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INSPIRAÇÃO NA ÁGUA

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Chiara Salomoni traz lindas e criativas fotos, que foram tiradas dentro da água. Seu trabalho chama atenção pelo grau de dificuldade em obter os registros e pela beleza dos mesmos. Para a fotógrafa, o ato de lidar na água é como jogar com novas regras. Talvez seja por isso que goste. A italiana, que tem 25 anos e nasceu em Morbegno, cidade próxima ao Lago Como, mas vive na Califórnia, tem sua marca em efeitos surreais. Além da sua paixão pelas artes visuais, Chiara é uma viajante. Sua carreira é inteiramente influenciada pelas viagens que fez e lugares por onde passou. Veio daí sua paixão pelo mergulho e a ideia de elaborar uma série fotográfica.

 

“A água reage à luz de uma maneira muito diferente do ar, muito mais devagar”, define Chiara. A brasileira Renata Simas Gueller, que ilustra este ensaio feito nos Estados Unidos, diz que a fotógrafa usa pessoas criativas como modelos e que ensaia muito com elas os movimentos antes de iniciar a sessão.  Por sua ênfase em elementos como luz, sombra, movimento e dramaticidade, o trabalho de Chiara remete às pinturas e personagens de contos de fadas. A exuberância de suas fotos consiste na combinação da luz e das sombras com a atmosfera lúdica e também uma ligeira semelhança com os quadros de Rembrandt (1606-1669), que tratou a sua pintura dentro de uma arte realista trabalhada com efeitos de luz, conferindo às suas telas uma força dramática e uma intensidade de expressão acentuada por vigorosos efeitos de iluminação, que criavam a forma e o espaço. Chiara conversou com Exclusive Brasil Mundo sobre seu trabalho.

 

 

Exclusive Brasil Mundo: Como surgiu a sua ideia de fazer fotografia subaquática e como convencer as modelos a embarcar nessa ideia?

Chiara Salomoni: A fotografia subaquática foi o primeiro motivo que me fez entrar na área da fotografia. Queria mergulhar e ao mesmo tempo trabalhar na área de artes visuais. Fotografar pessoas embaixo d’água é um conceito que veio depois, quando percebi que não gostava de fotografar pessoas. Decidi tornar a atividade mais divertida, então comecei a experimentar em uma piscina, usando um de meus colegas de quarto como meu primeiro modelo. Fazer com que as pessoas posem para o meu projeto não é difícil. A fotografia subaquática é algo divertido. Desgastante para as modelos, mas mesmo assim é divertido. Você pode pegar qualquer conceito e brincar com ele sem ter que lidar com a gravidade. Você pode posar em pé, sentado ou voando, sem limites, a não ser o pouco tempo disponível. É isso que eu acho que mais atrai as modelos.

 

EBM: Como e por que você criou essa linguagem visual?

CS: Eu só queria poder estar na água o máximo possível. A fotografia foi a melhor opção. É onde posso me divertir, criar imagens e mergulhar o quanto eu quiser. 

 

 

EBM: É notado que você faz muitos trabalhos com fotos inclinadas. Que linha de composição ajuda você a determinar como e onde incliná-las?

CS: Normalmente, a composição é muito intuitiva. Para fotografar pessoas embaixo d'água uso uma lente de ângulo amplo para poder chegar mais perto e obter o melhor resultado das cores. Para obter o reflexo da figura na superfície da água preciso ficar mais baixo do que o ângulo normal, apontando ligeiramente para cima. 

 

 

EBM: A fotografia deu ao homem uma visão real do mundo, tornando-se assim um instrumento para captar imagens como registros da história. Na sua vida profissional, como você definiria essa fase?

CS: A fotografia cria memórias e capta imagens. Ao longo da história, a fotografia separou essas duas qualidades em duas realidades muito diferentes. Arte e fotografia comercial ficam de um lado, onde tudo é permitido e necessário para se obter o produto final. E o documentário está do outro lado com diferentes valores e uma ética severa. 

