvores. Todas as peças sempre foram produzidas a partir de resíduo florestal, sendo 95% das peças em pequi vinagreiro”, afirma ele, que destaca artistas e designers contemporâneos como Franz Krajcberg, Zanine Caldas, IsamuNoguchi, George Nakashima e Alexandre Noll.

Com seus funcionários, ele garimpa áreas da região em busca das árvores mortas, que podem chegar a pesar toneladas. Os formatos naturalmente rústicos elaborados por Hugo criaram peças disputadas no mercado internacional. Um grande acervo está no Parque Brumadinho, em Inhotim, Minas Gerais. Sua cidade natal, Porto Alegre, recentemente pode conferir a sua arte, em exposição na Bolsa de Arte. Mas Hugo não para na elaboração de seus projetos, sempre envolvido com sustentabilidade. “Meu foco principal é o projeto de reaproveitamento de resíduos de árvores urbanas, para transformá-las em mobiliário público. E meu atelier continua com uma produção constante de reaproveitamento de resíduos florestais”, nos conta o artista da floresta.

 

 

Arte - Artesanal - Escultor

institucional anuncie contato