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Leilões milionários

Por Lauro Patzer

 

   Um dos aspectos que ajuda a entender o comportamento humano é olhar o resultado das principais casas de leilões do mundo, entre elas, a Sotheby's e a Christie's. Os valores são impressionantes. O segundo homem mais rico da China, Wang Jianlin, arrebatou a obra “Claude e Paloma” de Picasso por vinte e oito milhões de dólares. Mas o valor pago pelo chinês não chega à metade ao quadro “Os Lírios”, de Van Gogh, leiloado em 1987, por cinquenta e três milhões e o ”Retrato do Doutor Gachet”, do mesmo artista, leiloado em 1990, foi adquirido por oitenta e dois milhões de dólares. Estes foram ultrapassados em novembro de 2013, por uma obra do artista pop americano Andy Warhol, "Silver Car Crash", comprada por cento e cinco milhões de dólares em um leilão da Casa Sotheby's de Nova Iorque.

   O escritor americano, Dominick Dunne, em seu livro “O Crime do Século”, penetra na alma humana e com o perfil da protagonista, Ann Grenville, mostra que as obras de arte, em certos casos, servem apenas como pretexto para mostrar grandeza. Assim ele a descreve nas suas apresentações: “Esta taça chinesa pertencera um dia a Magda Lupescu. Aquela escrivaninha ali no canto pertencera a Maria Antonieta. O relógio na parede fora dado à imperatriz Elisabeth da Áustria pelo rei Ludwig da Baviera”.  Ann Grenville era o tipo de mulher que casara com um bilionário, gostava ser vista no melhor assento da melhor mesa nas melhores festas. Não importava a obra de arte em si. A obra valia pela sensação de luxo que ela sentia ao apresentar a história de suas possessões e a relação delas com os antigos proprietários de linhagem aristocrática. Este comportamento tornou-se conhecido com a síndrome de Grenville.

   O escritor de forma perspicaz revela a força do poder simbólico dos objetos materiais como meios de afirmação social dentro de um estilo de comportamento com associação à grandeza.

   Mas há outras motivações para ir ao leilão. O que dizer quando um adquirente desembolsa muito dinheiro para comprar um objeto totalmente descartável? Quando a peça leiloada não é obra de arte, nem um documento histórico, às vezes, apenas um pedaço de papel ou um rascunho de caderno; um velho sapato ou uma guitarra destroçada? Você pagaria cinco mil dólares por um lenço de papel sujo, usado para limpar o nariz? A princípio não, mas, de repente, tu e eu, poderíamos mudar de ideia. Claro, dependendo do nariz que o usou. O lenço leiloado tornou-se afortunado por causa do nariz extraordinário que o protagonizou. Nada menos que o da mulher eleita várias vezes como a mais sensual do mundo, a atriz Scarlett Johansson. O uso aconteceu durante uma entrevista em um programa de televisão. Naquela noite a linda atriz estava resfriada. Com muita discrição expeliu as secreções no lenço e cuidadosamente o descartou. O inofensivo e corriqueiro ato foi visto por alguém que sabia que tudo o que parte de uma celebridade vale dinheiro. Sutilmente, no momento adequado, foi ao lixo e se apropriou do objeto com a convicção de ter em mãos um pequeno tesouro. Levado ao leilão, o lencinho foi comprado por um fã, que desembolsou cinco mil dólares sem preocupar-se com o risco de alguma infecção viral.

   Velhos cadernos também podem ser bem leiloados. Um rascunho do tempo de adolescência de John Lennon foi arrematado por cento e vinte quatro mil dólares. Um par de sapatos usado em 1939 por Judy Garland, em uma cena do filme Mágico de OZ , foi leiloado por cento e sessenta e cinco mil dólares. Mesmo um objeto quebrado, como a guitarra remendada com fita crepe, que fora destruída por Kurt Cobain durante um show em Nova Jersey, alcançou a quantia de cem mil dólares, pago por um fã em leilão do Experience Music Project, em Seattle. 

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