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Nova York na medida certa 

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Por onde começar a escrever quando se trata de uma das mais gigantescas cidades do mundo? Depois de ouvir a minha voz interior, aquela que fala de tudo o que vejo, ouço e sinto, acatei a sugestão de começar por um crepúsculo. Sim, o crepúsculo nova-iorquino pode ser visto de qualquer parte da cidade. Ele protagoniza uma atmosfera de metamorfose, de fusão do ocaso da luz natural e o prenúncio das luzes artificiais. 

 

 

Quando o sol boceja e mergulha no horizonte, elas iniciam timidamente a sua aparição. As mais instigantes, as mais emocionantes, porém, são as dos prédios em uma determinada área da Broadway. Seus imensos letreiros são verdadeiros gigantes iluminados. Despontam uma após outra, formando uma cadeia colorida. Os turistas encantam-se com este frenesi. Tudo começa a arder em cores. Tudo aquilo dá a sensação do prenúncio de um grande palco onde o espetáculo está prestes a começar, quem sabe, com a abertura da canção New York, New York, interpretada por Frank Sinatra. De fato, ali está o coração cultural da cidade com os mais de quarenta teatros, ali estão também as lojas das grandes marcas e os restaurantes mais caros.

   

        

 

Para alguns, Broadway é a identidade desta metrópole. Mas não se deve enxergar Nova York apenas por esta região. Seria uma injustiça com o universo das outras partes icônicas. A cidade é um conjunto de unidades distintas, que formam um grande mosaico cultural de muitas etnias. Tudo o que se escreve a seu respeito não passa de fragmentos. No entanto, cada fragmento contém em si os seus tesouros. Cada vez que retorno, Nova York me conquista mais pela sua grandeza, soberba, horizontes, arte, volúpia, luxo, esplendor e gigantismo. Nova York é um vasto universo que vale a pena conhecer.            

 

Vou dividir com os leitores a minha experiência de cinco viagens fazendo um pequeno guia para cinco dias. Ele é bem sucinto. Serve como referência para consultas mais aprofundadas. Mas, cuidado, quando o seu destino é New York City, antes de viajar, estude bem a cidade, porque a sua geografia confunde.

 

Uma geografia que confunde

Fique esperto ao erro que muita gente comete! Não confunda o estado com a cidade de mesmo nome. O estado de Nova York tem por capital Albany, fundada por 30 famílias holandesas, em 1624. Já a metrópole de Nova York, que também se situa no estado homônimo, nasceu no ano seguinte, junto ao estuário do Rio Hudson. A peculiaridade da região contribuiu muito para a cidade expandir-se e tornar-se um dos lugares mais multiculturais do mundo. Por isso, quando uma pessoa fala em conhecer Nova York, só vale no sentido dos lugares históricos e turísticos. Ela é grande demais para um homem conhecê-la. É preciso ter morado a vida toda e, ainda assim, não seria o suficiente.

 

 

 

Dicas para quem for a Nova York

Uma dica, principalmente para a primeira viagem a Nova York, através deste breve guia. Ele pode ajudar a extrair o máximo da grande Apple para quem vai tanto pela primeira vez quanto na segunda ou mais vezes, pelos mais variados motivos: lazer, negócios, sozinho, juntinho ou acompanhado pelos filhos.  

 

A Times Square não tem hora. Já o meu horário preferido é ao entardecer quando as luzes fazem seu show. Na hora do crepúsculo é um lugar lindíssimo. Na esquina da 42th Street com a Broadway se inicia esse ritual de literal efervescência. Sempre há gente indo e vindo por todos os lados, alguns com suas câmeras para clicar os luminosos da Toys “R” Us, da Coca-Cola, da Samsung, da Xinhua News Agency. Sempre há uma surpresa. Em meio à multidão surgem figuras inusitadas como aquela de um sujeito fantasiado de bebezão com um pirulito multicolorido.

