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Uma história de amor por uma cantora lírica

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Viajar é uma das minhas paixões. Já viajei pela Europa, América do Norte, África, mas não consigo esgotar a vontade de ir ao Rio de Janeiro. Há lugares fascinantes para conhecer. Desta vez, tirei um tempo para conhecer o Parque Lage com o seu palacete. E este palacete tem uma bela história de amor, que é o tema da minha crônica.

                                                                 

Themis Pereira de Souza Vianna à frente do palacete do Parque Lage, Rio de Janeiro.

 

Provavelmente as refinadas damas da nobreza francesa do século XVIII, moradoras na suntuosidade do Palácio de Versalhes, ficariam com inveja do que eu vi, na minha recente viagem ao Rio de Janeiro.

Entremeado da Mata Atlântica com árvores exuberantes e jardins que se parecem a uma paisagem mágica, repleta de imensa variedade de flores, tudo a vista de fundo do Corcovado. Estou falando do Parque Lage,  tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro.  

Suas origens retroagem ao século XVI, quando os primeiros europeus construíram um engenho de açúcar. No meio de tanta beleza natural, a talentosa mão humana também se fez presente no lugar com uma magnífica construção conhecida por Palacete do Parque Lage, que chama atenção pelo seu estilo eclético e clássico. Portanto, uma bela união entre o prodígio da natureza e a engenhosidade do homem.

Como afirmei antes, sua história começa no século XVI. Pulo alguns séculos e chego ao ano 1859 quando Antonio Martins Lage adquiriu a área. Em 1920, um dos netos, Henrique Lage, tornou-se proprietário das terras. 

Mas o detalhe do meu foco desta crônica está no ano de 1925, quando Henrique, um homem rico, entendido em negócios e afeito ao dinheiro, casa  com uma jovem, que além de bela tratava-se de uma ascendente cantora lírica italiana, consagrada como estrela internacional no Teatro Cólon de Buenos Aires.

Sua voz era de contralto, mas seu extraordinário talento a fazia alcançar os tons baixos de uma mezzo-soprano.  Estou falando da jovem que atingiu o estrelato nas óperas mundiais, Gabriella Besanzoni.

A cantora lírica Grabriella Besanzoni, que encantou Henrique Lage. Fotos em três épocas diferentes. 

 

Besanzoni viajou à América do Sul, um tempo em que o Teatro Cólon de Buenos Aires era a referência não só no continente, mas no mundo. Consagrou-se também em outros importantes teatros da América do Sul, tal como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. E foi ali que o rico empresário Henrique Lage levou a flechada mortal do cupido. Seus olhos ficaram presos à voz, aos movimentos, à beleza física da bela e talentosa italiana. Não teve dificuldade em aproximar-se da estrela, graças  à fortuna e ao prestígio de grande homem de negócios. 

Movido pela paixão, Henrique. agora um visionário, capaz de antecipar-se aos homens de seu tempo, era dono de empresas que  transformaram não só a economia carioca, como também a economia nacional. De pessoa dura para negociar, como homem casado com uma beldade, tornou-se suave e procurava agradar a bela esposa satisfazendo os seus caprichos e sujeitando-se aos gostos dela. Sabia que a cantora adorava a arquitetura clássica. Não perdeu tempo,  convidou um arquiteto europeu para remodelar os jardins e o palacete.

A ordem ao arquiteto foi a de dar à mansão um estilo romano, centralizando uma vistosa piscina entremeada com jardins iguais aos dos mais bonitos palácios europeus.

O conto de fadas tornou-se real inspirado na paixão de um homem rico por uma cantora lírica. logo se transformou em palco de reuniões sociais e muitos saraus (reuniões como objetivos culturais regadas a boa comida e bebida, praxe da elite europeia).

Henrique faleceu em 1941, mas ainda pode conhecer o ápice da carreira da esposa ao interpretar Carmem, que aconteceu em 1939 nas Termas de Caracala em Roma e três anos antes, Gabriella, havia fundado no Rio de Janeiro a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro.

Henrique não teve filhos e Gabriella sendo uma estrangeira, perdeu muitos bens que passaram para o patrimônio nacional. Ela retorna à terra natal e morre na Itália em 1962, deixando para os brasileiros o legado de uma história de amor, que, por sua vez, hoje é uma atração turística.

O Parque Lage de Pedra encanta.

Mas encanta muito mais àquele que conhece a sua história. Uma história de amor de um homem que mudou a sua vida ao conhecer a mulher dos seus sonhos. 

Henrique Lage e Gabriella Besanzoni.

 

 

 

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