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Seis tiros por causa de um gol contra

Por Lauro Patzer

 

Em vésperas de uma decisão de vaga contra o Brasil, a Colômbia é assunto no futebol e fora dele. Fora das quatro linhas este esporte já rendeu muitas histórias. Algumas trágicas. O jornal Die Zeit da Alemanha, em sua coluna esportiva, destaca nesta quarta-feira, (2), o paroxismo sanguinário do futebol quando ultrapassa o limite esportivo. O jornalista Von Goldmann abre o artigo com o título "Seis tiros por causa de um gol contra". Vinte anos atrás, Andrés Escobar, jogador da seleção colombiana foi assassinado. Um homem surge da escuridão, grita Goooool, o atleta olha para trás e vê uma arma apontada em sua direção. É Humberto Muñoz Castro, um fanático, que dispara seis tiros. A provável causa da sentença de morte foi o gol contra diante dos Estados Unidos, jogo que eliminou os colombianos da Copa de 1994. Tinha 27 anos. Era tido como jogador calmo, educado e muito técnico, considerado um símbolo. Chegou a ser campeão da Libertadores da América em 1989. Seu cavalheirismo fora de campo e sua técnica com a bola, não conquistou apenas títulos, mas a admiração de todos os colombianos.

O episódio, hoje, projeta conjeturas. O ambiente em torno da seleção, nesta semana, é igual há vinte anos. A euforia tomou conta do país. Em 1994 a Colômbia estava com a sua melhor geração da história com craques como Valderrama, Fred Rincón e Asprilla. Nas entrevistas durante  a semana, a população revelou-se convicta da conquista do mundial. Conquista que requer para esta sexta-feira um único resultado: eliminar o Brasil.

Pausa para o assunto. Vamos pensar um pouco. Vamos imaginar os dois lados, o Brasil e a Colômbia. Caso o Brasil perder, o que vai ser de toda a mídia montada? O que será do resto da Copa para os brasileiros? Quantas cabeças voarão como culpadas pela tragédia nacional? E do lado colombiano, caso de derrota? Haverá um novo Escobar para executar?  

Enquanto isso, uma ONG na Colômbia organizou um debate "Vinte anos sem Escobar", ao longo desta semana. A homenagem contará também com exposição de filmes e fotos sob os acordes da música Hasta Siempre, criada para homenagear o atleta que levou seis tiros por causa de um gol contra.

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