 

 

 

Point dos brasileiros

Com tantas novidades surgindo a cada mês, não é de admirar que tanta gente escolha Nova York como o destino certo. Nós, brasileiros, lotamos a cidade. Registra-se que, em média, em torno de 826 mil brasileiros vão anualmente para a NYC. Nova York se torna a cidade mais querida e mais visitada pelos turistas, por vários motivos, mas um deles é que ela consegue abrigar qualquer visitante: seja solteiro, casado ou com a família. É muito diversificada e abriga dezenas de etnias. Tem o cartão de visitas assinado por grandes grifes com peças mais baratas que no Brasil, as noites mais atraentes do mundo.

 

 

Nova York pela primeira vez

O turista estreante deve começar pelo Empire State Building, depois Central Park e a Times Square. Perfeito, isto é quase obrigação. Cinco dias é o tempo ideal para conhecer os imperdíveis pontos de Manhattan. Segue a minha sugestão em um itinerário do primeiro ao quinto dia.

 

 

 

Primeiro dia: Uptown e Harlem  

O primeiro impacto são os gigantescos prédios, um ao lado do outro, competindo pelos lugares mais altos. No verão é ótimo, eles projetam imensas sombras, o que ameniza o calor. Uma boa sugestão seria tomar café da manhã no Le Pain Quotidien (69th Street, 646/233-3768). Depois, vale seguir para o Museum Mile, o trecho da 5ª Avenida que reúne alguns dos principais museus da cidade. Se tiver que escolher, fique com o Metropolitan Museum of Art, sigla MET (n° 1000, 212/879-5500, netmuseum.org). Mais para o norte, no Harlem, fica a maior igreja anglicana do país, a Cathedral of St. John the Divine (1047 Amsterdam Avenue, 212/316-7540, stjdivine.org). Outro lugar muito especial é o Pier i Café (212/362-4450, piericafe.com) no Riverside Park, à beira do Rio Hudson. Se for domingo, mude a ordem e comece pelo Harlem, que fica bem ao norte de Manhattan, e assista a Missa Gospel na Abyssinian Baptist Church (132 Odell Clark Place, 212/862 7474, abyssinian.org.eu).

 

 

 

Segundo dia: Midtown

No segundo dia, comece em Midtown. O nome já diz, o centro da cidade, isto é, de Manhattan, e tire a manhã para percorrer a 5ª Avenida. Suba no Empire State Building, o símbolo do empreendedorismo americano (n° 350, 212/7363100, esbnyc.com.eu). Aproveite também, tire muitas fotos dentro da Grand Central Terminal (87e 42nd Street, 212/340-2583, grandcentralterminal.com.eu), que comemora 100 anos em 2013 e está com exposições especiais no local. Almoce lá mesmo, no elegante Grand Central Oyster Bar, aprecie os seus deliciosos frutos do mar (212/3/490-6650, oysterbany.com.eu). Final de tarde vá até o quiosque da Tkts Times Square e compre o ingresso para uma das peças da Broadway, entre elas Fantasma da Ópera. Outra dica é reservar algumas horas para visitar o Museu de Arte Moderna, o Moma (11 W 53rd Street, 212/708-9400, moma.org.eu).

 

 

 

Terceiro dia: Chelsea e Union Square

Chelsea e Union Square têm alguns dos melhores endereços para comer bem. Sugiro Friend of a Farmer (77 Irving Placê, 212/477-2188 friendofafarmernyc.com). Dali segue-se a pé ao High Line (Gansevoort Street, 212/500-6035, thehighline.org), a antiga via férrea suspensa, que foi adotada pelos moradores e virou parque com bancos de praça e jardins. Outra sugestão é o complexo de restaurantes Chelsea Market. Depois, partir para conhecer as obras de arte, visitando alguma galeria como a David Zwirner (19º Street, mais no chelseaartgalleries.com). Para finalizar o dia, indico um jantar no restaurante Eataly (200, 5ª Avenida, 212/229-2560, eataly.com), considerado a sensação gastronômica de Nova York.

