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Esse Brasil não pode dar certo

Esse Brasil não pode dar certo

 

Por Themis Pereira de Souza Vianna

 

Não sei o que vai ser do Brasil nos próximos meses e nos anos imediatos. A esta altura os brasileiros que tem um pouco de esclarecimento, estão preocupados. As denúncias de propinas e de corrupção se avolumam e, o pior, se tornaram rotina. Os denunciados, por sua vez, todos, sim, todos eles se dizem inocentes, a começar pelo ex-presidente fanfarão, autodeclarado de “o homem mais honesto do Brasil”.

A lista de predadores é grande: Renan Calheiros, Eduardo Cunha, José Dirceu, Antonio Palocci, Aécio Neves, Geddel Vieira Lima, Sérgio Cabral, Dilma Rousseff e por aí vai. Alguns já estão na cadeia, outros em liberdade vigiada, outros, tensos, esperando a palavra do juiz. Mas os dois mais proeminentes, Michel Miguel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva, bailam na berlinda judicial, um mais recente, o outro, antigo freguês desde o tempo do mensalão. Ambos, porém, se esperneiam e procuram uma sobrevida na escolta de uma tropa de choque de advogados com custos milionários. O irônico é que ninguém quer ir à Curitiba e todos desejam sua auferição no Supremo Tribunal Federal. Por quê? A resposta verdadeira a essa pergunta há muito tempo o povo brasileiro aguarda.

 

Memória curta para a corrupção

O caso Venina Veloso, publicado pelo jornal Valor Econômico, em dezembro de 2014, ganhou muita repercussão nacional. Para lembrar, Venina descobriu, aos poucos, o circuito de falcatruas rolando dentro da Petrobras. Envolviam somas cada vez maiores, tanto dentro do Brasil como fora dele. Na ponta do fio condutor, comprometia o Poder Executivo.

Segue a transcrição do jornal Valor Econômico:

“As advertências à cúpula da petroleira foram feitas pela ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento da empresa Venina Velosa da Fonseca. Antiga subordinada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ela foi transferida para a Ásia após denunciar o esquema de corrupção e, posteriormente, foi afastada.

O jornal relata que, apesar das advertências, a direção da empresa não agiu para conter os desvios bilionários e ainda destituiu de seus cargos os executivos que tentaram barrar o esquema de corrupção.

Afastada da Petrobras em 19 de novembro, Venina advertiu Graça Foster sobre a multiplicação de aditivos na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, empreendimento executado pelas empreiteiras investigadas pela Lava Jato. Em 2014, disse o jornal, foram remetidas à presidente da Petrobras denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior, porém, nenhuma providência foi tomada pelos dirigentes da petroleira.

Documentos obtidos pelo "Valor" mostram, por exemplo, o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação da Diretoria de Refino e Abastecimento, gerida por Geovanne de Morais. Também apontam contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

 

Cronologia

2008

Venina Veloso faz as primeiras denúncias sobre contratos acima do valor previsto e pagamentos por serviços não realizados na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento.

2009

- Geovanne de Morais, diretor de comunicação, é demitido, mas entra em licença médica.

- Venina comunica a Graça Foster, então da Diretoria de Gás e Energia, problemas na estatal.

- A geóloga Venina identifica escalada de preços nas obras em Abreu e Lima (fraudes, superfaturamentos). Suas sugestões para reduzir custos e cortar esse mal são ignoradas.

2010

- Venina é transferida para Cingapura (ela sabia demais, feriu profundamente o interesse dos corruptos e ardilosamente a mandaram para longe. Vem a pergunta: apadrinhados por quem? Será que ELE não sabia).

2011

- Ela (Venina) diz a Graça Foster que quer lhe mostrar documentos sobre irregularidades antes de procurar outros meios para denunciá-las (não foi ouvida).

2012

- Graça Foster assume a presidência da Petrobras.

2013

- Geovanne de Morais sai oficialmente da empresa.

2014

- Março e abril

A geóloga envia a José Carlos Cosenza, escolhido pelo dedo de Dilma, que comanda a Diretoria de Abastecimento, e-mails sobre perdas financeiras em operações internacionais (Dilma também não sabia de nada).

- Maio

Ela propõe a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios do exterior, e não tem resposta.

- 19 de novembro

Venina é afastada da empresa sem saber o motivo (mas nós sabemos, era a pedra nos sapatos dos corruptos e no poder instituído).

Lembrete

Lembrem-se de 2014, que foi o ano das eleições. Propagandas milionárias proliferam durante os horários nobres da televisão, mostrando a lucratividade da Petrobras. Um engodo vergonhoso que mascarou o estado falimentar da maior empresa brasileira e ajudou a Sra. Dilma Rousseff a se reeleger. Posteriormente, graças à Lava Jato, uma corrupção jamais vista foi revelada ao País. E com toda a cara de pau, os principais mandantes “não sabiam de nada”.

 

Outra memória curta

Em 2007, durante o governo Lula, Joesley conseguiu que o BNDES pagasse R$0,50 a mais por cada uma das 139.470.610 ações da Swift. Uma propina que rendeu R$69.735.305,00 para o bolso (corrigido, hoje o valor é de R$125.000.000,00). Os envolvidos Jesley, Guido Mantega e o ex-presidente do BNDES Coutinho.

Todos com a cumplicidade de quem?

 

Gastanças

No contexto de fatos lamentáveis, o jornalista Cláudio Humberto escreveu em uma de suas colunas recentes: “O Senado gastou mais em 2016 com aposentados e pensionistas do que com salários de funcionários e servidores ativos. Em salários da folha de pessoal, a Casa Alta do Legislativo torrou R$1,64 bilhão no ano, enquanto aposentados custaram ao contribuinte quase R$1,33 bilhão. Somados aos R$350 milhões pagos aos pensionistas, o custo de quem já não trabalha foi de R$1,68 bilhão no Senado Federal.”

 

Mais gastança

Fundo Eleitoral Com Dinheiro Público Pode Chegar a R$ 6 Bilhões em 2018, matéria recente nos jornais.

Proposta vincula o valor a ser gasto nas campanhas do ano que vem à receita líquida do governo. O deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), relator da reforma política na Câmara, vai incluir em seu parecer proposta que vincula o valor a ser gasto nas campanhas do ano que vem à receita líquida do governo federal.

 

Seis bilhões para alimentar as dezenas de partidos políticos. A dúvida é inevitável. O destino final de todo esse dinheiro.

 

A gastança, a corrupção, a irresponsabilidade e a incompetência administrativa se entranharam no Brasil. Não dá para esquecer as mordomias abusivas com um viés que passa por todos os poderes, Executivo, Legislativo e o das Vossas Excelências.

Pobre do trabalhador. Pobre do assalariado, que precisa sustentar tudo isso além das corporações sindicais, que colocam os trabalhadores de joelhos. Enquanto isso, as estradas estão cheias de buracos, as escolas estão caindo aos pedaços e as pessoas levando meses para agendar uma consulta no SUS.

De fato, esse Brasil não pode dar certo. Mas não vamos ficar de braços cruzados. Podemos sim, multiplicar as denúncias e mostrar  nossa consciência aos corruptos para saberem que a nossa memória não é curta.

 

 

Corrupção

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