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Meu 2017 foi resiliente

Meu 2017 foi resiliente

Meu 2018 será esforço e trabalho

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

A vida é ritmo. É passagem. E, de certa forma, as festas de fim de ano parecem vir embaladas num certo toque de nostalgia. Me vejo quase numa nebulosa, rodando, rodando, para chegar à consciência que esses momentos precisam ser aproveitados e vividos intensamente ao lado das pessoas que me são caras.

O clima de fim de ano, quando inserida na vida individual, ele se torna distinto e assume um enredo próprio e único. Um enredo com lembranças. Lembranças que se armazenaram e se avolumam com outras e outras e de outros anos. Fato que provoca uma cadeia de associações.

De passagem, lembro Ana Terra, personagem de Érico Veríssimo, que, “em todo o fim de ano costumava sentar-se na frente de sua casa para pensar no passado”. “E no seu pensamento como ouvia o vento de outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se de coisas”.

As lembranças de Ana Terra assumiam formas, imagens antropomórficas. Imagens peculiares ao seu mundo, onde a solidão dos vastos horizontes do pampa, por si, compunha com o minuano melancólicas elegias, verdadeiras milongas que se inseriram no cancioneiro pampeano, como melodias dolentes e tristes. Érico Veríssimo complementa na narrativa: “Ela, lembrava os casamentos de Maneco com uma moça modesta; de Antônio com Eulália Moura, filha de um açoriano. Lembrava uma nuvem de gafanhotos que desceu na lavoura deitando a perder toda a colheita.”

“E a vida era assim no imenso pampa, onde o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua passava por todas as fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas”.

A breve lembrança dessa personagem serve de analogia para demonstrar o espírito humano diante da transição de um ano para outro. O tempo, que personifica aquele senhor poderoso, a quem absolutamente nada é capaz de detê-lo. O tempo como a passagem das coisas, imbuía Ana Terra a entregar-se a longas divagações.

Ana Terra é apenas uma personagem e dista de nós faz três séculos.  Enquadra-se aqui uma pergunta: Será que em nossa vida, imersa num celular, há espaço para uma pausa para pensar sobre os anos que somem? Pelo menos no limiar de um ano, quando o calendário troca de número, nós, os seres urbanos, não deveríamos imitar Ana Terra?

Um pouco complicado. Mas, ao me propor a escrever uma matéria sobre tão sensível tema, sou obrigada a mergulhar no meu mundo pessoal. Todos nós, de certa maneira, estamos de acordo: há passagens no dia a dia as quais se fixam, que se prendem à memória e que demoram a apagar-se. São momentos que fazem um nó no estômago. Que roubam horas de sono. Que puxam para baixo.

Pois, meu 2017 foi uma gangorra emocional contundente de situações altas e baixas, que se alternavam. Que iam e vinham. Havia gente que me queria pregar numa cruz. E, na hora, as mãos amigas estavam ausentes. Eu estava sozinha. Uma sensação fria e traiçoeira. Tive de convencer-me, que meus planos nem sempre aconteceram da maneira como os planejava. Acredito, que assim o é para todas as pessoas.

Por isso, agora, no limiar de uma nova etapa de tempo (mesmo sabendo ser artificial), constato que aprendi muito na adversidade. E, no meio da turbulência, aprendi o sentido de uma palavra: resiliência. Resiliência, cujo sentido figurado significa aquela habilidade de me adaptar com facilidade às alterações ou aos infortúnios, segundo o dicionário.

Resiliência é a minha palavra-chave de 2017. Sobrevivi a tudo e me habilito a dar continuidade à EXCLUSIVE Brasil Mundo e à minha vida pessoal. Poderia concluir com uma dessas clássicas frases que circulam na internet: "O importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre." É uma bonita expressão para se colocar no Facebook. Contudo, sei que não basta lutar apenas por lutar. É preciso, ao lutar, acreditar que existe uma luz no fim do túnel, o que, na verdade, significa ter esperança nas minhas ações pessoais, no resultado do meu trabalho, no resultado do meu esforço pessoal.

Sim, eu acredito em ambos, acredito no esforço e no trabalho, duas ações que dignificam o ser humano. Não só dignificam, mas também criam o respeito.

Em 2018 quero me esforçar mais. Quero trabalhar mais ainda.  

 

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