 

 

Quarto dia: East e West Village  

O dia pode começar com um café nos Mud Truck’s (Astor Place, 4ª Avenida com a 8ª Street, 718/781-7913, onnud.com), aqueles carrinhos, pequenos caminhões, de vendas ambulantes com os melhores preços. Ali o turista encontra os melhores expressos, superiores aos lugares mais chiques. East Village é um lugar simbólico, que reúne tipos de pessoas incomuns, bizarras e não convencionais. Ali você pode ver as mais esquisitas formas de vestir. Na hora de jantar ou do almoço vale muita apena ir ao Café Loup (105 W 13ª Street, 212/255-4746, cafeloupnyc), bistrô que tem desde pato assado até hambúrguer com fritas, ou, para uma refeição fast food, ao Gray's Papaya (6ª Avenida, esquina com a 8ª Street, 212/260-3532, grayspapayanyc.com), que vende dois cachorros quentes mais um suco de papaya. Sobremesas gostosas são encontradas na Magnolia Bakery (401 Bleecker Street, 212/ 462-2572, magnoliabakery.com), que tem os cupcakes mais famosos do planeta.

 

 

 

Quinto dia: Lower Manhattan  

Se o tempo estiver bom, um passeio clássico e agradável é atravessar a Brooklyn Bridge a pé. A ponte tem 1,8 quilômetros, e a travessia dura cerca de meia hora. O percurso pode começar em Manhattan (estação do Brooklyn Bridge - City Hall) ou no Brooklyn (estação High Street). Um dos lugares onde os visitantes querem deixar a sua presença pela câmera fotográfica. A partir da ponte avista-se a Estátua da Liberdade (Liberty Island, nps.gov/stli), embora diminuta, por causa da distância. Mas se você quiser conhecê-la, basta pegar um “ferry” (uma balsa) no Battery Park (877/ 523-9849, statuecruises.com) com destino a Staten Island (Whitehall Street, siferry.com), que passa ao lado da estátua. A viagem de ida e volta dura uma hora e é grátis. É preciso lembrar que ela foi fechada no fim de 2012, devido aos estragos causados pelo furacão Sandy, e a previsão era de reabrir para o Dia da Independência, em quatro de julho. Um dos lugares mais visitados na atualidade é o Memorial do 11 de Setembro, o National 9/11 Memorial and Museum (Albano Street, 2012/312-8800, national1911memorial.org; grátis), também fica perto. O parque ocupa o Ground Zero e tem duas fontes gigantes nos locais onde ficavam as duas Torres Gêmeas do World Trade Center. Hoje é o prédio mais alto dos Estados Unidos, com 104 andares e 541 metros de altura. Havendo tempo, vale também conhecer o bairro chinês, cuja rua principal é a Canal Street, cheia de lojinhas. Parece um pedaço da China, o mandarim e outros similares predominam naquele bairro e daí o nome Chinatown. Para jantar ou almoço de carnes sugiro o Delmonico's (56 Beaver Street, 212/5091144, delmonicosny.com), o restaurante mais antigo de Nova York, de 1837.

 

 

A excursão dos super-heróis

 Para os fãs dos super-heróis, Nova York assegura um lugar cheio de magia para todas as idades. Esta excursão é feita a pé para encontrar deslumbrantes blockbusters das histórias dos heróis em quadrinhos, a maioria criados nessa cidade por volta de década de 1930. Há guias que conduzem os turistas e narram as particularidades de cada personagem, alguns associados ao Empire State Building, outros à Estação Grand Central e a vários outros lugares que serviram também como cenário para filmes famosos como Batman, Super-Homem e o Homem-Aranha. Na verdade, o imaginário do visitante entra em Gotham City e Metrópolis, lugares icônicos das revistas em quadrinhos que passaram às telas dos cinemas, destas à fantasia coletiva de crianças e adultos. Enfim, Nova York tem de tudo para o visitante, desde os mais refinados restaurantes, museus, teatros aos lugares de pura fantasia.

 

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