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Figurinos de filmes como indicadores de moda

 

Por Lauro Patzer

 

Há muitas maneiras de olhar um filme. Uma delas é olhar para o figurino. Todos os anos, no maior festival de cinema do mundo, o melhor figurino leva o Oscar da modalidade. Em 2013, Jacqueline Durran recebeu o troféu pelo seu trabalho em Ana Karenina. Não foi de graça. Ela estudou profundamente o vestuário da época, os costumes e o comportamento para ambientar a produção. Para quem gosta de focar o vestuário em um filme, enxerga mais que uma tipologia de roupa. Pode perceber uma lista de mensagens implícitas e subliminares. Pode perceber os movimentos do corpo inserido numa roupa e o gosto estético de uma cultura em um determinado tempo. 

Em março de 2014, cinco filmes indicados aguardam a estatueta do melhor figurino. Os indicados são: Trapaça, 12 Anos de Escravidão, O Grande Gatsby, The Invisible Woman e O Grande Mestre.

O filme Trapaça é focado nos anos 70. Michael Wilkinson destaca o vestuário e os hábitos do início desta década. Como o filme é sobre personagens que fazem tudo para sobreviver, as roupas que eles usam têm de mostrar o gosto de cada um, explica Wilkinson.

Não foi fácil para Patricia Norris ajustar a sua missão no filme 12 Anos de Escravidão. Afinal, como se vestiam os escravos americanos em um passado vazio de documentos sobre o fato? A pesquisa indireta foi o caminho. Os senhores não compravam tecidos para vestir os escravos. Passavam-lhes as suas roupas usadas

Woman The Invisible, o figurinista Michle O’Connor, com sua terceira indicação, buscou motivos nos anos 1830 a 1850. Não há muitos detalhes sobre o filme, que ainda não tem tradução para o Brasil.

O Grande Mestre contou com o trabalho de William Chang Suk Ping para recriar vários ambientes começando por Foshan, uma cidade pré-industrial, até Hong Kong pós guerra.

Boa parte dos críticos afirma que o figurino não pode ser visto independentemente de outros elementos de um filme. Concordo em parte, pois um filme é sempre um todo onde além do figurino contam o roteiro, a edição, a animação, cabelo e maquiagem, fotografia, edição de som, trilha sonora e mixagem de som. A soma desses componentes é que fazem um filme ser tom atraente e envolvente. 

Mas como o nosso olhar neste comentário está voltado exclusivamente ao figurino e destacamos o mérito do item no filme Grande Gatsby, que teve o trabalho assinado por Chaterine Martin, a qual buscou parcerias com as joias Tiffany e Miuccia Prada. Chaterine conseguiu evidenciar o alto luxo e os costumes refinados da elite novayorkina nos agitados anos 20 do século passado e por isso levou o Oscar na modalidade.

    

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