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Um dia para não esquecer

Por  Lauro Patzer

 

A manhã não podia ser melhor. Um lindo sol com temperatura amena pairava sobre a Normandia. Cedo, ainda meio dormindo e sem café tomado, me desloquei da cidade de Bayeux para Colleville-Sur Mer acompanhado pelo fotógrafo André Soares. A revista Exclusive Brasil Mundo nos levou à França para essa finalidade: registrar, testemunhar, fotografar e escrever sobre a comemoração dos 70 anos do assim chamado Dia D. Nunca antes tivemos uma experiência de tamanha magnitude começando pela montagem de um rigoroso protocolo de segurança.  Determinada altura, todos tinham que descer dos seus veículos e deixá-los ali para entrar em ônibus especiais que se sucediam em comboio. A regra valia para todos.

Ao chegarmos ao cemitério americano, diga-se um gigantesco parque verde para visitação, o comboio trancou para outra etapa de segurança. Depois de descer, enfrentamos a fila da segurança pentefino americana. Finalmente, o último filtro, a entrada no espaço montado para Obama, presidente dos Estados Unidos.

 Cemitério Americano Colleville-Sur Mer 

 

Durante o deslocamento meus pensamentos brotavam  de todas as lembranças acumuladas e de tudo o que estudei e li sobre a história da Segunda Guerra Mundial desde os remotos dias da infância.Tempos da professora Lony Borgman, da professora Helena Dembinski do então Grupo Escolar Irineu Evangelista de Souza da pequenina Erebango, nomes e o lugar que guardo com carinho. Mas o que um guri de oito ou nove anos entende de história? Ou melhor, como ele a sente?  Sei que decorei o que as professoras exigiram: "O Dia D é o dia 6 de junho de 1944 quase no fim da Segunda Guerra Mundial" e ponto. Dentro dessas lembranças agitava-se inquietamente a pequena sigla, Dia D. Agora, depois de muitos e muitos anos, eu estava vivenciando algo superior, diferente, pois me encontrava no lugar do combate. A história e o Dia D estavam metamorfoseados. O sentido era outro. O pé de trigo no seu broto é diferente ao pé do trigo maduro para a colheita.

O evento foi impecável porque contava com a sua essência começando com a magia do local prestigiado por um dia muito lindo. Havia diante de mim um imenso palco e o direito ao primeiro plano foi dado a eles: os soldados sobreviventes, hoje, todos nonagenários e a maioria com cadeira de roda.

Apesar do seu profundo cansaço da longa vida, eles estavam ali, como últimas testemunhas vidas da hecatombe. E da minha parte, estar lá e enxergar essa sobrevivência nos entregando o breve restante de suas vidas, foi algo que comoveu o público. Cabe um detalhe. Sob os acordes da Banda Americana ao vivo, muitas foram foram às lágrimas.

O cenário estava pronto para ouvir apenas dois discursos. O primeiro do presidente francês e o segundo do presidente americano.

Mas o clima do ambiente tinha tudo para emocionar. Antes da solenidade oficial, a apoteoso de segurança com cinco helicópteros militares, outro voando em círculos, para aguardar o helicóptero do Obama. Desceu o primeiro, o presidente não estava. Desceu o segundo, minutos depois. Nada. Depois desceu o terceiro e em poucos instantes apareceu o líder mundial cercado de seguranças.

Falaram ambos. Mas o Obama cativou o público, interagiu com os veteranos, e foi várias vezes interrompido com aplausos. Foi o homem do momento. A televisão mundial estava ali e levaram as suas imagens aos cinco continentes.

A história das batalhas da Normandia e a vida dos que lá ficaram estava ali, naquele cemitério e foi devidamente mais do que lembrada. Foi vivida pelo público presente. Um evento impossível de esquecer.

Um final vitorioso. O público gostou. Aplaudiu.  

O colega André conseguiu chegar a dois metros de Obama com as lentes de sua câmera. Além de fotografar todas as situações da comemoração, que ao longo das semanas iremos oferecer aos nossos leitores, realizou esta façanha de proximidade.

Cansados de uma cerimônia que nos custou mais de oito horas em pé que castigou ossos e músculos, o André confessou: "Esta cobertura foi o maior trabalho da minha vida". Respondi: "Meu também".

 

 

 

 

 

Dia D - Normandia

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