 

EBM: Que tipo de equipamento você usa (objetivas fotográficas, câmeras, software, etc.)?

CS: Eu acabei de atualizar o meu equipamento. Tenho uma Nikon D800 e para fotos subaquáticas uso uma lente de 24 milímetros. Para a minha caixa de mergulho entrei em contato com a EasyDive, uma fábrica na Itália. Eles fabricam uma caixa que pode potencialmente se adaptar à maioria dos Dslr no mercado, o que me permitiu trocar de câmera, mas manter a minha caixa com alterações pequenas e baratas. 

 

 

EBM: Como funciona a iluminação subaquática?

CS: Para fotografia subaquática, acho que as luzes são essenciais. Sempre uso pelo menos duas luzes estroboscópicas na água para dar a dimensão do sujeito e do espaço (trabalhar numa piscina é como fotografar em uma pequena sala bonita. É melhor você iluminá-la bem e mostrar suas belas características). Agora sempre tento difundir a piscina inteira se trabalho do lado de fora para poder controlar a qualidade da luz o máximo que puder. 

Embaixo d’água a luz perde cor muito mais rápido. Poucos metros abaixo da superfície a frequência vermelha e a visibilidade já desaparecem, transformando a cor em preto quanto maior a profundidade. Uso uma lente de ângulo amplo, para reduzir a quantidade de líquido entre mim e o sujeito, e luzes adicionais para trazer de volta à vida todas as cores que são apagadas pela água. Sempre tento usar uma luz por trás do sujeito para mostrar o ambiente e proporcionar profundidade e separação entre a modelo e o fundo. Para a modelo uso uma ou duas luzes. Uma luz funciona bem, mas o desejável são pelo menos duas luzes.

 

EBM: Quais foram as suas maiores dificuldades e desafios na fotografia?

CS: Na fotografia, em geral, o treinamento com a antiga câmera de filme 4x5 era muito desafiador, às vezes até frustrante e também muito divertido. Na fotografia subaquática, já fiz fotos a 10 metros de profundidade com a equipe usando equipamento de mergulho e com a modelo de vestido segurando um relógio. A modelo era uma excelente mergulhadora. Lidar com a profundidade, com o sal e com a água fria da Califórnia é definitivamente mais difícil e mais estressante do que posar numa piscina. 

 

 

EBM: Que perfil as modelos devem ter e que tipo de preparação elas devem receber para fazer fotos subaquáticas?

CS: Elas só precisam saber nadar. O resto pode ser pensado no dia das fotos se as fotografias forem tiradas numa piscina. 

 

EBM: Que tipo de maquiagem as modelos devem usar?

CS: Eu confio totalmente nos maquiadores. A maquiadora com quem trabalho com mais frequência é uma profissional incrível e fica do meu lado sempre pronta para retocar a maquiagem. Se um maquiador não é uma opção, maquiagem à base de óleo é a melhor escolha.

 

 

EBM: Alguma vez você já esteve em uma situação onde uma modelo entrou em pânico?

CS: Não. Quando trabalho com pessoas que não são mergulhadores, sempre começo na parte rasa da piscina para que seja fácil controlar situações inesperadas. Se for a primeira vez que as modelos posam na água, as ajudo a entender como funciona o processo e, normalmente, até o final do dia, todas estão posando na água como se tivessem feito isso a vida inteira. Tenho trabalhado no oceano também, mas é um desafio totalmente diferente e trabalho apenas com mergulhadores experientes para essas fotos. Segurança sempre em primeiro lugar.  

 

 

EBM: Que conselho você daria para quem está começando na área da fotografia?

CS: Meu conselho é: faça aquilo que você gosta e nunca se esqueça de fotografar aquilo que você ama. A fotografia como um negócio ocupa muito tempo e muitos pensamentos. Se você não ama fotografar, provavelmente quem estiver olhando para suas fotos também não vai estar muito envolvido na sua ideia.

 

 

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