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Um vínculo com Assis Chateaubriand

 

Assis Chateaubriand foi um dos homens mais falados nas décadas 1940 e 1950. Chegou a reunir dezenas de jornais, revistas e estações de rádio, foi também pioneiro da televisão no Brasil, criando a TV Tupi em 1950, graças ao seu audacioso temperamento. Basta dizer que aos quinze anos já estava na Faculdade de Direito, em Pernambuco, onde se tornou professor precoce. Cedo começou a escrever para jornais locais. Com talento para falar e escrever, junto com um ímpeto muito ativo, cresceu profissionalmente.

Em 1915 muda-se para o Rio de Janeiro. Nove anos depois assume a direção de um jornal, que será o embrião do Diários Associados: 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal, O Cruzeiro, a mais importante do Brasil naquele tempo e revistas infantis e uma editora.

Em 1930 dá apoio a Getúlio Vargas, fato que abriu vários privilégios junto ao presidente. Fez amizades com o conde Francisco Matarazzo, Alexander Mackenzie (presidente da Light & Power) e o empresário americano Percival Farquhar. Mas seu temperamento forte, por outro lado, criava também inimizades e contrariedades. No meio desse vendaval ele continuava seguindo em frente. Em 1941 estimulou o transporte aéreo com a frase "Deem asas ao Brasil". 

Como pessoa culta ajudou vários escritores e apoiou os envolvidos no movimento modernista brasileiro com Cândido Portinari e outros.

Esta descrição do perfil de Assis Chateaubriand tem para mim uma motivação. Ele foi amigo do meu avô Hermes Pereira de Souza, no Rio de Janeiro e em Brasília. Meu avô, naquele tempo, exerceu três mandatos de deputado federal. Ambos tinham ideias e um temperamento em comum. Meu avô é meu ícone. Ele é tema de um livro que estou escrevendo e devo-lhe o seu legado. Este legado quer estendê-lo de forma cultural, seguindo também os passos do seu amigo Assis.

Mas a história continua. Hoje, o amigo do meu avô está representado pelo seu neto, Bruno Chateaubriand, que, por sua vez é meu amigo e meu parceiro de projetos culturais. Desta feita, minha presença na Normandia, onde me encontro agora com minha equipe, para cobrir as várias comemorações dos 70 anos do desembarque dos aliados, relativo a data de 6 de junho de 1944, liga-se ao país adorado por Assis, apelidado de Chatô.  Ele admirava tanto a França, que em homenagem a cidade de Bayeux, a primeira a ser libertada pelos aliados, persuadiu o interventor (governador da época), Rui Carneiro, a batizar de Bayeux uma pequena cidade emergente na Paraíba. Esta atitude foi admirada pelos franceses. Daria para dizer, com um pouco de exagero, que  a França se vinculou ao Brasil, como os americanos se vincularam à França com a Estátua da Liberdade.

Onde quero chegar com a história. Quero evidenciar essa bonita cadeia de vínculos, começando com meu avô e Assis Chateaubriand, que confluiu para a vida dos seus netos.

Minha cobertura jornalística na França ganha mais significado com essa alusão. E com ela homenageio a pessoa do meu avô, a quem devo quase tudo o que sou hoje. E, com certeza, o Bruno, meu amigo,  por sua vez, carrega consigo o legado de Assis Chateaubriand.

E com isso nossos avós estão homenageados.

Esta história renderá no Rio de Janeiro um evento comemorativo.

 

Themis Pereira de Souza Vianna

 

 

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